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Escassez de chips de memória deve durar até 2028, diz Samsung

30/07/2026 19:113 min de leituraAtualizado há 34 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A Samsung Electronics divulgou um salto de mais de 250 vezes no lucro operacional da sua divisão de chips e sinalizou algo que interessa diretamente a qualquer empresa que dependa de tecnologia: a escassez global de chips de memória deve piorar e se prolongar até 2028. Para se proteger desse cenário, a companhia sul-coreana já assinou contratos de fornecimento plurianuais com as cinco maiores operadoras mundiais de data centers e está perto de fechar acordos com outras cinco grandes empresas do setor.

Na prática, isso significa que componentes essenciais para servidores, computadores, smartphones e equipamentos de inteligência artificial devem continuar caros e escassos por mais tempo do que muitos previam. Para negócios que compram ou revendem eletrônicos, contratam infraestrutura em nuvem ou dependem de hardware importado, o recado é claro: preços pressionados e prazos de entrega mais longos tendem a persistir nos próximos anos.

O que muda com os novos contratos

A Samsung quer garantir contratos que cubram cerca de dois terços de sua produção de memória no longo prazo, seguindo uma estratégia também adotada por concorrentes para reduzir a exposição aos ciclos de alta e baixa do setor. Esses acordos têm duração mínima de cinco anos e costumam incluir pagamentos antecipados e preços mínimos garantidos, uma forma de a empresa proteger seus investimentos em capacidade produtiva.

Para o mercado corporativo, esse movimento tende a se traduzir em menos oscilação brusca de preços para grandes compradores que também fecham contratos de longo prazo, mas pode significar acesso mais restrito e condições menos favoráveis para quem compra no mercado spot ou em pequenas quantidades. Empresas menores que dependem de fornecedores de tecnologia devem sentir esse efeito de forma indireta, via aumento de custos de equipamentos e serviços digitais.

Um resultado de dois lados

O desempenho da divisão de chips foi extraordinário: lucro operacional de 89,2 trilhões de wones no segundo trimestre, com margem operacional recorde de 70%. Mas o mesmo aumento de preços dos chips que turbinou esse resultado prejudicou a divisão de dispositivos móveis da Samsung, que registrou pela primeira vez prejuízo, de 700 bilhões de wones. Ou seja, a própria Samsung está mais exposta do que nunca à volatilidade dos preços de memória, já que ela é ao mesmo tempo grande fornecedora e grande consumidora desses componentes.

Esse detalhe importa para gestores porque mostra que o impacto da escassez de chips não afeta só quem compra no varejo: ele reverbera em toda a cadeia produtiva, inclusive dentro das próprias fabricantes, e deve continuar pressionando o custo final de celulares, notebooks e outros equipamentos eletrônicos usados no dia a dia das empresas.

Apesar dos números recordes, o mercado reagiu com cautela: as ações da Samsung fecharam em queda de 0,7% após terem subido até 8,4% durante o pregão, e a concorrente SK Hynix recuou 5,6%. Analistas apontam que investidores questionam por quanto tempo essas margens elevadas serão sustentáveis, especialmente diante do aumento dos gastos das grandes empresas de tecnologia com infraestrutura de inteligência artificial.

Como isso pode afetar seu planejamento

A Samsung informou ainda que a receita com chips HBM4, usados em processadores de inteligência artificial, deve mais que triplicar no terceiro trimestre, e que o negócio de fundição de chips deve se recuperar em breve. A empresa também confirmou que está no cronograma para iniciar operações em sua fábrica no Texas ainda este ano, com uma segunda planta prevista para começar produção em massa em 2030, movimentos que devem ampliar a oferta global no médio prazo, mas sem aliviar a pressão de curto e médio prazo sobre preços.

Para empresários e gestores que planejam investimentos em tecnologia, o cenário reforça a necessidade de antecipar compras de equipamentos, negociar contratos mais longos com fornecedores sempre que possível e incluir no planejamento financeiro uma margem para reajustes de custos ligados a hardware. Se a previsão da Samsung se confirmar, a escassez de chips deixa de ser um problema passageiro e passa a ser uma variável estrutural para o planejamento orçamentário de qualquer negócio que dependa de tecnologia nos próximos anos.

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