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FIDCs crescem e viram opção de crédito: veja riscos de fraude e inadimplência

20/07/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 44 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, mais conhecidos como FIDCs, deixaram de ser um produto financeiro de nicho e passaram a movimentar somas relevantes na economia brasileira. Segundo dados da Anbima, a classe captou R$ 30,6 bilhões líquidos no primeiro semestre de 2026, dentro de uma indústria de fundos que somou R$ 184,7 bilhões no período. Na prática, um FIDC compra os direitos que uma empresa tem a receber, como duplicatas, parcelas de vendas a prazo, contratos e mensalidades, e antecipa esse valor com desconto. Isso significa capital de giro imediato para quem vende a prazo, enquanto o fundo assume o direito de cobrar essas dívidas nas datas combinadas.

Para você que administra um negócio e sente na pele a seletividade e o custo do crédito bancário tradicional, esse movimento importa porque abre uma alternativa concreta de financiamento, especialmente se sua empresa tem uma carteira de recebíveis organizada e recorrente. O crescimento dos FIDCs também é acompanhado por um alerta: quanto mais dinheiro entra nesse mercado, mais peso ganha a qualidade da análise de crédito e a checagem de que os recebíveis vendidos realmente existem.

Por que os FIDCs cresceram tanto

Especialistas ouvidos apontam um motivo comum: as empresas passaram a buscar alternativas ao crédito bancário, que ficou mais seletivo e caro, enquanto o mercado de capitais ofereceu estruturas mais rápidas e flexíveis para transformar recebíveis em caixa. Executivos do setor descrevem esse fenômeno como uma espécie de desbancarização do crédito, em que companhias deixam de depender exclusivamente das linhas tradicionais dos bancos.

Os números confirmam a força do movimento. Entre janeiro e maio, as ofertas de FIDCs somaram R$ 41,7 bilhões, um avanço de 36,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em quantidade de operações, os FIDCs lideraram o mercado, com 406 emissões contra 237 de debêntures, ainda que estas últimas movimentem volumes financeiros maiores por operação. O patrimônio líquido da classe chegou a R$ 852,7 bilhões em junho.

IndicadorDez/2024Nov/2025
Classes de FIDCs3 mil3,8 mil
Gestoras atuando com FIDCs372426
Contas de investidores147,3 mil333,7 mil

Quem pode usar essa estrutura

Um ponto importante para o empresário é que o acesso a um FIDC não depende do tamanho do balanço da empresa, mas da qualidade e da previsibilidade da carteira de recebíveis, além da transparência dos dados e da governança operacional. Empresas de indústria, agronegócio, varejo, saúde, educação, logística, energia e tecnologia já recorrem a esse tipo de estrutura, assim como fintechs que precisam financiar suas próprias carteiras de crédito.

Empresas de médio porte, que muitas vezes não têm escala para estruturar um fundo próprio, conseguem acessar o mercado por meio de estruturas multicedentes, nas quais um mesmo FIDC compra recebíveis de várias companhias diferentes. Esse formato ajuda a diluir custos e viabiliza operações que, isoladamente, não fariam sentido financeiro. Ainda assim, um estudo do Itaú BBA em parceria com a FGV mostra que o relacionamento bancário continua tendo peso relevante para o desempenho de médias empresas, inclusive facilitando o próprio acesso à emissão de dívida no mercado de capitais, o que sugere que banco e FIDC funcionam mais como complementos do que como concorrentes diretos.

Os riscos que pedem atenção redobrada

O crescimento acelerado da classe traz consigo um risco que preocupa gestores e especialistas: a possibilidade de o recebível vendido ao fundo não corresponder a uma operação real. Uma nota fiscal pode ser cancelada depois de apresentada, o mesmo crédito pode ser oferecido mais de uma vez, ou a venda que originou o documento simplesmente não ter acontecido. Esse tipo de fraude, chamado de problema de lastro, já apareceu em casos concretos de mercado, com carteiras fabricadas sem respaldo real.

Para reduzir esse risco, o processo de verificação envolve o cruzamento de notas fiscais eletrônicas, comprovantes de entrega, contratos e movimentações

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.