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Como uma empresa equatoriana virou líder mundial em chocolate fino

30/10/2026 04:593 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Enquanto o preço do cacau disparava no mercado mundial, saltando de cerca de US$ 2.700 para até US$ 12.500 por tonelada entre 2024 e 2025, uma empresa equatoriana conseguiu crescer justamente nesse cenário de crise. A República del Cacao, fundada por dois irmãos há 21 anos, faturou US$ 21,6 milhões em 2025, dos quais US$ 19 milhões vieram de exportações para mais de 20 países. O caso mostra como relacionamento de longo prazo com fornecedores pode ser uma vantagem competitiva decisiva em momentos de escassez de matéria-prima.

O que aconteceu

A empresa nasceu de uma constatação incômoda: marcas de chocolate reconhecidas internacionalmente, como as italianas Venchi e Novi e as francesas Bonnat e Chapon, usavam cacau equatoriano fino de aroma, uma das variedades mais valorizadas do mundo, sem que o Equador tivesse uma marca própria forte nesse mercado. A resposta foi criar uma linha de chocolate equatoriano em 2007 e, em 2014, uma linha profissional voltada a chefs, confeitarias e indústria alimentícia, hoje responsável pela maior parte da receita da empresa.

O negócio funciona em duas frentes complementares. Uma é voltada ao consumidor final, com boutiques em Quito e presença em aeroportos da América Latina. A outra, de maior peso financeiro, vende chocolate profissional em formato de gotas e discos para o mercado internacional, com clientes em mais de 340 empresas e parceria com mais de 20 chefs ao redor do mundo. Segundo dados do setor no Equador, a companhia lidera as exportações de chocolate do país, com participação de 38% em valor e 42% em volume.

Como a empresa driblou a alta do cacau

O salto de preço do cacau, puxado pela queda da produção africana, pressionou toda a cadeia produtiva de chocolate no mundo. Para muitas empresas, isso significou cortar fornecimento a clientes internacionais. A República del Cacao seguiu caminho oposto: manteve e ampliou a entrega, apostando numa estratégia construída ao longo de anos de pagar aos produtores acima do preço de mercado e oferecer capacitação técnica em troca de prioridade na compra do cacau.

Números da operação em 2025
US$ 19 milhõesem exportações88% da receita total veio de vendas internacionais para mais de 20 países.
36%de crescimentoAumento do faturamento em relação a 2024, mesmo com o custo do cacau quintuplicando.
80produtores capacitadosAgricultores em Vinces treinados em técnicas de poda, adubação e manejo do solo.

Essa fidelização não fica só no discurso: a empresa capacitou 80 produtores rurais na região de Vinces em técnicas de cultivo e ainda apoia processos de formalização e acesso bancário desses agricultores. A maior parte do cacau usado pela empresa, 80%, vem do próprio Equador, com o restante complementado por Peru, México e República Dominicana, cada região contribuindo com um perfil de sabor diferente. Toda a transformação do cacau em chocolate acontece dentro do país, numa fábrica em Quito, o que mantém o valor agregado em território equatoriano em vez de exportar apenas a matéria-prima bruta.

O que vem pela frente

De olho em mercados mais exigentes, a empresa já mantém certificações como FSSC 22000, Halal, Kosher e Child Labour Free, e vem se preparando para o Regulamento Europeu sobre Desmatamento, que entra em vigor em 2027 e vai exigir rastreabilidade completa dos exportadores para a União Europeia. Como parte dessa preparação, distribuiu mais de 7 mil mudas de cacau a produtores parceiros em 2025. A empresa também mantém certificação de impacto social e ambiental desde 2020 e tem presença feminina relevante em cargos de liderança.

Para 2027, a companhia já planeja apresentar um novo produto durante um dos eventos mais importantes do setor de confeitaria, na França. A estratégia segue a mesma lógica que guiou o crescimento até aqui: valorizar ingredientes e sabores que só existem na origem equatoriana, como já faz com um chocolate branco de milho torrado. O caso ilustra, de forma prática, como investir em relação de confiança com fornecedores e agregar valor dentro do próprio país pode sustentar crescimento mesmo em cenários de forte pressão de custos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.