Dólar sobe e petróleo cai: o que isso muda no custo da sua empresa
04/08/2026 18:424 min de leituraAtualizado há 30 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O mercado financeiro brasileiro viveu uma terça-feira de sinais contraditórios. Enquanto o Ibovespa terminou o dia praticamente no zero a zero, o dólar subiu com força e o petróleo teve uma das quedas mais expressivas do mês no exterior. Para quem administra uma empresa, esse tipo de movimento não é apenas notícia de jornal: ele afeta diretamente o custo de insumos importados, o preço do combustível, as taxas de juros e a previsibilidade do câmbio nos contratos fechados em dólar.
O que aconteceu no mercado
O Ibovespa oscilou bastante durante o pregão, chegando a superar os 180 mil pontos antes de recuar e fechar em 177.894,97 pontos, uma queda de apenas 0,06%. O resultado foi puxado principalmente pela queda de Petrobras, que acompanhou o tombo do petróleo, e pela reação negativa às expectativas em torno do balanço do Itaú Unibanco, divulgado após o fechamento do mercado. Do lado positivo, ações ligadas à mineração, como Vale e CSN, subiram, sustentadas por movimentos no exterior e por negociações envolvendo a venda da unidade de cimentos da CSN.
No mesmo dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial caiu 1,8% em junho na comparação com maio, um recuo maior do que o esperado pelos economistas consultados pela Reuters, que projetavam queda de 0,8%. Na comparação anual, a alta foi de 1,7%, também abaixo da previsão de mercado. Esse tipo de dado importa porque mede o ritmo da indústria nacional, um termômetro direto da demanda por bens e serviços que muitas empresas fornecem na cadeia produtiva.
Dólar sobe com risco político e Selic no radar
O dólar à vista fechou em alta de 0,84%, cotado a R$ 5,1304, mesmo após ter operado em queda no início do dia. A virada aconteceu à tarde, quando o mercado passou a temer novas sanções diplomáticas dos Estados Unidos ao Brasil. Pouco depois do fechamento do mercado à vista, o Departamento de Estado americano confirmou o cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, o que fez o dólar futuro para setembro subir ainda mais, para R$ 5,1570. Ainda assim, no acumulado do ano, a moeda americana continua com queda de 6,53% frente ao real.
Além da tensão diplomática, o mercado também está de olho na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, esperada para a quarta-feira. A expectativa majoritária é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa básica de juros para 14% ao ano, com possibilidade de novo corte semelhante em setembro. Esse cenário de juros em queda, combinado com incerteza cambial, é o tipo de combinação que exige atenção redobrada de quem tem dívidas, financiamentos ou aplicações indexadas à Selic.
Petróleo em queda pode aliviar custos, mas o efeito ainda é incerto
Os preços do petróleo no exterior caíram mais de 5% nesta terça-feira, com o Brent recuando 5,26%, para US$ 79,36 o barril, e o WTI caindo 5,69%, para US$ 75,77 o barril. O movimento foi motivado por sinais de avanço nas negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã para reabrir a navegação no Estreito de Ormuz, o que reduziu o chamado prêmio de risco geopolítico que vinha sustentando as cotações. Some-se a isso a expectativa de aumento gradual da produção pela OPEP+, que amplia a oferta global em um momento de dúvidas sobre a demanda das refinarias.
| Indicador | Fechamento do dia | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 177.894,97 pontos | -0,06% |
| Dólar à vista | R$ 5,1304 | +0,84% |
| Petróleo Brent | US$ 79,36/barril | -5,26% |
| Petróleo WTI | US$ 75,77/barril | -5,69% |
Para empresas que dependem de combustível ou de derivados de petróleo na produção ou na logística, uma queda dessa magnitude pode representar alívio de custo, mas o efeito costuma levar tempo para chegar ao consumidor final e depende também do comportamento do dólar, já que boa parte dos insumos é precificada em moeda americana.
Como se preparar
O cenário atual reúne três frentes que merecem atenção do empresário: a possível queda da Selic, que pode reduzir o custo de novos financiamentos; a instabilidade cambial, ligada a um risco político que ainda não tem desfecho claro; e a queda do petróleo, que pode aliviar custos logísticos se a tendência se confirmar nos próximos dias. Antes de tomar decisões grandes, como renegociar contratos em dólar ou revisar preços de produtos importados, vale acompanhar de perto o desfecho da decisão do Copom e os próximos capítulos da relação diplomática entre Brasil e Estados Unid
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