Desenrola 2.0: bancos vão investir R$ 16 milhões em educação financeira
29/10/2026 16:003 min de leituraAtualizado há 10 horas
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se o seu negócio atua com organizações sociais, educação, startups de impacto ou projetos voltados à capacitação financeira, vale ficar atento a uma nova fonte de recursos que está sendo estruturada pelos bancos participantes do Novo Desenrola Brasil, o chamado Desenrola 2.0. As instituições financeiras envolvidas no programa devem destinar cerca de R$ 16 milhões para iniciativas de educação financeira, e parte desse dinheiro já tem caminho definido.
O valor equivale a 1% dos recursos garantidos pelo Fundo de Garantia de Operações (FGO) nas renegociações de dívidas feitas dentro do programa. Na prática, o Desenrola 2.0 renegociou cerca de 5,54 milhões de dívidas, que originalmente somavam R$ 28,37 bilhões. Com descontos médios de 80%, esse total caiu para R$ 5,7 bilhões, quitados majoritariamente à vista. É sobre o valor garantido pelo FGO nessas operações, de R$ 1,6 bilhão, que incide o percentual destinado à educação financeira.
Para onde vai o dinheiro
Do total estimado, aproximadamente R$ 5 milhões já têm destino certo: o programa Amplifica Educação Financeira, uma iniciativa conjunta de entidades do setor financeiro, como a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), a Febraban, a Zetta e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC). Os outros R$ 11 milhões ainda não têm destinação definida e, por ora, não fazem parte do Amplifica.
Para empresários e gestores de organizações que trabalham com inclusão e capacitação financeira, essa é uma informação estratégica: o Amplifica pretende selecionar entre 10 e 12 organizações que já atuem na área e tenham potencial de ampliar seus projetos. Podem participar instituições sem fins lucrativos, universidades, centros de pesquisa e startups. Cada selecionada poderá receber até R$ 500 mil, além de suporte técnico ao longo da execução.
A execução técnica e operacional ficará a cargo da Artemisia, organização sem fins lucrativos que será responsável pela chamada pública, análise das candidaturas e acompanhamento dos projetos selecionados. A decisão final sobre quem será contemplado caberá a um comitê formado por representantes do setor financeiro. Antes disso, porém, a proposta ainda precisa passar pela aprovação da Secretaria do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda.
Prazos e quem pode se beneficiar
Se tudo seguir o cronograma informado pela Fin, o edital deve ser publicado em novembro, abrindo oficialmente a chamada pública para interessados. O público prioritário das ações inclui pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, com atenção especial à participação feminina e ao fortalecimento da autonomia financeira das mulheres. A base legal para essa destinação de recursos vem de medidas provisórias e de uma portaria do Ministério da Fazenda, que determinam que os projetos sejam executados até 31 de agosto de 2027. As instituições financeiras também precisarão apresentar seus planos de aplicação ao ministério para análise.
Vale destacar um ponto prático para quem pensa em atuar nesse mercado: especialistas ouvidos na reportagem original alertam que apenas oferecer conteúdo informativo pode não ser suficiente para mudar o comportamento financeiro das pessoas. A recomendação é que os projetos incluam orientações práticas, como organização de orçamento, avaliação da capacidade real de pagamento e uso responsável do crédito, já que o risco é que consumidores que renegociaram dívidas voltem a se endividar sem planejamento.
Para empresas e organizações que pretendem concorrer a essa verba, o momento é de se preparar: estruturar bem o histórico de atuação, mostrar resultados concretos de projetos anteriores e alinhar a proposta aos públicos prioritários definidos pelo programa pode fazer diferença na hora da seleção. Fique atento à publicação do edital em novembro para não perder o prazo de inscrição.
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