Guerra comercial EUA-Canadá: o que as novas tarifas mudam para empresas
08/09/2026 14:493 min de leituraAtualizado há 13 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O Canadá começou a aplicar, nesta terça-feira, tarifas de retaliação sobre produtos vindos dos Estados Unidos. A medida é resposta a uma tarifa de 50% que o governo americano impôs no mês passado sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, depois que várias rodadas de negociação entre os dois países não avançaram. Para você que tem negócios ligados ao comércio entre EUA e Canadá, direta ou indiretamente, esse é um sinal de que a relação entre as duas maiores economias da América do Norte está mais tensa e imprevisível.
O que muda
As novas tarifas canadenses também somam cerca de US$ 20 bilhões em produtos americanos, com alíquotas que vão de 15% a 50%, atingindo itens como aço, móveis, roupas e eletrônicos. Ou seja, produtos americanos ficam mais caros para quem compra no Canadá, e o mesmo já vale para produtos canadenses nos Estados Unidos. Apesar de representar uma fatia pequena do comércio total entre os dois países, o movimento aumenta o clima de instabilidade e pode se espalhar para outros setores caso a disputa continue escalando.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defendeu a decisão em um vídeo publicado após a entrada em vigor das tarifas, afirmando que o país tem condições de seguir um caminho mais independente dos Estados Unidos, mesmo reconhecendo que essa mudança tem custo. Segundo uma fonte do governo canadense, atualmente não há negociações em andamento entre as autoridades dos dois países, o que reforça a sensação de impasse.
Quem é afetado
Autoridades canadenses indicaram que as tarifas foram desenhadas para pressionar economicamente e politicamente setores de Estados americanos como Michigan e Ohio, importantes antes das eleições de meio de mandato nos EUA, previstas para novembro. Isso mostra que a disputa comercial também tem um componente político, e não apenas econômico.
Outro ponto de atenção é o caso da fabricante canadense de jatos Bombardier, citada pelo presidente americano Donald Trump em uma rede social. Segundo ele, a empresa não poderia mais vender aeronaves nos Estados Unidos a menos que passasse a fabricá-las em solo americano, embora não tenha havido confirmação de uma medida oficial nesse sentido. A repercussão foi imediata: as ações da Bombardier chegaram a cair mais de 6% na Bolsa de Valores de Toronto nesta terça-feira, mostrando como declarações públicas já afetam o mercado antes mesmo de qualquer decisão formal.
Como se preparar
Se sua empresa depende de fornecedores, clientes ou logística ligados aos Estados Unidos ou ao Canadá, vale ficar atento ao risco de custos mais altos em produtos como aço, eletrônicos, roupas e móveis, que estão na lista das novas tarifas. Especialistas ouvidos na reportagem original, como Michael Harvey, diretor-executivo de uma entidade do agronegócio canadense, alertam para o risco de uma "espiral de escalada", ou seja, uma sequência de retaliações que pode se espalhar para mais setores e ampliar a instabilidade nas cadeias de comércio da América do Norte.
Além do impacto direto nas tarifas, o episódio reforça um cenário de incerteza para o comércio internacional, algo que também pode afetar empresas brasileiras que fazem negócios com parceiros americanos ou canadenses, ou que competem em mercados globais sensíveis a esse tipo de disputa. Acompanhar como esse conflito evolui pode ajudar você a antecipar mudanças de preço, prazos e condições contratuais em operações que envolvam esses dois países.
Por ora, não há sinal de novas negociações entre os governos dos Estados Unidos e do Canadá, o que sugere que a situação pode continuar tensa nas próximas semanas. Para gestores e empresários com qualquer exposição a esse comércio, o mais prático é revisar contratos, prazos de importação e exportação e buscar orientação especializada antes de assumir novos compromissos que dependam da estabilidade dessa relação comercial.
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