Caged 1º semestre: emprego formal cresce, mas em ritmo menor
30/07/2026 14:304 min de leituraAtualizado há 34 dias
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
O mercado de trabalho formal brasileiro fechou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de 921.645 empregos com carteira assinada, segundo o Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O número elevou o estoque total de vínculos ativos no país para 48.032.308, o maior patamar da série recente. Na prática, isso significa que, apesar de sinais de desaceleração, o mercado formal seguiu absorvendo trabalhadores e ainda representa a principal porta de entrada para quem busca emprego com carteira assinada.
O detalhe que chama atenção é o ritmo. O resultado do primeiro semestre é o menor para o período desde 2020, ano marcado pelos efeitos da pandemia. Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, a criação de vagas caiu cerca de 25%. Ou seja: o mercado continua crescendo, mas em velocidade menor, o que pode refletir maior cautela das empresas na hora de contratar e um cenário econômico mais desafiador para expansão de equipes.
Quem puxou (e quem freou) a geração de vagas
O setor de Serviços foi o grande responsável pelo resultado positivo, com 571.926 novos postos e alta de 2,5% no estoque do setor. Dentro desse grupo, atividades ligadas a administração pública, defesa, seguridade social, educação e saúde concentraram boa parte das contratações, com 208.737 vagas. A Construção veio em seguida, com 168.962 postos e crescimento de 5,73%, impulsionada por obras de infraestrutura e edificações, um sinal de que investimentos nessa área seguem aquecidos.
Indústria e Agropecuária também contribuíram positivamente, com 143.442 e 40.853 empregos, respectivamente. Já o Comércio foi o único grande setor a fechar o semestre no vermelho, com saldo negativo de 3.514 postos. Para quem atua nesse ramo, o dado reforça a importância de rever estratégias de gestão de pessoal e acompanhar de perto o movimento do consumo, já que o setor não acompanhou o crescimento visto em serviços e construção.
Perfil de quem foi contratado
Os dados de junho mostram equilíbrio entre homens e mulheres nas contratações, com 72.569 vagas ocupadas por homens e 72.592 por mulheres. O destaque, porém, ficou com os jovens: trabalhadores de até 24 anos concentraram 86,4% do saldo positivo do mês, um total de 125.430 novas vagas. Isso é um indicativo importante para empresas que buscam programas de aprendizagem, estágio ou primeiro emprego, já que esse público segue sendo o mais beneficiado pelas contratações formais.
Em relação à escolaridade, trabalhadores com ensino médio completo lideraram as admissões, com 109.255 vagas, seguidos por quem tem ensino médio incompleto, com 15.185. Na distribuição por raça e cor, houve saldo positivo entre pardos, brancos, pretos e indígenas, com apenas o grupo de pessoas amarelas registrando resultado negativo. Esse retrato ajuda empresas a ajustar processos seletivos e políticas de diversidade com base no que realmente está acontecendo no mercado.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Saldo de empregos no 1º semestre de 2026 | 921.645 |
| Estoque total de vínculos ativos | 48.032.308 |
| Saldo em junho | 145.161 |
| Salário médio de admissão em junho | R$ 2.404,34 |
Sobre remuneração, o salário médio de admissão em junho ficou em R$ 2.404,34, alta de 0,7% frente a maio. Na comparação anual, o crescimento real foi de 1,2%. Para o empresário, esse movimento pode indicar leve pressão de custo na contratação de novos funcionários, algo que vale monitorar no planejamento salarial e orçamentário do próximo semestre.
São Paulo liderou a geração de vagas no semestre, com 252.558 postos, seguido por Minas Gerais e Paraná. Em termos proporcionais, Amapá, Acre e Mato Grosso se destacaram com os maiores crescimentos percentuais. Já em junho, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentraram os maiores saldos mensais, o que reforça a relevância desses mercados regionais para quem planeja expandir operações ou abrir filiais.
Na prática, os números do Novo Caged mostram um mercado de trabalho ainda em expansão, mas com sinais claros de desaceleração. Para o seu negócio, isso reforça a importância de acompanhar de perto os indicadores do setor em que você atua antes de tomar decisões sobre contratação, principalmente se estiver em Comércio, onde o cenário foi negativo, ou em Serviços e Construção, onde a demanda por mão de obra segue mais forte. Manter a folha de pagamento organizada, revisar processos de admissão e ficar atento ao perfil da mão de obra disponível, sobretudo jovens e profissionais com ensino médio completo, pode fazer diferença competitiva neste momento de mercado mais seletivo.
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