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Dólar sobe com eleição no Brasil: o que isso muda para quem exporta e importa

31/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, com 51,77% dos votos contra 48,23% de Flávio Bolsonaro, provocou uma onda imediata de reação nos mercados financeiros, com efeitos que atravessam a fronteira e chegam direto no bolso de quem faz negócios entre Brasil e Argentina. Ações caíram, o risco-país argentino subiu e o dólar bateu máxima do ano no mercado atacadista vizinho. Para empresários que compram, vendem ou dependem de insumos importados, entender essa movimentação é essencial para não ser pego de surpresa nos próximos meses.

O que aconteceu nos mercados

Logo após o resultado, o principal fundo que replica empresas brasileiras na bolsa chegou a cair cerca de 27% em dólares, e o real se desvalorizou frente à moeda americana. Essa turbulência se espalhou para os ativos argentinos: o índice de ações local recuou, títulos de dívida em dólar perderam valor e o risco-país (um indicador que mede a desconfiança dos investidores sobre o país) subiu de 707 para uma faixa entre 738 e 745 pontos. O dólar no mercado atacadista argentino também avançou, atingindo novo recorde no ano. Segundo o economista Eric Ritondale, da Puente, esse movimento reflete tanto a fraqueza do real quanto decisões da autoridade monetária argentina para conter a volatilidade.

Vale lembrar que boa parte dessa alta do risco-país não nasceu agora: especialistas calculam que o cenário internacional já explicava cerca de dois terços do aumento acumulado antes mesmo da eleição brasileira. Ou seja, o resultado eleitoral reforçou uma pressão que já existia, mas não significa, isoladamente, uma piora nos fundamentos da economia argentina.

Por que isso afeta o comércio entre os dois países

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, especialmente para produtos industriais. Nos primeiros nove meses de 2026, as exportações argentinas para o Brasil somaram US$ 9,789 bilhões, alta de 4,5% sobre o ano anterior. Já as importações argentinas vindas do Brasil somaram US$ 12,005 bilhões, uma queda de 17% no mesmo período, resultando em déficit comercial de US$ 2,216 bilhões para o lado argentino. Cerca de 64% do que a Argentina vende ao Brasil é produto manufaturado industrial, o que torna esse comércio especialmente sensível ao câmbio.

Um real mais desvalorizado torna os produtos argentinos relativamente mais caros para quem compra no Brasil, o que pode prejudicar a competitividade das empresas do país vizinho. Na prática, se fabricantes brasileiros conseguirem oferecer preços mais baixos, compradores tendem a migrar para fornecedores locais, dificultando as vendas argentinas por aqui. Isso é relevante para empresários brasileiros que importam insumos ou peças da Argentina, especialmente no setor automotivo, que responde por cerca de 50% do comércio dentro do Mercosul.

Comércio Brasil-Argentina nos primeiros 9 meses de 2026
US$ 9,79 biexportações argentinas ao Brasilalta de 4,5% frente ao mesmo período de 2025.
US$ 12 biimportações argentinas do Brasilqueda de 17% no período.
US$ 2,22 bidéficit comercial argentinoresultado do saldo entre os dois países.

É importante destacar que o câmbio não é o único fator em jogo. Especialistas da consultoria Abeceb apontam que, no setor automotivo, a atividade econômica de cada país pesa tanto quanto a variação cambial. E as projeções para 2027 trazem outro ponto de atenção: espera-se que o crescimento da economia brasileira desacelere para cerca de 1%, o que tende a reduzir a demanda por produtos importados, inclusive os argentinos, independentemente do que acontecer com o real.

O que observar daqui para frente

Para empresas brasileiras que compram ou vendem para a Argentina, o momento pede atenção redobrada ao câmbio e às condições de financiamento em dólar, já que o risco-país argentino segue pressionado. Do lado argentino, analistas do Grupo IEB apontam que a instabilidade no Brasil pode, paradoxalmente, abrir espaço para a Argentina atrair investimentos que buscam alternativas na região, especialmente em setores como energia, mineração, agroindústria e infraestrutura, desde que o país mantenha disciplina fiscal e previsibilidade.

Na prática, o cenário ainda é de instabilidade e exige cautela de quem depende do comércio bilateral. Se você importa produtos argentinos, vale negociar contratos com cláusulas de proteção cambial e acompanhar de perto a cotação do real e do peso. Se você exporta para lá, fique atento à demanda, que pode ser afetada tanto pela disputa cambial quanto pela desaceleração projetada para a economia brasileira em 2027. Em cenários como esse, antecipar decisões financeiras e revisar contratos internacionais costuma ser mais eficaz do que reagir depois que o impacto já chegou ao caixa da empresa.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.