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Canadá investe em pesquisa sobre cannabis e efeitos no cérebro

21/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 13 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Canadá anunciou um investimento de US$ 24 milhões (cerca de R$ 90,24 milhões) para criar o primeiro consórcio nacional de pesquisa dedicado a entender como o uso de cannabis afeta a saúde do cérebro. A iniciativa é financiada pelo Ministério da Saúde canadense por meio dos Institutos Canadenses de Pesquisa em Saúde e reúne dez equipes multidisciplinares espalhadas pelo país.

Embora a notícia venha de fora do Brasil, ela chama atenção porque mostra como o amadurecimento de um mercado legalizado de cannabis, com bilhões de dólares em vendas e forte arrecadação de impostos, acaba gerando também a necessidade de mais estudos e regras baseadas em evidências. É um caminho que outros países, inclusive o Brasil, vêm observando de perto conforme o debate sobre regulamentação avança por aqui.

O que motivou o investimento

O Canadá legalizou o uso recreativo da cannabis em 2018 e hoje tem um mercado regulamentado com mais de 3.000 dispensários. Apesar da ampla adoção, ainda há dúvidas sobre os efeitos do consumo na saúde mental e no bem-estar, principalmente entre jovens, gestantes, usuários frequentes e pessoas com maior risco de transtornos mentais. Foi justamente essa lacuna de conhecimento que levou o governo a financiar o novo consórcio de pesquisa.

Segundo a ministra da Saúde do Canadá, Marjorie Michel, o objetivo é reunir pesquisadores de todo o país para produzir conhecimento que ajude a melhorar o atendimento médico, orientar políticas públicas e apoiar a saúde da população. O consórcio vai investigar temas como efeitos no sono, exposição pré-natal e possíveis usos terapêuticos da cannabis no tratamento de psicose, transtorno de estresse pós-traumático e epilepsia.

Um mercado legal em expansão

Os números do mercado canadense ajudam a entender por que o tema ganhou prioridade. As vendas de cannabis cresceram 6,1% no ano fiscal 2024/2025 em relação ao período anterior, somando US$ 5,5 bilhões (R$ 20,68 bilhões), alta de 37,1% em três anos. Os governos federal e provinciais arrecadaram US$ 2,5 bilhões (R$ 9,4 bilhões) em impostos, um avanço de 11,5% na comparação anual.

O mercado legal de cannabis no Canadá
R$ 20,68 bivendas no ano fiscal 2024/2025alta de 6,1% em relação ao período anterior.
R$ 9,4 biarrecadação tributáriaavanço de 11,5% na comparação anual.
78%compras em fontes legaissegundo pesquisa divulgada no ano anterior.

Além do impacto econômico, os dados mostram que a legalização também tem cumprido parte do papel de reduzir o mercado ilegal: pesquisa recente apontou que 78% dos usuários canadenses de cannabis compram o produto em fontes legais, e outro levantamento de 2024 indicou percentual de 72% de compras no mercado regulamentado. O Ministério da Saúde do país also informou que mais de um em cada três adultos canadenses consome ou já consumiu cannabis.

Um exemplo prático de como o investimento será aplicado é o projeto da Universidade de Waterloo, que receberá US$ 2,4 milhões (R$ 9,02 milhões) para estudar riscos à saúde e funcionamento cerebral, com recrutamento de 3.000 pessoas para participar da pesquisa. Segundo o professor David Hammond, da Escola de Ciências da Saúde Pública da universidade, o estudo busca justamente preencher lacunas que ainda existem sobre o tema.

O crescimento do interesse científico não é exclusividade canadense. Um estudo de 2018 mostrou que, entre 2000 e 2017, as publicações científicas em geral cresceram 2,5 vezes, enquanto os trabalhos sobre cannabis avançaram 4,5 vezes e as pesquisas voltadas à cannabis medicinal tiveram alta de quase nove vezes. Outro levantamento identificou 29.802 artigos e revisões acadêmicas publicados entre 1829 e 2021, com a maior parte concentrada nas últimas duas décadas, período que coincide com o avanço da legalização em diversos países.

Para empresários e gestores que acompanham o setor, seja no Canadá ou de olho no debate brasileiro sobre regulamentação, o episódio reforça uma tendência: conforme o mercado de cannabis se expande e se formaliza, cresce também a exigência por dados científicos sólidos para embasar políticas públicas, práticas médicas e, eventualmente, decisões regulatórias que podem afetar negócios do setor.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.