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Créditos de carbono no agro: quanto o setor pode ganhar até 2035

06/08/2026 17:163 min de leituraAtualizado há 27 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um levantamento divulgado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) aponta que o setor agropecuário brasileiro tem potencial para gerar até 314,3 milhões de créditos de carbono entre 2025 e 2035. Se as condições de mercado e regulação se confirmarem, essa produção poderia movimentar até R$ 3,5 bilhões em negociações internacionais. Para quem trabalha com produção rural, agroindústria ou presta serviços ao campo, isso sinaliza uma frente de receita que ainda está em construção, mas que já merece entrar no radar do planejamento estratégico.

O estudo, batizado de O Agronegócio Brasileiro no Mercado Internacional de Carbono, foi produzido pela Carbonn Nature, pelo Instituto Equilíbrio e pelo Instituto de Agronegócio (IEAg). A análise parte de um dado que chama atenção: a agropecuária responde por 30,5% das emissões de gases de efeito estufa do país, mas é justamente esse peso que abre espaço para o setor se tornar um dos maiores fornecedores mundiais de créditos de carbono, caso adote práticas de manejo mais eficientes.

O que muda para quem produz

Na prática, o estudo mostra que práticas já conhecidas no campo, como manejo aprimorado do solo, tratamento adequado de dejetos animais, redução do metano gerado pelo gado e uso de biochar como fertilizante, podem se transformar em créditos de carbono negociáveis. Isso significa que investimentos em sustentabilidade deixam de ser apenas custo ambiental e passam a ter potencial de gerar receita adicional, desde que o produtor comprove e credite essas reduções de emissão dentro de metodologias reconhecidas.

A maior fatia desse potencial está concentrada em projetos de manejo de terras agrícolas, com uma parcela menor vindo da recuperação de metano em sistemas de tratamento de dejetos, metodologia que já é aceita para geração de créditos. Ou seja, quem já investe ou pretende investir em tecnologia de manejo tem mais chance de se posicionar cedo nesse mercado.

Três cenários e o que eles significam

O levantamento trabalha com três projeções para o volume de créditos gerados até 2035, que ajudam a dimensionar o tamanho da oportunidade conforme o avanço da regulamentação e da adesão de projetos:

CenárioCréditos de carbono estimados
Conservador25,6 milhões
Intermediário230 milhões
Integral (projetos já em desenvolvimento)314,3 milhões

É importante entender que esses números representam potencial, não receita garantida. A efetiva venda desses créditos vai depender de três fatores: a demanda de compradores internacionais, o preço praticado no mercado global e, principalmente, a autorização do governo brasileiro para que esses créditos sejam negociados como Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, os chamados ITMOs.

Prazos e o papel da regulamentação

Segundo os autores do estudo, uma estratégia equilibrada seria o governo autorizar a comercialização de créditos com impacto de até 4% sobre a segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil no Acordo de Paris. Nesse cenário, seria possível negociar cerca de 15,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, com potencial de gerar até R$ 2,4 bilhões em negociações bilaterais diretas ou até R$ 3,5 bilhões através do programa CORSIA, voltado à compensação de emissões da aviação internacional.

Um ponto de atenção para quem acompanha esse mercado é a segunda fase do CORSIA, prevista para começar em 2027. A expectativa é que essa etapa amplie significativamente a demanda por créditos de carbono de alta qualidade ambiental, o que pode favorecer produtores brasileiros que já estiverem organizados e com projetos certificados quando essa janela se abrir.

Como se preparar

Para empresários e gestores do agronegócio, o momento é de acompanhar de perto as definições regulatórias e, ao mesmo tempo, avaliar internamente quais práticas de manejo já adotadas (ou possíveis de adotar) podem ser enquadradas em metodologias reconhecidas para geração de créditos. Vale também mapear parcerias com certificadoras e conhecer os critérios que vêm sendo discutidos para autorização dos ITMOs, já que o principal obstáculo hoje não é mais técnico, e sim regulatório. Quem se antecipar organizando dados de emissão, práticas de manejo e documentação de projetos estará em posição mais favorável quando as regras forem finalmente definidas e o mercado se abrir de forma mais ampla.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.