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Ibovespa sobe por 9º pregão seguido, mas fecha agosto no vermelho; entenda

31/08/2026 18:304 min de leituraAtualizado há 2 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você acompanha o mercado financeiro para tomar decisões no seu negócio, seja para importar, exportar, investir caixa ou simplesmente entender o clima econômico, esta segunda-feira trouxe um cenário misto. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1% e encerrou o dia acima dos 177 mil pontos, marcando o nono pregão consecutivo de alta. Apesar disso, o mês de agosto como um todo fechou no negativo, com recuo de 0,33%. Ou seja: a recuperação recente não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas ao longo do mês.

O dólar, por sua vez, caiu 0,28% e terminou o dia cotado a R$ 5,1814, acumulando queda de 5,60% no ano. Para empresas que dependem de importações, pagam dívidas em moeda estrangeira ou compram insumos cotados em dólar, esse movimento de valorização do real tende a aliviar custos no curto prazo. Já para exportadores, a moeda mais forte pode reduzir a margem em reais sobre vendas internacionais.

O que está movendo o mercado

Três frentes explicam o comportamento do mercado nesta segunda-feira. A primeira é o desempenho da Petrobras, cujas ações subiram com força (3,38% nas preferenciais e 4,23% nas ordinárias), acompanhando a alta do petróleo. O Brent avançou 2,71%, chegando a US$ 90,49 o barril, após a retomada de confrontos entre Estados Unidos e Irã aumentar as preocupações com o abastecimento global de petróleo, especialmente pela região do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte da commodity.

A segunda frente é o cenário eleitoral. Duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira mostraram uma disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, Lula tem 47,1% das intenções de voto contra 42,6% de Flávio Bolsonaro, uma diferença que diminuiu em relação a julho. Já o levantamento BTG/Nexus aponta um empate técnico, com Lula em 46% e Flávio em 45%. Esse cenário de disputa mais equilibrada foi um dos fatores que ajudou a pressionar o dólar para baixo, já que parte dos investidores associa uma eventual reeleição de Lula a maiores riscos fiscais.

A terceira frente é o movimento de capital estrangeiro na bolsa brasileira. A saída de recursos internacionais da B3 perdeu força nas últimas semanas: o saldo negativo caiu de R$ 23,2 bilhões (dia 20) para cerca de R$ 18,5 bilhões (dia 27). Segundo analistas do BB Investimentos, o fluxo de investidores estrangeiros deve continuar sendo o principal termômetro do apetite por risco no mercado brasileiro nas próximas semanas, com a volatilidade eleitoral ampliando as diferenças de desempenho entre os ativos.

Quem sentiu o efeito no pregão

Entre os destaques negativos, a Embraer caiu 1,82% em um movimento de realização de lucros, mas ainda acumula alta de 7,60% no mês. A Vale recuou 0,93%, mesmo com a valorização do minério de ferro na China, refletindo o desempenho fraco de mineradoras no exterior. Já a Natura viveu um dia de forte oscilação: chegou a subir 9% após anunciar a saída do presidente-executivo João Paulo Ferreira, substituído por Alessandro Carlucci, mas fechou o pregão estável, com analistas mantendo cautela sobre os próximos passos da empresa.

Fora do índice principal, o destaque foi a Casas Bahia, cujas ações dispararam 65% depois que a Justiça anticipou os efeitos do chamado stay period, suspendendo cobranças e execuções de dívidas contra o grupo antes da decisão final sobre o processamento formal de sua recuperação judicial. Esse tipo de decisão judicial costuma gerar reações intensas no mercado, já que reduz temporariamente a pressão financeira sobre a empresa.

Números do dia
177.418,78 pontosIbovespaalta de 1% no dia, mas queda de 0,33% no mês.
R$ 5,1814Dólarqueda de 0,28% no dia; acumula 5,60% de desvalorização no ano.
US$ 90,49Petróleo Brentalta de 2,71%, puxando as ações da Petrobras.

Vale lembrar ainda que a B3 divulgou a última prévia da nova composição do Ibovespa, que passa a valer a partir de 8 de setembro. A carteira confirma a entrada da Tenda e a saída de PetroReconcavo e SLC Agrícola, mudanças que afetam a forma como fundos e investidores institucionais distribuem recursos entre as empresas listadas.

Para o empresário e gestor, o recado prático é de atenção redobrada nas próximas semanas. O mercado deve continuar reagindo fortemente a notícias eleitorais e a eventos internacionais, como o conflito no Oriente Médio, o que pode gerar oscilações tanto no câmbio quanto no custo de capital. Se seu negócio depende de importação, exportação ou de linhas de crédito atreladas ao dólar, vale acompanhar de perto esses movimentos e evitar decisões financeiras baseadas apenas na tendência de um único dia.

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