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Déficit do governo em agosto: o que isso significa para sua empresa

29/09/2026 15:213 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O governo central fechou agosto com um déficit primário de R$13,585 bilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado é negativo, mas veio melhor do que o registrado em agosto do ano passado e também ficou abaixo do esperado pelos economistas consultados pela Reuters. Para você, empresário, esse tipo de informação funciona como um termômetro da saúde das contas públicas, que influencia diretamente juros, câmbio e o ambiente de negócios no país.

O que os números mostram

O conceito de "governo central" reúne as contas do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social. Quando esse conjunto gasta mais do que arrecada, sem contar juros da dívida, chamamos isso de déficit primário. Em agosto, a receita líquida do governo somou R$187,878 bilhões, um crescimento real de 3,5% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Já as despesas totais chegaram a R$201,463 bilhões, alta real de 1,9%. Ou seja, o governo arrecadou mais, mas gastou ainda mais, e o resultado ficou no vermelho.

Vale lembrar que em julho o cenário havia sido diferente: o governo apresentou superávit, ou seja, arrecadou mais do que gastou naquele mês específico. Essa alternância entre resultados positivos e negativos é comum ao longo do ano e reflete sazonalidades de arrecadação e de despesas, como pagamento de benefícios e repasses.

Os números do mês
R$ 13,585 bidéficit em agostomelhor que os R$ 15,540 bi de déficit em agosto do ano passado.
R$ 187,878 bireceita líquidaalta real de 3,5% ante agosto de 2023.
R$ 201,463 bidespesa totalcrescimento real de 1,9% no período.
R$ 94,869 bidéficit acumulado no anoalta real de 7,1% ante o mesmo período de 2023.

O papel da crise do petróleo

Um ponto que chama atenção no relatório é a influência da crise do petróleo, provocada pela guerra no Oriente Médio, sobre as contas públicas. A alta do preço da commodity tem dois efeitos que se contrapõem: de um lado, aumenta a arrecadação do governo; de outro, pressiona os preços dos combustíveis no mercado interno, o que levou o governo a adotar medidas para conter esse impacto, gerando despesas adicionais.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Cardoso Leal, a expectativa é que as receitas extras relacionadas a esse cenário somem R$67,5 bilhões ao longo do ano, valor que supera as despesas adicionais estimadas em R$32,4 bilhões. Na prática, isso significa que, apesar do custo das medidas de contenção de preços, o efeito líquido sobre o caixa do governo tende a ser positivo neste ano.

Por que isso importa para o seu negócio

Empresários acompanham esses indicadores porque eles ajudam a antecipar decisões de política monetária, como o nível da taxa de juros, e o comportamento do câmbio, que afeta desde o custo de insumos importados até o preço final de produtos e serviços. Um déficit persistente e crescente, como mostra o acumulado do ano (alta real de 7,1% em relação ao mesmo período de 2023), tende a gerar mais cautela no mercado financeiro, o que pode se refletir em juros mais altos e crédito mais caro para empresas.

Por outro lado, o fato de o resultado de agosto ter vindo melhor do que o previsto pelo mercado é um sinal de certo alívio pontual, mesmo que o quadro geral ainda exija atenção. Para o seu planejamento financeiro, o recomendável é acompanhar esses números mês a mês, sem reagir de forma isolada a um único dado, e considerar o cenário fiscal na hora de tomar decisões sobre investimentos, endividamento e precificação, especialmente em setores mais sensíveis a variações de câmbio e juros, como o de importação e o de bens de capital.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.