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Empresa pode investir em criptomoeda? O que considerar antes de decidir

30/10/2026 09:404 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Até pouco tempo atrás, a gestão de caixa de uma empresa era simples: dinheiro na conta bancária e o excedente aplicado em investimentos de curto prazo. Esse modelo ainda é a regra para a grande maioria dos negócios, mas em alguns setores já existe um debate sobre destinar uma pequena parte dos recursos da empresa para ativos digitais, como criptomoedas. Se você administra um negócio com operações internacionais ou parceiros que trabalham com esse tipo de ativo, vale entender do que se trata essa discussão antes de tomar qualquer decisão.

Por que o tema está em pauta

Toda gestão de caixa busca três coisas: segurança, liquidez (facilidade de transformar o ativo em dinheiro) e retorno. Em um cenário de inflação e rendimentos baixos, algumas empresas passaram a olhar para alternativas fora do tradicional. Um dos exemplos citados é o Ethereum, uma criptomoeda que, além de potencial de valorização, permite pagamentos, ativos digitais vinculados a contratos e automação de acordos comerciais. Por isso, o interesse aparece com mais força em empresas que já têm relações comerciais com parceiros em outros países.

É importante deixar claro: isso não significa que sua empresa precise fazer o mesmo. Trata-se de uma tendência observada em parte do mercado corporativo, não de uma recomendação geral. Cada negócio tem uma realidade diferente, e o que funciona para uma multinacional de tecnologia pode não fazer sentido para uma empresa de médio porte no Brasil.

Vantagens e riscos lado a lado

Quem defende manter ativos digitais no caixa da empresa costuma citar pontos como diversificação, negociação que não para em fins de semana ou feriados, transferências mais rápidas (que podem ser concluídas em minutos em vez de dias) e menos burocracia em pagamentos internacionais. Mas cada um desses pontos positivos vem acompanhado de um contraponto que precisa ser levado em conta antes de qualquer decisão.

Pontos citados como vantagem

  • Diversificação em relação a dinheiro e títulos tradicionais
  • Mercado funciona 24 horas, inclusive fins de semana
  • Transferências liquidadas em minutos, não em dias
  • Menos etapas bancárias em pagamentos a fornecedores no exterior

Riscos que acompanham cada ponto

  • Diversificar não significa reduzir risco automaticamente
  • Preços podem variar muito dentro de um único dia
  • Erros de custódia podem gerar perdas permanentes
  • Regras de contabilidade e tributação mudam conforme o país

A volatilidade é o risco mais evidente: o valor de ativos digitais pode oscilar fortemente em curtos períodos, o que afeta diretamente o resultado financeiro da empresa em um determinado trimestre. Além disso, as normas contábeis para registrar esse tipo de ativo variam de acordo com a região e podem mudar com o tempo, o que exige atenção redobrada na hora de lançar essas operações no balanço.

Outro ponto sensível é a segurança. Diferente de uma conta bancária tradicional, ativos digitais dependem de chaves de acesso: se essas chaves forem perdidas ou mal administradas, o prejuízo pode ser definitivo, sem possibilidade de recuperação. Por isso, empresas que avançam nesse tipo de operação costumam dividir responsabilidades entre diferentes pessoas, para que ninguém tenha sozinho o controle total sobre os ativos.

Como as empresas organizam esse processo

Antes de qualquer movimento, uma empresa precisa resolver três questões práticas: onde guardar esses ativos com segurança, como registrar essas operações nos relatórios financeiros e quem tem autorização para aprovar movimentações. Algumas empresas optam por negociar em plataformas regulamentadas, outras preferem contratar empresas especializadas em custódia, e muitas dividem essas tarefas entre diferentes funcionários justamente para reduzir o risco de fraude ou erro.

Para quem considera esse caminho, o movimento mais comum entre empresas que já avançaram é começar de forma bem limitada: testar uma alocação pequena, documentar cada etapa do processo e avaliar os resultados com calma antes de ampliar a exposição. Essa cautela é especialmente importante para negócios brasileiros, que precisam conciliar qualquer decisão desse tipo com as regras tributárias e contábeis vigentes no país.

Se a sua empresa estiver avaliando esse tipo de operação, o recomendado é conversar antes com seu contador e com um especialista jurídico, para entender os impactos tributários, contábeis e de compliance antes de qualquer movimentação. Esse é um tema ainda em construção, inclusive do ponto de vista regulatório, e decisões precipitadas podem gerar dores de cabeça maiores do que o benefício esperado.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.