Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Se você vende celulares, oferece crediário ou atua no varejo que depende de crédito ao consumidor, uma pesquisa recente ajuda a explicar parte das vendas perdidas: sete em cada dez pessoas das classes C, D e E já desistiram de comprar um aparelho por não conseguir pagar à vista ou obter financiamento. O dado faz parte de um levantamento do Instituto Locomotiva, encomendado pela PayJoy, feito entre abril e maio de 2026 com mil entrevistados.
O problema não é só a falta de interesse ou de necessidade. Para boa parte dessas pessoas, o celular deixou de ser apenas um item de consumo e passou a ser ferramenta de trabalho, meio de acesso a serviços bancários e até porta de entrada para geração de renda. Isso significa que, quando o crédito trava, o impacto vai além da venda perdida: afeta a vida financeira e profissional do consumidor.
Quem é mais afetado
A pesquisa mostra que a dificuldade de comprar um aparelho é desigual dentro do próprio público de baixa renda. Entre as classes D e E, 79% dos entrevistados disseram já ter desistido de uma compra por falta de dinheiro ou crédito. Na classe C, esse índice foi menor, mas ainda alto: 68%. Além disso, 60% do total de entrevistados relataram já ter tido crédito negado e ficado sem acesso a produtos ou serviços que precisavam.
Os juros aparecem como o principal obstáculo. Entre quem evita ou não contrata crédito para comprar celular, metade aponta os juros altos como motivo. Outros fatores também pesam: 41% dizem que as parcelas não cabem no orçamento, 38% têm medo de se endividar e 24% temem as consequências de atrasar o pagamento, como juros adicionais e multas.
Por que o celular importa tanto
Os números ajudam a entender por que esse tipo de crédito tem tanta relevância social e econômica. Para 75% dos entrevistados, o celular é importante para manter contato com a família. Para 69%, é essencial para acessar serviços bancários e fazer pagamentos. E para 60%, o aparelho está diretamente ligado ao trabalho ou à geração de renda. No total, 86% concordam, total ou parcialmente, que o acesso ao celular ajuda a trabalhar e a ganhar mais dinheiro.
O levantamento também testou a reação dos entrevistados a diferentes formatos de financiamento. Diante de duas opções hipotéticas, 71% preferiram um modelo com parcelas fixas, sem cobrança de juros ou multa por atraso, mas com possibilidade de restrição temporária das funções do celular caso o pagamento atrase. Os outros 29% optaram pelo modelo mais tradicional, sem bloqueio do aparelho, porém com juros e multa em caso de atraso. Em outra pergunta, 68% disseram preferir uma modalidade em que o pagamento da parcela atrasada libera automaticamente o celular, sem burocracia adicional.
É importante entender o limite desses resultados: como a pesquisa perguntou sobre a preferência diante de modelos descritos, ela não mostra quantas pessoas de fato contratariam cada opção na prática, nem permite calcular o efeito real dessas condições sobre as vendas do varejo. Ainda assim, o padrão de resposta indica uma preferência clara por previsibilidade nas parcelas e por alternativas que fujam da cobrança tradicional de juros e multa.
O que isso significa para o seu negócio
Se sua empresa vende produtos financiados, principalmente para o público das classes C, D e E, vale observar esse comportamento: parte relevante dos clientes em potencial não compra simplesmente porque não encontra uma condição de crédito que considere viável ou segura. Modelos com parcelas previsíveis e regras claras em caso de atraso tendem a gerar mais confiança do que o financiamento tradicional com juros e multa, segundo o que os próprios consumidores relataram preferir. Para o varejo, entender essa barreira de crédito pode ser tão importante quanto ajustar preço ou prazo de pagamento na hora de recuperar vendas que hoje são perdidas por falta de acesso ao financiamento.
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