Como uma dupla de stylists vestiu Ronaldo e Ronaldinho na Copa em 7 dias
20/07/2026 18:264 min de leituraAtualizado há 44 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você já parou para pensar no que acontece nos bastidores quando um pequeno negócio recebe, de uma hora para outra, um projeto do tamanho de uma cerimônia global assistida por bilhões de pessoas? Foi exatamente isso que viveram Gabriel Nathan Silva Fernandes e Julia Alves de Moraes, sócios da GaJu Styling, ao serem convocados para criar os figurinos de Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho na apresentação ao lado de Madonna na final da Copa do Mundo. O convite chegou uma semana antes do evento, e a dupla teve que transformar um briefing internacional em roupas prontas, aprovadas e entregues em tempo recorde.
Mais do que uma história de moda, o caso da GaJu Styling é um retrato de como empresas pequenas, com estrutura enxuta, podem competir e entregar resultado em projetos de altíssima complexidade quando têm processo, sociedade bem alinhada e capacidade de decisão rápida. Para quem administra um negócio, seja qual for o setor, há lições concretas sobre gestão de prazo, sigilo, aprovação em cadeia e adaptação de última hora.
O que aconteceu
A GaJu Styling é formada por sócios que trabalham juntos há oito anos e que já acumulavam mais de uma década de parceria profissional com Ronaldo Nazário e Celina Locks, além de atendimentos a outros nomes conhecidos do entretenimento. Quando o convite para o espetáculo chegou, a rotina virou uma corrida contra o tempo: primeiro veio o briefing técnico e criativo da produção internacional, depois o desenvolvimento do conceito visual, a apresentação da proposta a Ronaldo, a aprovação dele, o crivo da equipe de Madonna e, só então, as etapas de croqui, modelagem e confecção.
Um detalhe chama atenção do ponto de vista de gestão: o projeto original previa apenas o figurino de Ronaldo. Foi durante os ensaios que a dupla descobriu, por meio da própria Madonna, que Ronaldinho Gaúcho também entraria em cena e havia pedido uma versão semelhante do look, com outra combinação de cores. Ou seja, o escopo do trabalho mudou de última hora, no meio da execução, e a equipe precisou se adaptar sem comprometer prazo nem qualidade.
Como a dupla lidou com prazo e sigilo
Um ponto que merece atenção de qualquer gestor é a forma como a informação foi tratada dentro da própria empresa. Gabriel passou 42 dias acompanhando Ronaldo e Celina Locks durante toda a Copa, mas apenas Julia tinha acesso aos detalhes da participação no espetáculo. Isso mostra uma prática comum em projetos sigilosos de grande porte: limitar o acesso à informação sensível mesmo dentro da própria equipe, distribuindo responsabilidades sem expor o conteúdo estratégico do trabalho a todos os envolvidos.
Do ponto de vista criativo, o conceito adotado foi reinterpretar a bandeira brasileira de forma contemporânea, sem cair em fantasia, respeitando ao mesmo tempo o estilo pessoal de cada atleta: cores sóbrias e tecidos nobres para Ronaldo, e uma proposta mais próxima do streetwear, com estampas e silhuetas mais ousadas, para Ronaldinho. Como a produção internacional não permitia a exposição de marcas nas peças, todo o conjunto foi confeccionado exclusivamente para aquela apresentação, o que exigiu ainda mais precisão no processo de aprovação, já que não havia margem para ajustes de última hora sem impactar o cronograma.
Por que isso importa para quem empreende
Esse tipo de história costuma ser lido apenas pelo viés do entretenimento, mas carrega um aprendizado direto para qualquer empresário: negócios pequenos, com sociedade consolidada e processos claros de aprovação, conseguem entrar em projetos de grande porte mesmo com prazo curtíssimo. A trajetória da GaJu Styling também reforça a importância de construir relacionamento de longo prazo com clientes, já que a confiança acumulada ao longo de anos foi o que abriu a porta para um convite dessa magnitude em cima da hora.
Vale ainda observar como a dupla tratou a mudança de escopo durante a execução. Muitos negócios travam quando o cliente pede algo além do combinado no meio do projeto. Aqui, a resposta foi rápida: adaptar o conceito já aprovado para uma segunda demanda, sem recomeçar o processo do zero, o que só foi possível porque o time tinha domínio total da própria metodologia de trabalho.
No fim, o episódio reforça que estrutura pequena não é sinônimo de limitação. Com organização, clareza de papéis dentro da sociedade e agilidade para responder a imprevistos, é possível entregar projetos que exigiriam, à primeira vista, uma operação muito maior. Para o seu negócio, fica o convite a olhar para dentro: seus processos estão prontos para responder rápido quando a oportunidade certa aparecer, mesmo que o prazo seja curto?
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