Estrela Michelin em 2 anos: o que a gestão financeira desse restaurante ensina
31/07/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 34 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Um restaurante de cozinha coreana chamado HAN, em Buenos Aires, acaba de entrar para o seleto grupo de casas com estrela Michelin. O reconhecimento veio na edição 2026 do guia e faz do HAN o único endereço da capital argentina a estrear com uma estrela nesta rodada. Por trás da conquista está a trajetória do chef Pablo Park, que decidiu apostar em um formato de alta gastronomia para uma culinária historicamente associada a pratos fartos e informais.
Mais do que uma história sobre gastronomia, o caso do HAN traz um retrato bastante prático de como se constrói um negócio de nicho em um mercado difícil. Park levou mais de uma década amadurecendo a ideia antes de tirá-la do papel, enfrentou atrasos na obra por burocracia, precisou investir cerca de US$ 600 mil em uma estrutura pensada do zero e só depois de dois anos de operação viu o reconhecimento aparecer. É um roteiro que qualquer empresário brasileiro reconhece: planejamento de longo prazo, paciência com o retorno e ajuste constante de expectativas.
Um negócio pensado para durar, não para o resultado imediato
Antes do HAN, Park já operava o Kyopo, um restaurante mais casual e também com influências coreanas. Ele foi claro ao afirmar que essa experiência não foi um erro nem um projeto improvisado, e sim parte do processo de aprendizado que sustentou a decisão de abrir uma casa de fine dining. Para quem empreende, a mensagem é direta: negócios mais simples, ou até paralelos, podem servir de base de aprendizado e de caixa para um projeto maior no futuro, desde que sejam tratados com seriedade.
O investimento no HAN veio majoritariamente de capital próprio, somado a sócios que compartilhavam a mesma visão de negócio, sem aporte de fundos externos e sem pressa por uma expansão acelerada. Segundo Park, o retorno em um mercado como o argentino não acontece rapidamente, e o empreendedor precisou reajustar prazos que, no início, eram mais otimistas do que a realidade permitiu. É um ponto que vale para qualquer setor: projeções de retorno costumam ser mais otimistas na hora de planejar do que na hora de executar, e ajustar essas expectativas com base em dados reais é parte essencial da gestão financeira de um negócio.
Custos, câmbio e o peso da carga tributária
Entre os desafios citados por Park está a estrutura de custos em um ambiente de forte volatilidade econômica e carga tributária elevada, o que, segundo ele, exige uma gestão financeira rigorosa e flexível. Essa realidade tem muita semelhança com o dia a dia de empresas brasileiras que também operam sob câmbio instável, reajustes de preços frequentes e uma carga tributária que pesa no fluxo de caixa. A diferença entre sobreviver e prosperar nesses cenários costuma estar exatamente no controle fino dos números, no acompanhamento de indicadores e na capacidade de adaptar o planejamento financeiro conforme o cenário muda.
Outro ponto de atenção estratégica no relato de Park é a dependência do turismo internacional para sustentar um restaurante desse padrão, já que o público local disposto a pagar por um projeto de nicho é menor do que em outras grandes capitais gastronômicas. Isso mostra a importância de dimensionar corretamente o público-alvo e a demanda real antes de estruturar um negócio de alto investimento, algo que vale tanto para um restaurante quanto para qualquer empresa que dependa de um nicho específico de clientes.
O que fica de lição para quem empreende
O caso do HAN reforça uma ideia simples, mas que muitos empresários subestimam: ter uma boa ideia não é suficiente. Park destacou que não basta ter uma proposta forte no produto, é preciso saber administrar o negócio, definir metas e manter o padrão de qualidade todos os dias, mesmo em um cenário econômico desafiador. Para um empresário brasileiro, a lição prática é clara: investir em planejamento financeiro, acompanhar de perto os custos, ter clareza sobre o retorno esperado do capital investido e contar com sócios ou parceiros alinhados com a visão do negócio são fatores que fazem diferença entre um projeto que só sonha alto e outro que efetivamente se sustenta ao longo do tempo.
Independentemente do setor, a história do HAN mostra que reconhecimento e resultado consistente vêm de anos de trabalho estruturado, não de um golpe de sorte. Se você está pensando em um projeto ambicioso para o seu negócio, vale usar esse caso como referência: mapeie os custos reais, tenha paciência com o retorno, ajuste as expectativas conforme os números aparecem e mantenha a régua de qualidade alta todos os dias. É esse tipo de gestão, mais do que a inspiração inicial, que sustenta um negócio de longo prazo.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
