Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O Google alterou, nesta semana, a forma como exibe resultados de busca na Europa para se adequar à Lei dos Mercados Digitais da União Europeia. A mudança foi motivada por uma multa de 460 milhões de euros aplicada à empresa em julho, por favorecer seus próprios serviços em buscas de compras, hotéis, transporte e esportes. Embora a decisão valha apenas para o mercado europeu, ela mostra uma tendência de regulação mais dura sobre grandes plataformas de tecnologia, e vale a pena entender o que está em jogo, especialmente se você depende de busca orgânica para atrair clientes.
O que muda
Na nova configuração, os resultados de busca vão destacar, no topo da página, um mecanismo de busca especializado, seguido por mais dois com menos detalhes. Logo abaixo, aparece um carrossel com opções de hotéis, companhias aéreas e restaurantes, mas sem informações importantes como preços em tempo real. Quem antes aparecia com destaque direto, como o site oficial de um hotel ou restaurante, passa a dividir espaço com plataformas de comparação de preços, como Booking.com e Expedia, que ganharam mais visibilidade nesse novo formato.
Segundo o Google, essas mudanças foram apresentadas pela União Europeia como uma forma de equilibrar a concorrência entre empresas que anunciam online. Mas a companhia afirma que, na prática, quem sai ganhando são os sites de comparação, e não necessariamente pequenos e médios negócios que dependem de busca direta para vender seus produtos e serviços.
Antes
- Empresas apareciam com link direto, telefone e endereço
- Resultados priorizavam serviços próprios do Google
- Tráfego direto para sites de reservas
Depois
- Sites de comparação de preços ganham destaque no topo
- Carrossel de hotéis e restaurantes sem preços em tempo real
- Queda relatada de 30% no tráfego direto e gratuito
Quem é afetado
Por enquanto, a mudança atinge apenas usuários e empresas dentro da União Europeia. O próprio Google afirmou que consumidores e negócios fora do bloco não sentirão o impacto dessa alteração específica. Mesmo assim, empresas brasileiras que vendem para o mercado europeu, atuam em turismo, hotelaria, transporte ou têm operação direta na região, podem perceber mudança no comportamento de busca e no volume de acessos vindos do Google.
De acordo com a empresa, testes realizados com milhões de usuários na Europa mostraram alto nível de insatisfação, já que muitas pessoas precisaram refazer buscas para encontrar o que realmente procuravam. Isso indica que a experiência de compra ou reserva pode ficar mais lenta e menos direta para quem usa o buscador na região.
Como se preparar
Se o seu negócio depende de tráfego vindo do Google na Europa, especialmente nos setores de turismo, hospedagem, transporte ou restaurantes, é importante acompanhar de perto o desempenho dos seus canais digitais nos próximos meses. A empresa já relatou queda de 30% no tráfego direto e gratuito após mudanças anteriores ligadas à mesma lei, e espera que o cenário se repita agora.
Vale reforçar outros canais de relacionamento com o cliente, como e-mail, redes sociais e aplicativos próprios, para não depender exclusivamente da busca orgânica. Empresas que vendem por meio de plataformas de comparação de preços também devem observar se essa mudança gera mais visibilidade e, consequentemente, mais vendas através desses intermediários.
O episódio também é um lembrete prático: regras definidas por órgãos reguladores em outros países podem impactar diretamente a forma como seu negócio aparece online, mesmo que sua empresa não esteja fisicamente na Europa. Ficar atento a esse tipo de mudança ajuda a ajustar estratégias de marketing digital antes que o impacto nas vendas seja sentido.
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