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Crédito de carbono na Amazônia: como funciona e quem pode comprar

04/08/2026 13:074 min de leituraAtualizado há 29 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Uma startup brasileira acaba de dar um recado importante para quem acompanha o mercado de créditos de carbono: é possível entregar o que se promete, e até antes do prazo. A Mombak, empresa de reflorestamento que atua na Amazônia, anunciou que já entregou seus primeiros créditos de remoção de carbono a compradores internacionais, mais de dois anos antes do previsto originalmente para 2028. Entre os clientes que receberam os créditos estão nomes como Google, McKinsey e McLaren Racing, além de Bain & Company, Climeworks, Commons e Union Square Ventures.

Para você que é gestor ou empresário, esse tipo de notícia importa porque toca num ponto sensível: a confiança. O mercado de carbono cresceu nos últimos anos como alternativa para empresas que precisam compensar emissões e cumprir metas ambientais, mas também acumulou críticas por atrasos, projetos que prometem mais do que entregam e falta de transparência. Quando uma empresa cumpre, e ainda antecipa entregas, isso muda a percepção de risco para quem está do lado comprador.

O que a Mombak fez, na prática

A Mombak trabalha restaurando áreas que antes eram usadas para agricultura ou pecuária na Amazônia brasileira, plantando espécies nativas. Esse reflorestamento captura dióxido de carbono da atmosfera, e cada tonelada capturada pode virar um crédito de carbono, negociado por empresas que querem neutralizar parte de suas emissões. A empresa já plantou quase 15 milhões de árvores em 12 fazendas na região amazônica, e essa primeira leva de créditos entregue corresponde a mais de 21 mil toneladas de CO2 removidas da atmosfera.

Segundo o diretor comercial da Mombak, Dan Harburg, o setor sofre há tempos com fornecedores que prometem entregas e não cumprem, ou que atrasam significativamente os cronogramas. Cumprir dois anos antes, segundo ele, fortalece a relação com os compradores atuais e ajuda a atrair novos clientes. A empresa também já vendeu parte desses créditos diretamente no mercado à vista, o que mostra que existe demanda imediata, além dos contratos de longo prazo.

Por que isso interessa a quem faz negócios no Brasil

Essa entrega também marca a primeira operação concluída dentro da Symbiosis Coalition, um grupo de grandes compradores de créditos de carbono baseados em soluções da natureza, que inclui gigantes como Google e Microsoft. Esse grupo já se comprometeu a adquirir mais de 20 milhões de toneladas de créditos até 2030, o que dá uma ideia do tamanho da demanda futura por projetos como o da Mombak. A diretora executiva da coalizão, Julia Strong, destacou que o caso prova que compromissos assumidos por compradores realmente conseguem virar projetos concretos no mundo real.

Para empresários brasileiros, especialmente os que atuam em setores ligados a agronegócio, florestas, terras degradadas ou sustentabilidade, esse cenário indica uma oportunidade real de negócio. O mercado brasileiro de carbono ainda está em fase inicial, mas já desperta interesse de investidores e instituições financeiras. Empresas de tecnologia, por exemplo, têm buscado ativamente projetos de remoção de carbono de alta qualidade para equilibrar o impacto ambiental de investimentos pesados em data centers usados para inteligência artificial, um setor que consome muita energia.

A Mombak já projeta uma nova emissão, ainda maior, de 55 mil créditos adicionais até o fim deste ano, o que sinaliza que a operação está em ritmo de expansão. Isso reforça que projetos bem estruturados de reflorestamento e créditos de carbono podem, sim, gerar receita consistente e previsível, desde que executados com seriedade e transparência.

Um ponto de atenção que vale considerar

Nem tudo é consenso no setor. Existem críticos que argumentam que a compra de créditos de carbono pode servir como um atalho para empresas poluidoras evitarem reduzir suas próprias emissões diretamente, em vez de investir em mudanças reais em seus processos. Se sua empresa pensa em usar créditos de carbono como parte de uma estratégia de sustentabilidade, vale entender que esse mercado ainda gera debate, e que a escolha de projetos confiáveis, com histórico de entrega e transparência, faz toda diferença tanto para a reputação da sua marca quanto para o impacto ambiental real gerado.

Se você está avaliando entrar nesse mercado, seja como comprador de créditos para compensar emissões, seja como potencial parceiro de projetos de reflorestamento em terras próprias, o caso da Mombak mostra que a execução consistente é o que constrói confiança. Antes de fechar qualquer contrato, busque conhecer o histórico do fornecedor, a metodologia de certificação usada e os prazos de entrega já cumpridos. No fim das contas, num mercado ainda jovem como o de carbono no Brasil, credibilidade vale tanto quanto o preço da tonelada negociada.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.