Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
A inteligência artificial deixou de ser promessa distante e já aparece no dia a dia de empresas de diversos portes e setores. Companhias aéreas, indústrias, redes de varejo e negócios de beleza estão usando a tecnologia para evitar falhas antes que elas aconteçam, testar produtos sem gastar dinheiro com protótipos físicos e ajudar equipes de vendas a tomar decisões melhores. O ponto comum entre esses casos: ganho de tempo, redução de custo e menos desperdício, resultados que interessam a qualquer gestor, independentemente do tamanho da empresa.
Um dado ajuda a entender a velocidade dessa mudança: o ChatGPT levou apenas cinco dias para chegar a 1 milhão de usuários e, em menos de quatro anos, já soma 1 bilhão de usuários mensais, o equivalente a uma em cada oito pessoas no mundo. Especialistas comparam o momento atual da IA à época dos primeiros computadores pessoais: a tecnologia está deixando de ser exclusividade de grandes corporações e ficando mais barata e acessível, o que abre espaço para negócios de todos os portes começarem a usá-la.
O que muda na prática
Os exemplos mostram aplicações bem concretas. A Gol Linhas Aéreas usa um sistema de inteligência artificial para prever problemas em aviões antes que eles ocorram, o que ajudou a empresa a se tornar a companhia aérea mais pontual do Brasil por dois anos seguidos. A Petrobras estima economizar cerca de US$ 20 milhões nos próximos anos com uma ferramenta própria que indica o momento certo de fazer manutenções, evitando gastos desnecessários entre as mais de 30 mil inspeções realizadas por ano.
Na indústria, empresas como a fabricante de eletrônicos Foxconn reduziram em 80% o tempo de diagnóstico de falhas em máquinas, além de cortar defeitos e aumentar a produtividade. Já a PepsiCo criou réplicas digitais de suas fábricas para testar mudanças de layout e operação antes de qualquer alteração real, o que resultou em ganhos de capacidade nas linhas de produção e redução de investimentos, segundo a empresa.
O uso da IA também está mudando a forma como as equipes de vendas trabalham. Na PepsiCo, o sistema analisa dados de mais de 200 mil pontos de venda no Brasil e sugere aos vendedores quais dos mais de 400 produtos têm maior potencial de venda em cada loja. Segundo a CIO da empresa, Francini Cristelo, isso está transformando o papel do vendedor: em vez de apenas anotar e enviar pedidos, ele passa a entender melhor o negócio e a estratégia da marca, com apoio de treinamentos internos voltados para o uso da ferramenta.
Quem é afetado
Os exemplos citados são de grandes empresas, mas o raciocínio por trás deles vale para negócios de qualquer porte: usar dados que a empresa já tem para evitar problemas, economizar tempo e vender melhor. No varejo, a L'Oréal criou provadores digitais para ajudar o consumidor a escolher produtos à distância, considerando a diversidade de tons de pele e tipos de cabelo do mercado brasileiro. A Hering adotou um provador virtual de roupas e também usa IA para automatizar a criação de anúncios, com aumento relatado de vendas e receita.
Esses casos mostram que a IA já está presente em etapas centrais do negócio: manutenção, produção, atendimento ao cliente e vendas. Para o empresário, a lição prática é que a tecnologia não serve apenas para tarefas administrativas repetitivas, mas também pode apoiar decisões estratégicas, como identificar quais produtos priorizar em cada ponto de venda ou antecipar falhas que gerariam prejuízo maior se não fossem tratadas a tempo.
Como começar a se preparar
Ainda não há como prever com precisão até onde a inteligência artificial vai chegar, segundo especialistas ouvidos pela reportagem original. Mas os exemplos já disponíveis indicam um caminho possível: começar mapeando processos que geram desperdício de tempo ou dinheiro, avaliar se existem dados suficientes para alimentar uma ferramenta de IA e buscar soluções específicas para o setor de atuação, ainda que em escala menor do que a de multinacionais. Empresas que investem em capacitar as equipes para entender e confiar na tecnologia, como fez a PepsiCo com sua própria academia digital, tendem a colher melhores resultados na adoção.
Para o gestor de pequeno ou médio porte, o recado é claro: a inteligência artificial está deixando de ser um diferencial exclusivo de grandes empresas e se tornando uma ferramenta cada vez mais acessível. Ficar de olho nos casos de uso do próprio setor, entender onde a tecnologia já mostrou resultado e avaliar aplicações simples, como automação de atendimento ou análise de dados de vendas, pode ser o primeiro passo para não ficar para trás nessa transição.
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