Educação no Brasil já rendeu R$ 22,9 bi a 6 bilionários; veja quem são
02/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 dia
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acha que educação é um negócio de margens apertadas, vale conhecer a trajetória de seis empresários brasileiros que provam o contrário. Segundo o ranking Forbes Bilionários Brasileiros 2026, o setor educacional já rendeu fortunas suficientes para colocar seis nomes na lista, com um patrimônio conjunto de R$ 22,9 bilhões. É um sinal de que, bem administrado, o ensino pode ser tão lucrativo quanto setores tradicionalmente associados à riqueza, como finanças e tecnologia.
O grupo ocupa a 18ª posição entre os setores que mais concentram bilionários no país, com seis integrantes entre os 255 nomes do ranking. Em termos proporcionais, isso representa 1,23% de toda a riqueza contabilizada pela lista, um número que mostra que, mesmo não sendo o setor mais numeroso, a educação consegue gerar fortunas robustas e concentradas em poucas mãos.
Quem são os bilionários da educação
O médico Nicolau Esteves e sua família controlam a Afya Educacional, maior grupo de faculdades de medicina do Brasil, com ações negociadas na bolsa americana Nasdaq desde 2019. Nesse período, a empresa já fez 21 fusões e aquisições e hoje reúne cerca de 30 unidades em 13 estados, atendendo 35 mil alunos de graduação. É um exemplo de como consolidar um nicho de ensino superior pode gerar escala rapidamente.
Outro nome de destaque é Ari de Sá Cavalcante Neto, que junto com a mãe, Margarida de Sá Cavalcante, é um dos maiores acionistas da Arco Educação. Em 2025, a empresa comprou a International School, ampliando um portfólio que já incluía marcas como SAS, Positivo, Dom Bosco e COC. Já Janguiê, fundador da Ser Educacional, construiu um dos maiores grupos de ensino superior particular do país, com mais de 50 instituições presenciais e 300 polos de ensino a distância; o valor de mercado da empresa cresceu 22% nos 12 meses até junho de 2026.
Há também histórias marcadas por vendas e recompras estratégicas. Zaher fundou o SEB (Sistema Educacional Brasileiro) e vendeu marcas como Dom Bosco, Pueri Domus, Name e COC à britânica Pearson por R$ 888 milhões em 2010. Depois, negociou a rede UniSEB ao grupo Estácio por R$ 615 milhões, tornou-se acionista principal, e anos mais tarde recomprou a Pueri Domus e trouxe a rede canadense Maple Bear para o Brasil, além de investir recentemente em uma fintech e uma emissora de TV na Paraíba.
Movimentos de compra e venda também marcam a trajetória de outros dois empresários da lista. Um deles vendeu, em 2013, as ações do grupo Multi, formado por dez redes de escolas de idiomas e profissionalizantes como Yázigi e Wizard, ao grupo britânico Pearson, por R$ 1,32 bilhão. Voltou ao setor em 2017 comprando parte da Wiser, dona das redes NumberOne e WiseUp, e seguiu investindo em novas marcas, como a escola de inglês Enjoy e a escola de negócios Conquer.
Já Flávio fundou a rede de escolas de inglês WiseUp, vendida à Abril Educação em 2013 por R$ 877 milhões e recomprada dois anos e meio depois por R$ 398 milhões. Posteriormente, recebeu aportes de investidores como Carlos Wizard Martins e a gestora Kinea, formando a Wiser Educação, da qual permanece como controlador.
O que isso mostra para quem empreende no setor
Para você que atua ou pensa em investir em educação, essas trajetórias reforçam um ponto prático: consolidação, fusões e aquisições, e a construção de marcas fortes ao longo dos anos foram caminhos comuns entre esses empresários. Vender uma operação não significa sair do mercado de forma definitiva, muitas dessas histórias mostram reentradas estratégicas, seja recomprando negócios antigos ou investindo em novas frentes dentro do próprio setor educacional.
Vale lembrar que a lista da Forbes se baseia principalmente em dados públicos, como ações negociadas em bolsa, com cotações de fechamento de 30 de junho de 2026. Isso significa que os patrimônios reais podem ser ainda maiores, já que itens como imóveis, obras de arte e outros bens não listados publicamente geralmente não entram na conta. Para o empresário que acompanha o setor, esses números servem como termômetro de que a educação continua sendo um campo fértil para negócios de grande porte no Brasil.
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