Iate de R$ 90 milhões é exposto em SP sem sair do estaleiro: entenda
28/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um megaiate de quase 30 metros e R$ 90 milhões não cabe, literalmente, dentro de um pavilhão de feira. Foi por isso que a fabricante italiana Azimut, com fábrica própria em Itajaí, encontrou uma solução criativa para apresentar seu novo modelo, o Grande 30 Metri, no São Paulo Boat Show: em vez de levar o barco inteiro, que ainda está em construção, a empresa construiu uma réplica em tamanho real de uma das áreas mais importantes da embarcação. Para você que empreende ou lidera um negócio, o caso é um bom exemplo de como investir em experiência e apresentação pode compensar limitações práticas, além de sinalizar o momento de expansão do setor náutico no Brasil.
O que foi apresentado na feira
A estrutura exibida em São Paulo reproduz o "flybridge", o convés superior do megaiate, com seis metros de altura, 7,5 toneladas e 105 m² de área, tamanho comparável ao de muitos apartamentos. Do total, cerca de 35 m² poderão ser fechados e climatizados na versão final do barco. A réplica foi projetada por um estúdio finlandês e construída em compensado pela própria equipe da fábrica brasileira da Azimut, permitindo que visitantes caminhassem pelo espaço como se estivessem a bordo.
Essa estratégia não é apenas estética. Para um produto voltado a um público extremamente restrito, como é o caso de megaiates, a possibilidade de caminhar fisicamente pelo ambiente antes da entrega ajuda tanto a engenharia quanto os compradores a validarem decisões sobre distribuição de espaços, circulação e conforto. Duas unidades do Grande 30 Metri já foram reservadas por clientes brasileiros, o que reforça a lógica de personalização por trás do investimento na réplica.
Por que isso importa para o mercado
O caso ilustra um movimento maior: o crescimento da produção de embarcações de grande porte no Brasil. O Grande 30 Metri é fabricado em Itajaí, na única unidade da Azimut fora da Itália, dentro de um ciclo de R$ 120 milhões em investimentos previstos até 2028. O plano inclui ampliar a fábrica para 65 mil m² e aumentar o quadro de funcionários de cerca de 650 para 800 pessoas. Quando concluído, o barco será o maior já produzido em série pela marca no país.
O momento do setor também aparece nos números do próprio evento. O São Paulo Boat Show reuniu mais de 160 embarcações e mais de 30 lançamentos, com expectativa de movimentar cerca de R$ 550 milhões em seis dias, um crescimento estimado de 10% sobre os R$ 500 milhões do ano anterior. Em 2025, a feira já havia registrado alta de 7,14% no volume de embarcações negociadas na comparação com a edição passada. Para empresários de setores ligados a turismo, lazer e bens de alto valor, esses indicadores mostram um mercado de luxo em expansão, mesmo em um cenário econômico mais cauteloso.
O que fica de lição para outros negócios
Mais do que uma curiosidade sobre iates, o episódio traz um aprendizado válido para qualquer empresário que lida com produtos grandes, caros ou difíceis de demonstrar: quando não é possível mostrar o produto final, mostrar uma parte dele em escala real pode ser mais eficaz do que catálogos, vídeos ou imagens digitais. A frase usada por um dos responsáveis do projeto resume bem o raciocínio, ao afirmar que desenhos e imagens nem sempre transmitem a dimensão real dos espaços. Empresas de outros setores, como construção civil, arquitetura e equipamentos industriais, podem se inspirar nesse tipo de solução para aproximar clientes de decisões complexas antes da entrega final.
Se você atua em um segmento onde o produto é sob encomenda, tem alto valor agregado ou depende de personalização, vale considerar investimentos semelhantes em experiências físicas, mesmo que parciais, para reduzir a distância entre expectativa e entrega. O caso da Azimut mostra que, mesmo diante de restrições logísticas evidentes, existe espaço para criatividade sem abrir mão de transmitir qualidade e escala ao cliente final.
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