Flávio Bolsonaro vai para os EUA após ordem de entregar passaportes
27/10/2026 15:464 min de leituraAtualizado há 2 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você já deve ter visto a notícia circulando: o senador Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos. A informação foi confirmada à Reuters por um aliado próximo do parlamentar e por uma fonte do governo americano nesta terça-feira. O episódio chama atenção porque aconteceu menos de 24 horas depois de Flávio garantir publicamente que jamais pensou em deixar o país, e também poucos dias após a derrota eleitoral de seu lado no domingo, quando Luiz Inácio Lula da Silva venceu o pleito presidencial.
Embora a matéria não trate diretamente de temas contábeis ou tributários, ela envolve uma figura pública relevante e desdobramentos jurídicos que merecem contexto para quem acompanha o noticiário político e suas repercussões institucionais.
O que aconteceu
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia determinado que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes, incluindo o diplomático, nesta terça-feira pela manhã. O senador não cumpriu a ordem, e a Polícia Federal cancelou todos os seus passaportes em resposta ao descumprimento. Apesar disso, ele teria conseguido viajar para os Estados Unidos, ainda sem confirmação oficial sobre o destino exato, o horário de chegada ou se haveria um pedido de asilo.
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil não respondeu de imediato aos pedidos de comentário sobre o caso. Também não foi possível confirmar com quem Flávio viajou, mas apurou-se que as duas filhas do senador não foram à escola em Brasília nesta terça-feira, o que reforça a hipótese de uma saída planejada em família.
O contexto da investigação
A ordem de entrega dos passaportes está ligada a um inquérito em que Flávio é investigado por lavagem de dinheiro, ao lado do advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Ambos negam qualquer irregularidade. A decisão do ministro Moraes veio depois que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, sugeriu em transmissão nas redes sociais que o senador deveria deixar o país caso a eleição presidencial fosse perdida.
Um dia antes de embarcar, Flávio havia publicado um vídeo em suas redes sociais afirmando que nunca pensou em sair do Brasil e que entregaria os passaportes para se defender do que chamou de tentativa de intimidação. Disse ainda que pretendia organizar a oposição ao governo Lula. A viagem, no entanto, contraria o que foi dito publicamente horas antes.
O que Flávio disse
- Nunca pensou em deixar o país
- Entregaria os passaportes
- Buscaria anular o resultado da eleição
- Depois, falou em pedir cassação da chapa de Lula no TSE
O que de fato ocorreu
- Descumpriu a ordem de entrega dos passaportes
- Passaportes foram cancelados pela Polícia Federal
- Viajou aos EUA, segundo aliado e fonte do governo americano
- PL, seu partido, reconheceu a vitória de Lula
Vale lembrar que Flávio ainda não reconheceu oficialmente a derrota eleitoral de domingo. No dia da votação, chegou a dizer que buscaria a anulação do resultado, alegando irregularidades relacionadas à prorrogação do prazo de votação. Depois, afirmou que pediria ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação da chapa vencedora. Apesar disso, o PL, partido do senador, declarou na segunda-feira que reconhecia a vitória de Lula, o que mostra uma divergência entre a posição pessoal de Flávio e a posição oficial de sua legenda.
Um caso que lembra o passado recente
A movimentação de Flávio repete, em linhas gerais, o que já havia feito seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos após se recusar a reconhecer a derrota para Lula na eleição de 2022. Na ocasião, Jair Bolsonaro acabou retornando ao Brasil, mas posteriormente foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O governo americano, sob Donald Trump, já havia alegado anteriormente que o ex-presidente foi vítima de perseguição judicial no Brasil, o que dá um pano de fundo político internacional a esse tipo de episódio.
Para você que acompanha o cenário institucional e seus reflexos na economia e nos negócios, episódios como este reforçam a importância de observar com atenção os desdobramentos jurídicos e políticos de figuras públicas relevantes. Decisões judiciais, investigações em andamento e a forma como autoridades lidam com descumprimentos de ordens podem gerar instabilidade e repercussão que, direta ou indiretamente, afetam o ambiente de negócios e a percepção de segurança jurídica no país. A GL Inteligência Contábil continuará acompanhando os fatos e trazendo atualizações relevantes sobre o tema.
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