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Ibovespa sobe e dólar cai: o que isso muda para sua empresa agora

25/08/2026 18:334 min de leituraAtualizado há 8 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você acompanha o dólar para importar insumos, fechar contratos ou planejar viagens de negócios, vale prestar atenção: a moeda americana fechou nesta terça-feira (25) em leve queda, cotada a R$ 5,1414, acumulando desvalorização de 6,33% no ano. Ao mesmo tempo, a bolsa brasileira teve mais um dia de alta, com o Ibovespa subindo 1,55% e chegando a 174.576,80 pontos, no quinto pregão seguido de valorização. O movimento reflete tanto fatores internos quanto o cenário internacional, e entender essas engrenagens ajuda você a tomar decisões mais informadas sobre custos, investimentos e planejamento financeiro.

O que está movendo o mercado

A queda nos juros dos títulos do governo americano (os chamados Treasuries) foi um dos principais fatores que impulsionaram a bolsa brasileira. Quando esses juros caem, fica menos atrativo para investidores estrangeiros manter dinheiro em ativos americanos, e parte desse capital migra para mercados emergentes como o Brasil. Isso ajuda a explicar por que a B3 registrou entrada líquida de recursos estrangeiros de R$ 1,76 bilhão no último dia 21, embora o saldo do mês ainda esteja negativo em R$ 21,44 bilhões. Ou seja, o fluxo melhorou, mas ainda não recuperou todas as saídas registradas em agosto.

Os bancos foram destaque na alta do Ibovespa, com o Banco do Brasil subindo 5,22%, Bradesco 3,13%, BTG Pactual 3,04% e Itaú Unibanco 1,83%. Esse desempenho é relevante porque o setor bancário vinha sendo pressionado por preocupações com a qualidade do crédito no país. Um alívio nesse segmento costuma sinalizar maior confiança na economia como um todo, o que pode facilitar condições de crédito para empresas no médio prazo.

A Vale também contribuiu para o resultado positivo, com alta de 2,04% nas ações ordinárias, mesmo com o minério de ferro em queda na China. O mercado reagiu bem à declaração do presidente da mineradora, Gustavo Pimenta, sobre o potencial de aumentar a produção de minério em até 50 milhões de toneladas por ano, caso avance a exploração de uma nova área em Carajás, no Pará. Já a Petrobras teve queda de 1,8%, acompanhando a baixa do petróleo no exterior e a repercussão do pedido de recuperação extrajudicial da Braskem, empresa na qual a estatal tem participação.

Números do dia
174.576,80 pontosIbovespaalta de 1,55%, quinto pregão seguido em alta.
R$ 5,1414Dólar à vistaqueda de 0,23% no dia e 6,33% no ano.
R$ 28,67 bilhõesVolume negociadomovimentação financeira total do pregão na bolsa.

Vale destacar também alguns movimentos pontuais que chamaram atenção: as ações da Braskem despencaram 13,11%, após o pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas, o que levou a B3 a anunciar a exclusão da empresa dos índices da bolsa. Já a Magazine Luiza disparou 9,13%, beneficiada pelo alívio nas taxas de juros futuros, movimento que também favoreceu outras empresas sensíveis a juros, como Assaí, Cury e Localiza.

Por que o cenário internacional pesa tanto

Grande parte da cautela do mercado está ligada ao conflito no Oriente Médio. Os Estados Unidos ampliaram sanções econômicas ao Irã, o que gerou reação do país e discussões sobre a segurança do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás comercializado no mundo. Qualquer instabilidade nessa região tende a afetar diretamente os preços do petróleo, e por consequência, custos de combustível e transporte no Brasil. Além disso, o mercado também está de olho no discurso do presidente do Federal Reserve (banco central americano), Kevin Warsh, previsto para sexta-feira, que pode dar pistas sobre os próximos passos dos juros americanos, e no índice de inflação PCE, divulgado na quarta-feira.

Outro ponto que interessa diretamente empresas que negociam com o mercado americano é a confirmação de uma reunião, marcada para a próxima segunda-feira, entre o governo brasileiro e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro foi agendado depois de uma conversa entre os presidentes Lula e Trump, o primeiro contato entre eles desde a adoção de novas tarifas americanas contra produtos brasileiros. Para negócios que exportam ou importam dos EUA, esse é um desdobramento a acompanhar de perto nos próximos dias.

Na prática, o cenário atual mostra um mercado em recuperação, mas ainda dependente de fatores externos, como decisões de juros nos Estados Unidos e a evolução do conflito no Oriente Médio. Se você lida com operações em dólar, negocia importação ou exportação, ou apenas acompanha o custo de vida da sua empresa, o ideal é manter atenção redobrada aos próximos indicadores e evitar decisões precipitadas baseadas em um único dia de alta ou baixa. O comportamento consistente do mercado nos próximos pregões, e não apenas o resultado de hoje, é o que vai indicar se essa melhora tem fôlego para continuar.

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