Energia renovável: o que esperar do setor com novo mandato de Lula
27/10/2026 17:003 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O setor brasileiro de energias renováveis, que vive um momento de dificuldades, aposta na continuidade do governo Lula para destravar investimentos represados e voltar a crescer a partir de 2027. Representantes de empresas do setor afirmam que medidas estudadas nos últimos quatro anos precisam agora sair do papel, e isso vale tanto para quem já atua com energia limpa quanto para empresários de outros setores que dependem de eletricidade para operar.
Se você tem uma empresa que consome muita energia, como indústrias, data centers ou negócios de grande porte, esse movimento importa diretamente. A expectativa é que o país direcione investimentos para resolver dois problemas centrais: o desperdício de energia limpa por limitações da rede elétrica e a falta de demanda forte o suficiente para justificar novos projetos de geração.
O que muda
Segundo executivos do setor, o governo passou os últimos anos diagnosticando problemas e fazendo planos, mas sem tempo hábil para colocá-los em prática. Com a reeleição, a avaliação é de que chegou o momento de implementar essas soluções, especialmente as que miram a criação de uma "nova indústria brasileira" ligada às renováveis.
Um dos sinais de confiança já apareceu: associações do setor eólico comemoram novos investimentos anunciados ao longo deste ano por geradoras de energia, que já têm reflexo na produção industrial. A expectativa é que isso se transforme em mais energia eólica disponível a partir de meados de 2027, com crescimento mais forte a partir de 2028 e um salto ainda maior projetado para 2030.
Quem é afetado
O setor aposta nos data centers e na indústria chamada "verde" como grandes motores de demanda por energia renovável nos próximos anos. Isso é relevante para empresas de tecnologia, provedores de nuvem e negócios industriais que buscam energia limpa e com preço competitivo para expandir operações no Brasil.
Mas há um obstáculo prático de planejamento: a maior parte da geração de energia renovável está concentrada no Nordeste e no Norte do país, enquanto grande parte dos projetos de data centers tende a se instalar no Sudeste, perto de São Paulo. Executivos do setor apontam que o Brasil precisa melhorar o planejamento da rede elétrica para conseguir levar essa energia limpa até onde a demanda está crescendo.
Outro ponto sensível para quem já investe ou pensa em investir em energia renovável no Brasil é o chamado "curtailment", o corte de geração que acontece quando a rede elétrica não suporta toda a energia produzida. Esse problema já causou prejuízos bilionários a geradores e levou várias empresas a suspender novos investimentos no país, condicionando a retomada a uma solução mais clara para a questão.
O Brasil já criou mecanismos de ressarcimento retroativo para parte desses cortes, mas ainda existem incertezas sobre as regras, e as empresas do setor querem rediscutir como essas restrições são classificadas, principalmente quando estão ligadas ao excesso de energia disponível no sistema. Para quem avalia investir ou expandir operações ligadas a energia renovável, entender esse cenário regulatório é essencial antes de assumir compromissos de longo prazo.
Como se preparar
Para empresários que dependem de energia elétrica de forma intensiva, o recado prático é: fique de olho na evolução dessas regras sobre cortes de geração e na expansão da rede elétrica, especialmente se seu negócio está em regiões como o Sudeste, que concentra demanda mas não geração. Também vale acompanhar o avanço de projetos de infraestrutura energética que podem abrir espaço para contratos de energia renovável mais vantajosos nos próximos anos.
Já para quem atua diretamente no setor de energia ou pensa em investir nele, o momento pede cautela, mas também atenção às sinalizações de continuidade de política energética. A avaliação de executivos é que a manutenção do governo tende a favorecer avanços regulatórios já em discussão com órgãos do setor elétrico e o Congresso, o que pode destravar decisões de investimento que hoje estão travadas por insegurança jurídica.
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