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Expointer 2025: por que o produtor gaúcho ainda está endividado, mas mais confiante

03/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 20 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você trabalha com o agronegócio no Rio Grande do Sul, ou vende produtos e serviços para esse público, vale prestar atenção no que está acontecendo na Expointer 2025. A feira, que é o principal termômetro do setor no Estado, mostra um cenário misto: o produtor está mais presente, mais interessado em novidades e mais disposto a planejar investimentos, mas ainda carrega um problema sério de endividamento que trava decisões de compra, principalmente de máquinas agrícolas.

O que está travando o crédito

O principal obstáculo é financeiro. Segundo o secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Márcio de Andrade Madalena, o Estado ainda sofre os efeitos de estiagens sucessivas e das enchentes de 2024, o que deixou muitos produtores endividados e sem a renegociação de dívidas que se esperava. Isso tem consequência direta na capacidade de tomar crédito e investir, mesmo quando existe vontade de comprar equipamentos ou expandir a produção.

Os números do Banco Central ajudam a entender a dimensão do problema: em junho, o Rio Grande do Sul tinha R$ 42,8 bilhões em crédito problemático, o que representa 39,3% de toda a carteira de crédito do Estado. Um ano antes, esse percentual era de 33,8%. Ou seja, a situação de inadimplência piorou, mesmo com a produção agropecuária em recuperação.

Faturamento da Expointer nos últimos anos
R$ 8,1 bilhõesrecorde em 2024maior volume de negócios já registrado na feira.
R$ 4,42 bilhõesresultado em 2025queda que reflete as enchentes e o endividamento do produtor.
39,3%crédito problemático no RSfatia da carteira de crédito do Estado considerada em dificuldade, em junho.

Quem sente mais o impacto

O segmento mais afetado é o de máquinas agrícolas, que historicamente é o que mais movimenta dinheiro na feira. Fabricantes como CNH (dona das marcas Case e New Holland) e Massey Ferguson já trabalham com a expectativa de vendas menores em 2026, principalmente de colheitadeiras, com uma recuperação mais consistente só prevista para 2027, dependendo de como o crédito e a renovação de frotas evoluírem.

Por outro lado, nem tudo está parado. A agricultura familiar bateu recorde de participação na feira, com mais de 500 expositores pela primeira vez. A pecuária também vai bem: são 7.926 animais inscritos, o maior número desde 2012, com procura crescente por genética bovina. Isso mostra que, mesmo com o aperto financeiro, alguns nichos do agro gaúcho seguem em expansão e podem ser boas apostas para quem fornece produtos ou serviços a esses segmentos.

Para onde o setor está olhando

Uma das apostas do governo estadual para os próximos anos é a agroenergia. A ideia é que o Rio Grande do Sul passe a produzir mais biodiesel, etanol, combustível sustentável de aviação e grãos para esmagamento, o que deve aumentar o uso de áreas plantadas no inverno, especialmente com canola. Para quem já atua no campo, isso pode significar novas oportunidades de negócio, já que o produtor passaria a gerar valor antes mesmo de exportar a matéria-prima.

Outra frente é a pecuária de maior valor agregado. O governo quer ampliar o rebanho, implantar rastreabilidade individual dos animais e direcionar a carne gaúcha para mercados que pagam mais, como Japão e Coreia do Sul. Os números de exportação já mostram avanço: em 2025, o Rio Grande do Sul exportou 94,5 mil toneladas de carne bovina por US$ 451,8 milhões, alta de 48% em volume e 69,4% em valor na comparação com 2024. Até julho deste ano, já foram 50,3 mil toneladas exportadas por US$ 270,3 milhões.

Na prática, o recado para quem faz negócio com o agro gaúcho é de cautela com otimismo moderado. O produtor não parou de investir, mas está mais seletivo, priorizando tecnologias que realmente reduzam custo e aumentem produtividade. Se você depende desse mercado, vale acompanhar de perto a evolução do crédito rural e da renegociação de dívidas, já que são esses dois fatores que vão determinar a velocidade da retomada nos próximos ciclos agrícolas.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.