Drawback suspensão: CARF cobra tributos por resíduos acima do limite de 5%
15/09/2026 07:054 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.
O que motivou a autuação
No caso julgado, a empresa alegava que os cacos de vidro gerados no processo de corte e lapidação tinham valor comercial muito baixo, quase irrelevante. Por isso, defendia que o descumprimento do compromisso de exportação deveria ser medido pelo valor de mercado desses resíduos, e não por outro critério. Se essa tese fosse aceita, a empresa praticamente não teria descumprido nada, já que o valor das sobras era pequeno. O CARF, no entanto, não aceitou esse raciocínio. Segundo o colegiado, a regra que permite desprezar resíduos e subprodutos não exportados só vale quando eles não ultrapassam 5% do valor dos insumos importados, e não 5% do valor comercial dos próprios resíduos. Ou seja, o parâmetro de comparação é o preço da matéria-prima que entrou no país, não o preço de venda do que sobrou no processo produtivo. Essa diferença de interpretação foi decisiva para a manutenção da cobrança.Por que isso importa para o seu negócio
Essa distinção tem impacto direto no caixa de empresas que trabalham com drawback. Um material importado pode ter alto valor agregado, mas o resíduo gerado no processo de transformação pode valer muito pouco no mercado. Se a empresa calcular a tolerância pelo valor do resíduo, como fez a fabricante de vidros, o percentual de perda parece pequeno e dentro do limite. Mas ao usar o valor dos insumos importados como base, como determinou o CARF, a mesma quantidade de sobra pode facilmente ultrapassar os 5% permitidos, gerando cobrança retroativa de tributos.Tese da empresa
- Tolerância calculada pelo valor comercial dos resíduos gerados
- Cacos de vidro têm valor de mercado baixo
- Descumprimento seria irrelevante ou inexistente
Entendimento do CARF
- Tolerância calculada pelo valor dos insumos importados
- Resíduo acima de 5% do valor de importação gera cobrança
- Tributos suspensos tornam-se exigíveis com encargos
O que fazer para evitar esse tipo de autuação
A decisão deixa claro que o controle sobre o volume de resíduos precisa ser feito com base no valor dos insumos importados, e não no valor de venda das sobras. Empresas que operam com drawback suspensão devem ficar atentas a esse detalhe no monitoramento interno do regime.Confirme se o percentual de resíduos está sendo comparado ao valor dos insumos importados, não ao valor comercial das sobras.
Mantenha laudos técnicos e registros que comprovem o uso integral dos insumos ou o volume real de perdas.
Verifique se o projeto exportador aprovado está sendo cumprido conforme os termos originais do regime.
Antes de fechar o regime, avalie com seu contador se os limites de tolerância foram respeitados.
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