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Smart Fit e Bold: as lições de Edgard Corona e Gabriel Ferreira para negócios duradouros

01/11/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Como construir um negócio que não apenas sobreviva a crises, mas continue crescendo e relevante por décadas? Essa pergunta guiou um dos painéis mais comentados do Forbes Brasil Under 30 Summit, realizado pela primeira vez em São Paulo. No palco, dois empresários que conhecem bem os altos e baixos de empreender no Brasil: Edgard Corona, fundador da Smart Fit, e Gabriel Ferreira, fundador da Bold. Se você comanda um negócio, pequeno ou grande, as lições que eles trouxeram sobre gestão, expansão e paciência financeira valem como guia prático.

Começos difíceis, decisões que mudaram o jogo

A Bold, hoje conhecida por suas barras de proteína, quase não existiu. Lançada em 2018 para o público de CrossFit, a marca começou vendendo produtos genéricos, como whey protein e creatina, sem nada que a diferenciasse da concorrência. O resultado foi quase fatal: sobravam apenas R$ 20 mil em caixa quando Gabriel Ferreira decidiu mudar de rota. A virada veio ao observar, fora do Brasil, o potencial de barras de proteína com alto teor proteico e sem açúcar. Essa mudança de produto transformou o negócio, que recentemente foi adquirido pelo Grupo Ferrero.

Edgard Corona também passou por tropeços antes de consolidar a Smart Fit, com negócios anteriores nos setores de confecção e sucroalcooleiro, além de outras tentativas no ramo de academias. Para ele, o segredo não está em complicar, mas em simplificar. Corona defende buscar alta intensidade de resultado com baixa dificuldade de execução: quanto mais simples o processo, mais fácil é escalar o negócio para um público maior. Ele também destacou a humildade como prática de gestão no dia a dia, lembrando que vale a pena perguntar mais do que tentar explicar, porque sempre há algo a aprender com quem está no campo.

Por que pensar a longo prazo evita decisões ruins

Depois de vender a Bold para uma multinacional, Gabriel Ferreira passou a lidar com uma estrutura corporativa mais complexa, diferente da época em que liderava sozinho a empresa. Segundo ele, essa mudança exigiu se tornar um bom "vendedor de ideias" dentro do ambiente executivo. Com mais pessoas envolvidas nas decisões, o risco de errar por excesso de convicção isolada diminui, mesmo que o processo fique mais lento.

Já para Edgard Corona, que hoje comanda uma rede presente em 17 países, com 65% da receita vindo de fora do Brasil, o maior desafio é não deixar que oscilações de curto prazo do mercado financeiro guiem as decisões da empresa. Ele foi direto: trabalhar pensando apenas no resultado do trimestre destrói o longo prazo e coloca em risco a continuidade do negócio. Por isso, afirma que não corta investimentos em manutenção das unidades só para melhorar um resultado pontual, priorizando sempre o cliente e a sustentabilidade da marca no tempo.

Essa mentalidade também moldou a internacionalização da Smart Fit, iniciada em 2012. Para se proteger das instabilidades econômicas e políticas do Brasil, Corona aposta em uma combinação de caixa robusto, dívidas de longo prazo e diversificação geográfica, estratégia que ajuda a empresa a atravessar momentos de turbulência sem comprometer sua operação.

Números que marcam as trajetórias
R$ 20 milcaixa restante da Boldno momento em que a empresa quase quebrou, antes da virada com as barras de proteína.
17 paísespresença da Smart Fitrede opera de forma internacional, reduzindo a dependência do mercado brasileiro.
65%receita vinda do exteriorparcela do faturamento da Smart Fit que não depende diretamente do Brasil.

Prosperidade, não apenas sobrevivência

Diante do chamado custo Brasil e da rotina desgastante de empreender, os dois fundadores rejeitaram a lógica de administrar uma empresa apenas cortando despesas. Para Edgard Corona, a própria palavra sobrevivência é problemática, porque sugere cortar até matar o negócio. O foco, segundo ele, deve ser a prosperidade: entregar algo que realmente faça diferença na vida das pessoas. Corona também apontou o excesso de burocracia e de normas como um dos principais obstáculos à inovação no país.

Gabriel Ferreira reforçou essa ideia ao falar sobre o que o motiva a continuar empreendendo: ver as pessoas crescerem dentro da empresa e saber que o produto entregue é algo que os clientes realmente valorizam. Ele reconhece que empreender no Brasil sempre trará dificuldades e mudanças de regras, mas defende que o papel do empresário é manter o foco em construir algo sólido, capaz de durar décadas.

Para você que gerencia um negócio, a mensagem prática desses dois empresários é clara: simplifique processos para crescer com consistência, resista à tentação de decisões movidas apenas pelo resultado imediato e mantenha o foco em entregar valor real ao cliente. Nenhuma fórmula elimina as dificuldades do ambiente brasileiro, mas disciplina financeira, simplicidade operacional e propósito claro aparecem como pilares comuns entre quem conseguiu transformar negócios frágeis em marcas duradouras.

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