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Girassol argentino cresce e pode afetar preço do óleo no Brasil

09/09/2026 04:584 min de leituraAtualizado há 14 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A Argentina, um dos maiores fornecedores mundiais de óleo de girassol, está ampliando de forma expressiva a área plantada dessa cultura para a safra 2026/27. As estimativas apontam entre 3 e 3,1 milhões de hectares, um crescimento de quase 10% sobre o ciclo anterior e de 34% frente à média dos últimos cinco anos. O movimento importa para quem trabalha com grãos, óleos vegetais ou insumos agrícolas no Brasil, já que mudanças na oferta argentina tendem a repercutir nos preços internacionais desses produtos.

O que está mudando

Enquanto o milho perde área e a soja cresce apenas de forma discreta na Argentina, o girassol se destaca como a cultura mais rentável entre os grãos do país. O motivo é econômico: o óleo de girassol alto oleico, de maior qualidade, está com cotação em alta no mercado internacional, e a carga tributária sobre suas exportações é bem menor do que a da soja. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem original, enquanto a soja paga 24% de imposto sobre exportação, o óleo de girassol recolhe entre 2,5% e 4,5%. Essa diferença tem levado produtores a substituir área de soja e milho por girassol, especialmente em regiões afetadas por pragas que prejudicam o milho.

As margens projetadas confirmam essa vantagem: em áreas de potencial produtivo médio, o girassol alto oleico deve gerar resultado de US$ 171 por hectare, e o tradicional, US$ 113 por hectare. Já a soja de primeira safra pode fechar com resultado negativo de US$ 70 por hectare nessas mesmas condições. Para quem acompanha o mercado de commodities agrícolas, esse tipo de diferença de rentabilidade costuma direcionar decisões de plantio nas próximas safras, o que pode alterar a oferta global de cada grão.

Girassol argentino em números
3 a 3,1 milhões de haárea estimada 2026/27alta de quase 10% sobre a safra anterior.
US$ 2,1 bilhõesexportações no 1º semestre de 2026salto de 128,5% na comparação anual.
7 a 7,5 milhões de toneladascolheita estimadapróxima do recorde histórico de 7,1 milhões (1998/99).

Quem é afetado por essa mudança

O movimento interessa diretamente a importadores e distribuidores de óleos vegetais, indústrias alimentícias que usam óleo de girassol como insumo e empresas do agronegócio que comercializam grãos ou insumos agrícolas com a Argentina. Como o Brasil produz girassol, mas consome quase toda a produção internamente, sem gerar excedente para exportação, o país depende do mercado internacional, e a Argentina é hoje o único fornecedor relevante de óleo de girassol no Hemisfério Sul durante a entressafra do Hemisfério Norte. Isso significa que qualquer variação na safra argentina pode influenciar o preço pago por empresas brasileiras que importam esse óleo.

A demanda internacional também está mais aquecida por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia, dois grandes produtores mundiais de girassol, e por problemas climáticos que reduziram a produção na Europa. Esse cenário ajuda a explicar por que o preço do óleo de girassol bruto negociado no porto de Roterdã, referência global, subiu para a faixa de US$ 1.420 a US$ 1.500 por tonelada, bem acima dos US$ 1.000 a US$ 1.100 registrados em 2025. Para empresas brasileiras que compram esse insumo, a tendência de preços mais altos deve continuar enquanto durar esse desequilíbrio entre oferta e demanda global.

Riscos e prazos a acompanhar

Apesar do otimismo, a safra argentina ainda enfrenta um fator de risco: o fenômeno climático El Niño, que pode trazer chuvas intensas justamente no período de plantio, entre setembro e outubro. O girassol tolera bem a falta de água, mas sofre com excesso de umidade, o que pode reduzir a produtividade das lavouras caso o clima seja desfavorável. Até 3 de setembro, apenas 19,3% da área prevista havia sido semeada, o que significa que o resultado final da safra ainda é incerto, especialmente nas regiões que concentram a maior parte da produção.

Do lado da indústria, o investimento segue avançando independentemente do clima. Empresas do setor estão ampliando a capacidade de processamento, com destaque para uma nova unidade industrial da Louis Dreyfus Company em construção em Bahía Blanca, que deve se tornar uma das maiores usinas de moagem de girassol do mundo. Esse tipo de investimento indica que o mercado aposta em crescimento sustentado da cultura nos próximos anos, e não em um movimento passageiro.

Para empresas brasileiras que dependem de óleo de girassol ou acompanham o mercado de grãos, o recomendável é monitorar tanto a evolução do plantio na Argentina quanto as condições climáticas nas próximas semanas. Preços de insumos e contratos futuros tendem a reagir a qualquer sinal de problema na safra argentina, e antecipar esse movimento pode ajudar na negociação de compras e na gestão de custos ao longo dos próximos meses.

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