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Café: por que a oferta mundial segue "confortável" mesmo com atrasos no Brasil

31/08/2026 15:022 min de leituraAtualizado há 2 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você trabalha com café, seja produzindo, comercializando ou torrando, uma notícia do banco holandês Rabobank merece atenção: apesar de dificuldades pontuais no Brasil e na Colômbia, a perspectiva para a oferta mundial do produto continua sendo classificada como confortável. Isso significa que, olhando para frente, não deve faltar café no mercado, mas o caminho até lá está mais lento do que se esperava.

O que diz o relatório

Em relatório trimestral divulgado nesta segunda-feira, o Rabobank informou que mantém a expectativa de um excedente global de 8,9 milhões de sacas de 60 kg na safra 2026/27, que vai de outubro a setembro. Ou seja, a produção mundial deve superar o consumo nesse período, o que tende a aliviar pressões de preço no médio prazo.

O problema, segundo o banco, não é a quantidade de café que está sendo produzida, mas a velocidade com que esse café está saindo dos países produtores e chegando aos compradores. Atrasos na colheita no Brasil e transtornos causados por um terremoto na Colômbia dificultaram o escoamento dos grãos, o que gera um descompasso temporário entre oferta e disponibilidade real no mercado.

Impacto nos estoques e no comércio

Esse atraso logístico tem uma consequência prática: os estoques de café arábica certificado na bolsa ICE, referência internacional de preços, devem continuar em níveis baixos por mais algumas semanas. O Rabobank é direto ao afirmar que não deve haver uma reposição significativa desses estoques antes de novembro.

O que o relatório do Rabobank aponta
8,9 milhões de sacasexcedente projetadoSobra estimada para a safra 2026/27, de outubro a setembro.
Novembrohorizonte de reposiçãoMês a partir do qual pode haver reposição relevante dos estoques certificados.

Para quem depende do café no dia a dia do negócio, seja como produtor rural, exportador, distribuidor ou dono de cafeteria, esse cenário traz uma mensagem em duas camadas. No longo prazo, a tendência é de mais oferta disponível, o que normalmente favorece preços mais estáveis ou em queda. No curto prazo, porém, a escassez temporária de estoques certificados pode manter os preços mais voláteis nas próximas semanas, já que o mercado físico ainda sente o efeito dos atrasos na colheita e no transporte.

Vale lembrar que os estoques certificados na bolsa ICE funcionam como um termômetro importante para o mercado internacional de café, pois indicam a quantidade de grãos disponíveis e com qualidade atestada para negociação imediata. Quando esses estoques estão baixos, como é o caso agora, isso pode gerar mais nervosismo nos preços, mesmo que a perspectiva geral de produção seja positiva.

O que observar daqui para frente

Se o seu negócio compra, vende ou exporta café, o recomendável é acompanhar de perto a evolução da colheita brasileira e o andamento da retomada logística na Colômbia. A expectativa do Rabobank é de que a normalização comece a aparecer somente a partir de novembro, o que pode servir como referência para planejar compras, contratos e formação de estoque próprio nos próximos meses.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.