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Hard Rock Hotel em Gramado: o que o novo complexo muda para o turismo gaúcho

08/09/2026 13:134 min de leituraAtualizado há 13 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Gramado vai ganhar um empreendimento que promete mudar o patamar da hotelaria na Serra Gaúcha. A Mundo Planalto, empresa com mais de 7 milhões de metros quadrados entregues em outros projetos, está construindo o Hard Rock Hotel Gramado, um complexo de 143 mil metros quadrados em parceria com a Hard Rock International. A primeira fase deve ficar pronta em 2028, e o projeto já é apontado como um divisor de águas para quem trabalha com turismo, eventos e hospedagem na região.

O que muda

Até agora, Gramado se consolidou como um dos destinos mais fortes do país, com mais de 700 eventos por ano e taxa de ocupação hoteleira acima de 70%. Mas, segundo José Roberto Nunes, CEO da Mundo Planalto, faltava um nome de peso internacional capaz de atrair o hóspede antes mesmo de ele pesquisar o destino. É esse o papel que a marca Hard Rock deve cumprir: dar reconhecimento imediato, tanto para o turista brasileiro quanto para o estrangeiro.

O modelo de negócio também é diferente do que costuma ser praticado no mercado imobiliário-hoteleiro brasileiro. Em vez de apenas vender unidades com uma marca estampada na fachada, a proposta é operar o hotel nos moldes internacionais, com a Hard Rock International responsável pela gestão depois da entrega. Parte das unidades foi vendida a membros, mas o negócio não termina na venda: a receita principal deve vir da operação diária ao longo dos próximos trinta anos, com o hóspede pagando a diária e o membro proprietário tendo acesso a benefícios exclusivos.

Para sustentar essa proposta, o complexo foi planejado em quatro frentes: entretenimento, eventos, gastronomia e wellness. O entretenimento aproveita a força da marca Hard Rock, conhecida por shows ao vivo e memorabilia musical. Já o centro de eventos mira uma lacuna real da cidade, que hoje tem dificuldade para receber congressos e convenções de grande porte, mesmo com agenda cheia de eventos menores. Na gastronomia, serão cinco restaurantes internacionais operados pela própria Hard Rock, somando-se a uma cena gastronômica que já é referência no país. O wellness fecha o pacote, com spa, piscinas e programa próprio, um segmento que, segundo estudos internacionais, pode sustentar preços de 10% a 25% acima de empreendimentos comparáveis.

Quem é afetado

O impacto vai além do hotel em si. Para empresários do setor de turismo, gastronomia, eventos e serviços em Gramado e região, a chegada de uma marca global tende a puxar para cima a exigência de padrão de atendimento e a expectativa do público que visita a cidade. Redes de hospedagem, restaurantes e prestadores de serviço que já atendem turistas estrangeiros podem sentir o efeito de um fluxo internacional ainda maior.

Esse efeito já aparece nos números: em 2025, Gramado recebeu turistas de 72 países, somando mais de 97 mil visitantes estrangeiros, segundo o Observatório do Turismo de Gramado. Outro fator que reforça essa tendência é a infraestrutura de acesso. O governo federal formalizou o contrato do Aeroporto Regional da Serra Gaúcha, com investimento de R$ 200 milhões e capacidade para 2 milhões de passageiros por ano, o que deve facilitar a chegada de visitantes de fora do país e de outras regiões do Brasil.

O complexo em números
143 mil m²área do complexoHard Rock Hotel Gramado, em parceria com a Hard Rock International.
2028entrega da 1ª fasePrazo previsto para a conclusão da primeira etapa do empreendimento.
97 milturistas estrangeiros em 2025Visitantes de 72 países passaram por Gramado no período.
R$ 200 miinvestimento no aeroporto regionalCapacidade prevista para 2 milhões de passageiros por ano.

Vale lembrar que a Mundo Planalto não chega a esse projeto sem histórico. A empresa já entregou o Castelos do Vale, em Bento Gonçalves, apresentado como o primeiro resort do Brasil integrado a uma vinícola, além de manter no portfólio o Terra Santa Cidade do Lazer e o Arca Parque. Segundo Nunes, esse histórico de entregas é o que sustenta a credibilidade da empresa para tocar um projeto de escala maior: "prefiro ser cobrado pelo que já entreguei do que aplaudido pelo que ainda vou lançar", afirma o executivo.

Outro ponto de atenção para quem acompanha o mercado imobiliário e turístico da região é o cuidado ambiental do projeto. O Hard Rock Hotel Gramado passou por um EIA-RIMA completo, estudo de impacto ambiental que não era obrigatório, mas foi feito por decisão da própria empresa. Essa escolha exigiu mais tempo e investimento, mas tende a dar mais segurança jurídica ao licenciamento e reforça o compromisso ambiental do empreendimento perante autoridades e comunidade local.

Para empresários e gestores de negócios ligados ao turismo na Serra Gaúcha, o recado prático é claro: a chegada de uma marca internacional como a Hard Rock deve elevar o padrão de exigência do mercado e ampliar o fluxo de visitantes estrangeiros, especialmente com o reforço da infraestrutura aérea da região. Quem atua em hotelaria, gastronomia, eventos e serviços correlatos tem um horizonte concreto até 2028 para se preparar, seja investindo em qualificação, seja revisando a própria oferta para dialogar com um público mais internacionalizado que deve chegar à cidade.

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