El Niño extremo: risco de fome global e alta de preços de alimentos no Brasil
05/08/2026 16:023 min de leituraAtualizado há 28 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Um relatório do Programa Mundial de Alimentos da ONU acendeu um alerta que vai muito além da discussão climática: o mundo tem 81% de chance de enfrentar um El Niño extremamente forte, possivelmente o mais intenso desde 1950. O fenômeno, que aquece as águas do Pacífico e desorganiza padrões de chuva em várias partes do globo, pode levar quase 49 milhões de pessoas a mais à insegurança alimentar aguda até o fim do próximo ano, totalizando 274 milhões de pessoas afetadas, um salto de 22% em relação ao patamar já preocupante de hoje.
Para você que administra uma empresa no Brasil, esse tipo de notícia pode parecer distante, mas tem efeito direto no seu bolso. Eventos climáticos dessa magnitude mexem com safras, com o custo de insumos agrícolas e com o preço de alimentos em todo o mundo, e o Brasil, como grande produtor e exportador de commodities, sente esse movimento tanto na ponta da oferta quanto na da demanda.
O que a ONU está alertando
O levantamento do PMA analisou 45 países considerados vulneráveis aos efeitos do El Niño e projetou impactos desiguais entre regiões. A América Central deve ser a mais castigada, com aumento de 83% no número de pessoas em insegurança alimentar, seguida de perto pela África Austral, com alta de quase 75%. América do Sul, Caribe e África Austral devem registrar, cada uma, mais de 12 milhões de pessoas adicionais nessa situação.
| Região ou indicador | Impacto estimado |
|---|---|
| Total global de pessoas em insegurança alimentar aguda | 274 milhões (alta de 22%) |
| América Central | alta de 83% |
| África Austral | alta de quase 75% |
| América do Sul e Caribe | mais de 12 milhões de pessoas adicionais cada |
| Chance de El Niño muito forte | 81% |
Segundo o diretor de Análise de Segurança Alimentar do PMA, Jean-Martin Bauer, o mercado global de alimentos entra nesse ciclo em posição relativamente confortável, depois de boas colheitas em 2025. Mas ele pondera que conflitos no Oriente Médio, somados a possíveis quebras de safra ligadas ao clima, podem pressionar os preços para cima em regiões específicas, mesmo que não haja um choque global generalizado como em outras crises.
Por que isso importa para o seu negócio
Se sua empresa depende de matérias-primas agrícolas, seja na indústria de alimentos, no varejo, na produção rural ou na logística ligada ao agronegócio, esse tipo de sinal internacional costuma anteceder oscilações de preço e de disponibilidade de insumos. Mesmo negócios que não lidam diretamente com commodities podem sentir reflexos indiretos, como reajustes de custos em contratos com fornecedores e pressão sobre o poder de compra dos consumidores, caso a inflação de alimentos avance em algum grau no país ou nos mercados com os quais você comercializa.
Outro ponto que chama atenção no relatório é o corte de financiamento por doadores dos Estados Unidos e da Europa em 2025, que reduziu a coleta de dados sobre segurança alimentar no mundo. O PMA fez cerca de 1,1 milhão de pesquisas domiciliares em 2024, número que caiu para aproximadamente 800 mil em 2025, com queda ainda maior neste ano. Menos dados significam menos previsibilidade para quem depende de informação confiável para tomar decisões de compra, estoque e precificação.
Como se preparar
Diante desse cenário, vale revisar contratos de fornecimento que envolvam produtos agrícolas ou alimentícios, verificando cláusulas de reajuste e prazos de entrega. Também é o momento de acompanhar de perto o comportamento de custos de insumos ligados a commodities sensíveis a clima, ajustando projeções financeiras e fluxo de caixa para absorver eventuais oscilações sem surpresas.
Se o seu negócio atua no agronegócio, na indústria alimentícia ou no varejo de alimentos, considere antecipar negociações com fornecedores e avaliar estratégias de proteção de preço junto ao seu setor financeiro ou consultoria especializada. Para os demais negócios, o cuidado principal é monitorar indicadores de inflação e custo de vida, já que qualquer pressão sobre o orçamento das famílias tende a afetar o consumo de forma mais ampla. Ficar atento a esses sinais agora ajuda a evitar decisões apressadas quando o impacto já estiver no seu resultado.
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