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Fluidstack: a startup pouco conhecida que já vale US$ 18 bilhões

04/09/2026 05:054 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Uma empresa que começou pagando jogadores para usar o poder de processamento das placas de vídeo deles hoje está avaliada em US$ 18 bilhões e no centro de uma disputa bilionária entre gigantes da tecnologia. A Fluidstack, startup britânica fundada em 2017, tornou-se peça-chave na estratégia do Google para transformar seus chips de inteligência artificial em concorrentes diretos da Nvidia. O caso mostra como movimentos de bastidor em contratos de infraestrutura podem gerar valorizações rápidas e chamar atenção de investidores de peso.

Como a Fluidstack chegou até aqui

A empresa nasceu de uma ideia simples: conectar pessoas com placas de vídeo ociosas, muitas vezes jogadores que usavam seus equipamentos poucas noites por semana, a pesquisadores e empresas que precisavam de poder computacional para treinar modelos de inteligência artificial. Durante a pandemia, o negócio mudou de escala, passando a alugar blocos inteiros de processadores de laboratórios e universidades, com clientes como Poolside, Mistral e Character.ai. Depois do sucesso do ChatGPT, a demanda cresceu tanto que a receita da empresa saltou para mais de US$ 66 milhões em 2024.

O grande salto, porém, veio de um movimento estratégico do Google. A gigante das buscas usa há mais de uma década seus próprios chips de IA, conhecidos como TPUs, e decidiu vender esse hardware diretamente para outras empresas, criando uma alternativa à Nvidia. Um dos maiores exemplos foi o acordo da Anthropic, criadora do Claude, para comprar até 1 milhão de TPUs. Para viabilizar essa estrutura gigantesca, alguém precisava construir e operar os data centers. Foi aí que a Fluidstack entrou, tornando-se, segundo o material apurado, a primeira operadora conhecida publicamente de data centers de TPUs fora do próprio Google.

Por que o valor da empresa disparou

Em julho, a Fluidstack foi avaliada em US$ 7,5 bilhões após uma rodada de investimento de US$ 750 milhões. Poucos meses depois, uma nova rodada, de US$ 1,5 bilhão, liderada pelo fundo Jane Street, elevou essa avaliação para mais de US$ 18 bilhões. O crescimento também aparece nas projeções financeiras: a receita da empresa deve saltar de US$ 200 milhões no ano passado para US$ 660 milhões em 2026, segundo um memorando de investimento citado por um dos fundos que aportaram na startup.

O crescimento da Fluidstack em números
US$ 18 bivalor atual da empresaapós rodada liderada pelo fundo Jane Street.
US$ 660 mireceita projetada para 2026mais que o triplo dos US$ 200 milhões do ano anterior.
1,3 GWcapacidade de energia prevista para este anodistribuída em mais de 10 locais.
17 GWmeta de capacidade até 2030superior à capacidade atual de Amazon e Microsoft nos EUA, somadas.

Parte desse dinheiro foi usada para financiar a construção dos próprios data centers da empresa, em vez de apenas comprar equipamentos prontos. A estratégia é alugar o espaço construído para hospedar os chips de clientes, modelo que a Fluidstack acredita ser mais rápido de escalar. Além do capital levantado em ações, a empresa e seus parceiros contraíram mais de US$ 15 bilhões em dívidas para financiar esses projetos, segundo documentos apresentados a órgãos reguladores nos Estados Unidos.

O que isso significa para quem observa o mercado

Para empresários e gestores que acompanham o setor de tecnologia, o caso da Fluidstack é um exemplo de como a corrida por infraestrutura de inteligência artificial está movendo somas extraordinárias de capital, muito além dos nomes mais conhecidos como Nvidia, Google e Meta. Empresas de bastidor, que constroem e operam a infraestrutura física necessária para rodar essa tecnologia, estão se tornando alvos de investimentos bilionários e conquistando avaliações que rivalizam com gigantes estabelecidos.

Outro ponto de atenção é o uso de contratos de energia como moeda estratégica. A Fluidstack fechou acordos bilionários com mineradoras de bitcoin em dificuldades financeiras, como TeraWulf, Cipher Mining e Hut 8, para garantir fornecimento de energia pela próxima década, com o Google atuando como garantidor bilionário dessas operações. Isso mostra que a disputa por capacidade energética se tornou tão relevante quanto a disputa por chips na corrida da inteligência artificial.

A empresa já projeta números ainda maiores: segundo descrições de vagas divulgadas pela própria Fluidstack, a meta é garantir 50 gigawatts de capacidade energética até 2030, um volume comparado, em anúncios internos, ao tamanho de uma infraestrutura nacional do G7. Para gestores de negócios que dependem de serviços de nuvem ou de tecnologia baseada em IA, acompanhar esse tipo de movimento ajuda a entender para onde está indo o investimento pesado do setor e quais players podem se tornar fornecedores relevantes nos próximos anos.

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