Como um empresário virou bilionário duas vezes no ramo alimentício
27/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 4 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um empresário que vendeu sua empresa e, em vez de se acomodar, começou tudo de novo no mesmo setor e teve ainda mais sucesso. Essa é a história de Peter Rahal, fundador da RxBar, marca de barras de proteína vendida para a Kellogg por US$ 600 milhões em 2017. Anos depois, ele criou uma nova empresa, a Medici Brands, que acaba de captar US$ 250 milhões com uma avaliação de US$ 2,25 bilhões, tornando Rahal bilionário. Para você que empreende, o caso mostra como reputação, timing e reinvenção podem valer tanto quanto a ideia original de um negócio.
O que aconteceu
Rahal começou a RxBar em 2013, na cozinha da casa dos pais, com um investimento inicial de apenas US$ 10 mil, ao lado do amigo de infância Jared Smith. O produto começou vendendo para praticantes de CrossFit e, quatro anos depois, a empresa foi comprada pela Kellogg por US$ 600 milhões. Rahal ficou com cerca de US$ 230 milhões líquidos dessa venda.
Depois de deixar a marca em 2018, ele enfrentou uma cláusula de não concorrência de cinco anos com a Kellogg, o que o impediu de atuar no mesmo mercado por um tempo. Nesse período, criou um family office para gerir seu patrimônio e investiu em outras marcas de alimentos, como a aveia Mush, a bebida Olipop (hoje avaliada em US$ 2 bilhões) e a pipoca LesserEvil, vendida à Hershey por US$ 750 milhões.
Assim que o acordo de não concorrência terminou, Rahal voltou ao setor de barras de proteína com um novo sócio, Zach Ranen, criando a marca David, lançada em setembro de 2024. O produto decolou rápido: em um ano, atingiu receita estimada em US$ 100 milhões e hoje está presente em cerca de 35 mil lojas, incluindo Walmart, Target e Costco.
Por que isso importa para o seu negócio
A Medici Brands, empresa que reúne a marca David e outras como a HallPass (doces com menos calorias e açúcar) e a Epogee (ingrediente substituto de gordura aprovado pelo órgão regulador de alimentos dos Estados Unidos), projeta ultrapassar US$ 300 milhões em receita até o fim de 2026. Segundo a empresa, esse seria o ritmo mais rápido já visto no setor de alimentos para atingir esse patamar.
Esse crescimento acelerado chama atenção porque a nova captação avaliou a Medici em cerca de 7,5 vezes sua receita, mais do que o dobro do múltiplo usado para vender a RxBar em 2017 e a concorrente Kind em 2020. Ou seja, o mercado está disposto a pagar bem mais caro por empresas de alimentos com marca forte e crescimento rápido, o que é um sinal importante para quem constrói um negócio nesse setor: a marca, e não só o produto, tem se tornado um ativo cada vez mais valorizado nas negociações.
Ainda assim, o próprio texto da reportagem original faz um alerta relevante: consumidores mudam de preferência com facilidade, e investidores também. Não há garantia de que a David ou a Medici serão vendidas no futuro por um múltiplo tão alto quanto o atual. Isso reforça que avaliações elevadas em rodadas de investimento refletem expectativa de crescimento, não um valor garantido de venda.
O que fica de lição prática
Para empresários e gestores, a história de Rahal traz um ensinamento direto: vender uma empresa não precisa significar o fim de uma trajetória empreendedora, e sim o início de um novo ciclo, muitas vezes fortalecido pela experiência e pela rede de contatos construída antes. A criação de um family office para investir em outras marcas do mesmo setor, mesmo durante o período de restrição por não concorrência, mostra como é possível manter-se ativo no mercado enquanto se planeja o próximo passo.
Se você lidera um negócio e pensa em vender, expandir ou recomeçar, vale observar como decisões de estrutura societária, participação acionária e construção de marca influenciam diretamente o valor que um negócio pode alcançar no futuro. Reputação e histórico de execução, como no caso de Rahal, tendem a atrair capital com mais facilidade em novas empreitadas.
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