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CBS nas notas fiscais: veja quem já se adaptou e o que falta ajustar

13/10/2026 09:003 min de leituraAtualizado há 1 hora

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Um levantamento divulgado pela Receita Federal mostra que a adaptação à reforma tributária já está bem avançada na emissão de documentos fiscais. Nos últimos 30 dias analisados, as empresas obrigadas a informar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) emitiram 3,7 bilhões de documentos com o tributo destacado, contra 600 milhões sem essa informação. Isso significa que 86% dos documentos já estão corretos quanto a esse ponto, um sinal de que a maior parte do mercado está se movimentando para cumprir a nova regra antes mesmo da cobrança efetiva do imposto.

Se você tem uma empresa e ainda não ajustou seus sistemas para destacar a CBS nas notas fiscais, esse dado serve como alerta: a maioria dos seus concorrentes e parceiros comerciais já fez essa adequação. Ficar para trás pode gerar inconsistências nas notas emitidas, problemas na escrituração fiscal e até questionamentos futuros por parte do Fisco.

O que os números mostram

Vale entender a diferença entre os dois indicadores divulgados. Os 86% representam a proporção de documentos fiscais emitidos com destaque da CBS, somando toda a base nacional. Já quando o olhar recai sobre os estabelecimentos, e não sobre os documentos, o panorama muda: dos 1.275.356 estabelecimentos que emitiram notas no período, 489.326 destacaram a CBS em todas as notas emitidas, e outros 365.826 informaram o tributo apenas em parte dos documentos. Somando os dois grupos, chega-se a 855.152 estabelecimentos, ou 67% do total analisado, o equivalente a dois em cada três negócios.

Essa diferença entre os percentuais mostra que, embora o volume de documentos corretos seja alto, ainda existe uma parcela relevante de estabelecimentos que não aplicou o destaque da CBS em nenhuma nota, ou que o fez de forma parcial. Na prática, isso indica que empresas maiores ou com sistemas mais automatizados tendem a emitir grandes volumes de notas já ajustadas, enquanto negócios menores ou com processos mais manuais podem estar atrasados na adaptação.

Adaptação por tipo de documento fiscal
87%CT-e (transporte de cargas)Maior percentual de adaptação entre os documentos analisados.
82%NFCom (telefonia, internet, TV)Serviços de comunicação também avançam bem na adequação.
81%NFC-e (varejo)Vendas ao consumidor final já destacam o tributo na maioria dos casos.
78%NF-e (indústria e atacado)Menor percentual entre os quatro tipos, aponta espaço para melhoria.

Essa diferença entre os tipos de documento ajuda a entender onde estão os gargalos. Transporte de cargas e serviços de comunicação lideram a adaptação, enquanto a NF-e, usada por indústrias, atacadistas e distribuidores, aparece com o percentual mais baixo entre os quatro. Se o seu negócio atua nesses setores, vale reforçar a atenção aos sistemas de emissão, já que a defasagem pode indicar processos internos que ainda precisam de ajustes.

Quem precisa ficar atento

É importante lembrar que essa obrigação não alcança todas as empresas. Quem é optante do Simples Nacional não precisa destacar a CBS em 2026 e, por isso, ficou de fora desse levantamento. Se esse é o seu caso, não há motivo para preocupação imediata com esse ponto específico, mas o acompanhamento das próximas etapas da reforma continua sendo necessário, já que as regras evoluem ano a ano.

Para as empresas que já estão obrigadas, o cronograma da reforma tributária segue avançando. A cobrança efetiva da CBS começa em 2027, quando também tem início a transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo. O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) será implantado de forma gradual, com vigência integral prevista para 2033, após a redução progressiva do ICMS e do ISS entre 2029 e 2032.

Como se preparar

Diante desse cenário, o momento é de revisar processos internos e não esperar a cobrança efetiva do tributo para fazer ajustes. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS orientam que as empresas planejem as adaptações necessárias em seus sistemas e processos de emissão fiscal, respeitando as obrigações e os prazos que se aplicam a cada caso. Contar com orientação contábil especializada pode evitar erros de preenchimento, retrabalho e eventuais problemas com o Fisco à medida que novas etapas da reforma entram em vigor.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.