Inadimplência: como empresas driblam limites do Desenrola 2.0
08/09/2026 15:003 min de leituraAtualizado há 13 horas
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Se a inadimplência de clientes tem pesado no seu caixa, você não está sozinho. Com o Desenrola 2.0, programa do governo federal que teve prazo prorrogado até agosto de 2026, mostrando limites para resolver o problema, empresas de todos os portes têm buscado alternativas próprias para lidar com dívidas em atraso. Duas estratégias ganharam força: a venda de carteiras de recebíveis inadimplentes e o uso de inteligência artificial para prever atrasos antes que eles aconteçam.
O que muda para pequenas e médias empresas
Até pouco tempo, vender uma carteira de recebíveis inadimplentes para gerar caixa era operação restrita a grandes bancos, com valores entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões. Isso mudou. Segundo a fintech BLU365, especializada em recuperação de crédito, empresas de pequeno e médio porte já conseguem negociar carteiras na faixa de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões.
Na prática, isso significa transformar dívidas paradas em dinheiro disponível agora, repassando para outra empresa a tarefa de cobrar. Para quem administra um negócio menor e sente o impacto direto da inadimplência no fluxo de caixa, essa passou a ser uma via de acesso que antes não existia.
Tecnologia para agir antes do atraso
Além de vender dívidas já em aberto, empresas têm investido em ferramentas de análise de dados e inteligência artificial para identificar sinais de risco antes que o cliente deixe de pagar. A ideia é simples: acompanhar o comportamento de pagamento e agir de forma preventiva, evitando que a inadimplência aconteça, em vez de correr atrás do prejuízo depois.
Esse movimento acontece em um cenário de dívidas em disputa judicial que supera R$ 1 trilhão no Brasil, segundo o Grupo Preâmbulo, empresa de tecnologia jurídica que afirma ter 20% de participação de mercado nesse segmento e mais de R$ 20 bilhões em carteira de cobrança. O tamanho desse mercado mostra por que a prevenção tem se tornado prioridade para quem não quer engrossar essa estatística.
Consignado privado também sente o efeito
Outra frente que ganhou tração foi o crédito consignado privado. Desde que o governo estabeleceu, em abril, um teto de 4,99% ao mês para os juros dessa modalidade, cresceu a procura de operadores do setor por soluções de gestão de dívidas. Segundo a BLU365, um em cada três pedidos de propostas comerciais recebidos pela empresa hoje vem justamente de operadores de consignado privado.
A fintech também relatou aumento no engajamento dos clientes em seus canais de negociação: o índice saltou de 75%, em dezembro de 2025, para 85% nos meses mais recentes. Para o fundador da BLU365, Alexandre Lara, esse crescimento tem relação direta com a maior exposição do tema na mídia, o que ajuda a colocar a negociação de dívidas na pauta de mais empresas e consumidores.
Se você comanda uma empresa e enfrenta inadimplência de clientes, vale acompanhar de perto essas alternativas. Vender carteiras de recebíveis pode ser um caminho para destravar caixa rapidamente, enquanto investir em ferramentas de análise de dados ajuda a evitar que novos atrasos aconteçam. Combinar as duas frentes, recuperação do que já está em atraso e prevenção do que ainda pode acontecer, é a estratégia que mais empresas têm adotado diante dos limites dos programas governamentais de renegociação.
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