Compra coletiva ajuda hospitais pequenos a economizar milhões
23/09/2026 15:523 min de leituraAtualizado há 44 minutos
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Se você administra um hospital, clínica ou qualquer negócio que depende da compra recorrente de insumos, sabe como é difícil competir em preço com grandes redes. Foi justamente esse problema que a SHS Healthcare, startup fundada por Marco Torelly, decidiu enfrentar: unir hospitais de pequeno e médio porte em compras conjuntas para conseguir condições que nenhum deles obteria sozinho. O resultado já soma mais de R$ 30 milhões em economia para as instituições atendidas.
O problema por trás do negócio
No Brasil, existem cerca de 7.500 hospitais, e 90% deles operam de forma isolada, sem força de negociação junto à indústria fornecedora. Enquanto grandes redes hospitalares conseguem descontos relevantes pelo volume de compra, hospitais menores pagam mais caro pelos mesmos produtos, simplesmente por não terem escala. Essa realidade consome uma fatia expressiva do orçamento dessas instituições: cerca de 30% do custo de um hospital vem da compra de suprimentos.
A solução criada por Torelly ataca exatamente esse ponto: uma plataforma digital que conecta hospitais, padroniza as informações de compra e viabiliza aquisições em conjunto. Na prática, funciona como uma união de forças, quanto mais instituições compram juntas, melhor fica o preço negociado com o fornecedor.
Como a tecnologia resolve um problema prático
Um dos maiores obstáculos para viabilizar compras conjuntas é a falta de padronização nos cadastros. Um mesmo item, como dipirona ou luvas de látex, pode aparecer com nomes e códigos diferentes em cada hospital, o que dificulta comparar preços e agrupar pedidos. No início, esse trabalho de organização era feito manualmente por profissionais contratados. Com o tempo, a empresa passou a usar inteligência artificial para automatizar esse cruzamento de dados, mas sempre com validação de um profissional responsável antes de qualquer decisão final, evitando erros na negociação do produto certo.
A ideia ganhou ainda mais força com uma parceria firmada com a consultoria Falconi e a Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Brasil (CMB), levando a solução de compras inteligentes para mais de 1.000 Santas Casas em todo o país. Esse tipo de parceria mostra como uma solução pensada para um problema específico pode ganhar escala rapidamente quando resolve uma dor real do setor.
Vale destacar também o cuidado com o papel da tecnologia diante do trabalho humano. Segundo Torelly, a inteligência artificial deve automatizar tarefas burocráticas, como organizar cadastros e prontuários, mas a decisão final continua sendo do profissional responsável, seja na área de compras, seja no atendimento clínico. É um lembrete importante para qualquer gestor que esteja avaliando adotar IA no próprio negócio: tecnologia bem aplicada libera tempo para o que realmente importa, sem substituir o julgamento humano nas decisões críticas.
Para quem lidera um negócio pequeno ou médio, seja no setor de saúde ou em qualquer outro segmento que dependa de compras recorrentes de insumos, a experiência da SHS Healthcare traz uma lição prática: buscar parceiros ou cooperativas para compras conjuntas pode ser um caminho real de redução de custos, especialmente quando a empresa não tem volume suficiente para negociar sozinha. Organizar bem os cadastros de produtos e padronizar informações internas também é um passo importante antes de buscar esse tipo de parceria, já que a bagunça nos dados costuma ser o principal entrave para negociações mais vantajosas.
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