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Guerra na Ucrânia afeta agro global: entenda o impacto no comércio exterior

30/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 3 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você tem uma empresa que compra ou vende commodities agrícolas, como trigo, milho, cevada ou óleo de girassol, precisa entender o que está acontecendo na Ucrânia. O país, que antes da guerra era uma das maiores potências agrícolas do mundo, viu sua produção despencar por causa dos ataques russos, e isso tem efeito direto sobre preços e disponibilidade desses produtos no mercado internacional.

Por que a Ucrânia importa tanto para o agro mundial

Antes da invasão russa em grande escala, iniciada em fevereiro de 2022, a Ucrânia ocupava posições de destaque na produção e exportação agrícola global. O país estava entre os principais produtores mundiais de trigo, milho, cevada e óleo de girassol, sendo inclusive o maior exportador mundial deste último produto. Mais da metade do território ucraniano é composto por terras agricultáveis, muitas delas com um tipo de solo extremamente fértil, conhecido como chernozem ou terra negra.

Essa posição de destaque fazia da Ucrânia uma peça central no abastecimento de alimentos em diversas partes do mundo. Quando a guerra começou, e principalmente quando a Rússia impôs um bloqueio ao Mar Negro, a oferta global desses grãos foi afetada, contribuindo para o agravamento da crise alimentar em escala internacional, segundo alertou o Conselho da União Europeia na época.

O que a guerra destruiu

Os danos ao setor agrícola ucraniano são de várias frentes. Incêndios provocados pela guerra já consumiram quase 1 milhão de hectares somente em 2025, sendo que cerca de um terço dessa área era formada por terras agrícolas. Além disso, aproximadamente 30% do território ucraniano está contaminado por minas terrestres e artefatos explosivos não detonados, o que torna essas áreas inutilizáveis para o plantio.

A destruição da barragem de Nova Kakhovka, em junho de 2023, também teve um impacto grave: as inundações resultantes cobriram dezenas de milhares de hectares de terras agrícolas no sul do país, tornando essa área improdutiva. Some-se a isso a poluição por químicos e derramamento de óleo no ambiente, além de relatos de soldados russos roubando grãos de produtores locais logo no início do conflito.

Ucrânia no mercado agrícola antes da guerra
1º lugarexportador de óleo de girassolUcrânia era a maior exportadora mundial do produto.
42,5 milhões hade terra usada na agriculturade um total de 60 milhões de hectares de território.
Quase 1 milhão haafetados por incêndios só em 2025cerca de um terço eram terras agrícolas, segundo dados de satélite.

O que isso significa para o seu negócio

Para empresas brasileiras que compram insumos agrícolas importados, vendem para o mercado internacional ou dependem de commodities cotadas globalmente, a redução da capacidade produtiva ucraniana é um fator de pressão sobre preços. Com menos oferta desses grãos no mercado mundial, é natural que haja volatilidade nos custos de matérias-primas ligadas à alimentação, rações e óleos vegetais, algo que pode chegar até a sua planilha de custos, direta ou indiretamente.

Além disso, a instabilidade nas rotas de exportação pelo Mar Negro, incluindo ataques recentes a portos e embarcações, tem levado a Ucrânia a buscar caminhos alternativos para escoar sua produção. Essa incerteza logística tende a se refletir em prazos mais longos e custos mais altos de frete internacional, fatores que afetam qualquer empresa que negocie com fornecedores ou compradores ligados a esse mercado.

Vale lembrar que o governo ucraniano já começou a buscar mecanismos de responsabilização pelos danos causados, com a ratificação, em abril, de uma convenção internacional voltada à criação de uma comissão de reclamações. Isso mostra que o assunto seguirá em discussão por bastante tempo, o que reforça a necessidade de acompanhar de perto as notícias do setor agrícola internacional se sua empresa depende, de alguma forma, desses produtos.

Na prática, o recado para o gestor é claro: mantenha-se atento às variações de preços de commodities agrícolas nos próximos meses, diversifique fornecedores quando possível e considere esse cenário de instabilidade global ao planejar compras, contratos e formação de preços que envolvam grãos e derivados.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.