Comunicação sobre clima: por que ela falha e como engajar de verdade
02/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 dia
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Ondas de calor recordes, rios secando na Europa, cidades racionando água e incêndios que forçam a saída de centenas de milhares de pessoas: os efeitos das mudanças climáticas já não são projeção para 2030 ou 2050, são fatos deste ano. Apesar disso, boa parte da comunicação sobre o tema ainda fala do clima como um problema futuro, distante, medido em graus e emissões, um erro que compromete a capacidade de mobilizar governos, empresas e cidadãos para agir agora.
Para você que lidera uma empresa, esse debate não é apenas ambiental, é também de comunicação e de gestão de risco. Entender por que certas mensagens sobre clima não convencem ajuda a pensar melhor como sua empresa se comunica sobre sustentabilidade, riscos operacionais ligados ao clima e até relacionamento com clientes e comunidade.
O que trava a comunicação sobre clima
Um primeiro obstáculo é financeiro: o setor de comunicação climática vive de recursos escassos e mal contabilizados. A maior parte do dinheiro filantrópico destinado ao clima vai para mitigação (redução de emissões), enquanto adaptação e resiliência, área que afeta diretamente o dia a dia das pessoas, recebe uma fatia bem menor. Comunicação, dentro desse cenário, é apenas mais um item disputando recursos escassos, o que limita a profissionalização do setor.
O segundo problema é a linguagem. Falar em "1,5°C de aumento médio global" ou em bilhões de dólares em déficit de financiamento são números importantes para o planejamento global, mas dizem pouco para alguém que só quer entender por que está fazendo mais calor na sua cidade ou por que a conta de água aumentou. Informação técnica demais afasta em vez de aproximar, e mensagens baseadas em culpa ou vergonha tendem a gerar rejeição, não ação.
Por que o mensageiro importa tanto quanto a mensagem
Talvez o ponto mais prático para qualquer gestor esteja aqui: quem fala é tão importante quanto o que se fala. Pesquisas mostram que as pessoas confiam mais em cientistas do clima, familiares, amigos, médicos de família e apresentadores de previsão do tempo do que em porta-vozes distantes ou celebridades. A ordem de confiança muda conforme o grupo político, mas o padrão se repete: proximidade gera credibilidade.
Comunicação que não funciona
- Fala em metas para 2030 ou 2050
- Usa dados técnicos e médias globais abstratas
- Aposta em um único porta-voz ou celebridade
- Recorre a mensagens de culpa e vergonha
Comunicação que engaja
- Fala do que já está acontecendo agora
- Traduz o tema para a realidade local das pessoas
- Usa mensageiros de confiança da comunidade
- Conecta o clima a conversas que as pessoas já têm
Isso significa que buscar uma única voz nacional ou global para "convencer todo mundo" é uma estratégia limitada. O caminho mais eficaz é investir em uma rede de vozes confiáveis, dentro de cada comunidade, cada plataforma, cada público. Líderes religiosos, empresários locais, prefeitos, professores e até vizinhos têm mais capacidade de gerar confiança do que um especialista distante, por mais competente que seja.
O que isso significa para o seu negócio
Se sua empresa se comunica sobre sustentabilidade, práticas ambientais ou riscos climáticos, ligados à cadeia de fornecimento, ao clima que afeta operações ou a exigências de clientes e investidores, vale aplicar a mesma lógica: fale com linguagem simples, conecte o tema a impactos concretos no dia a dia do seu público e escolha porta-vozes que tenham credibilidade real junto às pessoas que você quer alcançar, sejam funcionários, clientes ou parceiros locais.
O recado central é que a mudança climática já deixou de ser um tema de horizonte distante e passou a ser uma questão presente, que afeta operação, custos e reputação das empresas. Comunicar isso de forma clara, próxima e crível, sem jargão técnico e sem depender de uma única voz, é o que faz a diferença entre uma mensagem que é ouvida e outra que é ignorada.
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