Pular para o conteúdo
VoltarCuriosidades

Café arábica deve ficar mais barato até o fim do ano: entenda o impacto

24/08/2026 11:204 min de leituraAtualizado há 9 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se o seu negócio depende de café, atenção a uma notícia que pode aliviar os custos nos próximos meses. Uma pesquisa feita pela Reuters com analistas e corretores do mercado projeta queda de 8,8% no preço do café arábica até o fim do ano, puxada principalmente por uma safra recorde esperada no Brasil. Ao mesmo tempo, o café robusta, usado em instantâneo e bebidas prontas, deve seguir na direção oposta e ficar mais caro. Entender essas duas tendências ajuda quem compra, vende ou processa café a se planejar melhor.

O que muda

O café arábica é a variedade mais suave, usada por marcas como Starbucks e Nespresso, e costuma custar mais caro que o robusta. Segundo a pesquisa, os contratos futuros negociados na bolsa ICE devem fechar o ano em torno de US$ 3 por libra-peso, valor abaixo dos US$ 3,293 registrados no fechamento da sexta-feira anterior à divulgação. Já o robusta deve subir cerca de 4,6% no mesmo período, chegando a US$ 3.900 por tonelada métrica. Ou seja, o cenário é de alívio para quem trabalha com arábica e de pressão para quem depende do robusta.

O principal motivo por trás da queda projetada no arábica é a expectativa de uma safra brasileira recorde, estimada em 75 milhões de sacas. Mais café disponível tende a segurar os preços. Mas os analistas alertam que essa previsão não é garantida: tudo depende do comportamento do El Niño, fenômeno climático que pode afetar a floração da próxima safra brasileira, a de 2027/28. Se a florada acontecer normalmente, os preços podem cair ainda mais, chegando à faixa de US$ 2,30 a US$ 2,60. Se houver problemas climáticos, o efeito pode ser o contrário, com preços mais altos que os atuais.

Projeções do mercado de café até o fim do ano
-8,8%preço do arábicaQueda esperada em relação aos valores atuais, para cerca de US$ 3 por libra-peso.
+4,6%preço do robustaAlta prevista, chegando a US$ 3.900 por tonelada métrica.
75 milhõessacas na safra brasileiraPrevisão mediana dos analistas, apontando para uma colheita recorde.

Quem é afetado

Cafeterias, torrefadoras, exportadores e produtores rurais que trabalham com arábica estão diretamente ligados a essa oscilação. Uma queda no preço internacional pode representar redução de custo de insumo para negócios que compram o grão, mas também menor receita para quem produz e exporta. Já quem atua com robusta, como fabricantes de café instantâneo e bebidas prontas para consumo, deve se preparar para um cenário de custos crescentes, o que pode pressionar margens ou exigir repasse de preços ao consumidor final.

Um ponto chamado de atenção pelos analistas é o comportamento dos produtores brasileiros. Mesmo com fartura de café no campo, muitos produtores mais capitalizados não têm pressa para vender, já que os custos de produção já estão cobertos e o Brasil oferece armazenagem barata em comparação a outros países. Isso significa que, mesmo havendo estoque suficiente, o ritmo de venda pode ser mais lento do que o esperado, o que também influencia os preços no curto prazo.

Prazos e riscos a observar

As projeções valem para o período até o fim do ano, mas os próprios analistas reconhecem grande imprevisibilidade, especialmente para o arábica. As estimativas de preço variam de US$ 2,50 a US$ 3,90 por libra-peso, uma faixa ampla que mostra como o mercado ainda está incerto. O fator decisivo será o comportamento do El Niño nos próximos meses, principalmente durante a floração da safra 2027/28 no Brasil. Além disso, os estoques de café nos principais mercados consumidores, como Estados Unidos, Europa e Japão, seguem baixos, o que deixa o mercado global mais sensível a qualquer imprevisto climático ou logístico.

Se o clima cooperar e a logística funcionar normalmente, a expectativa dos analistas é de melhora nos estoques mundiais, o que reforça a tendência de queda nos preços do arábica. Mas qualquer choque, seja uma geada, seca ou problema de transporte, pode reverter esse cenário rapidamente, dado o nível ainda apertado de reservas nos países compradores.

Para o seu negócio, o recado prático é: acompanhe de perto as notícias sobre clima no Brasil e sobre os estoques internacionais nos próximos meses antes de fechar contratos de compra ou definir preços de venda com muita antecedência. Se você trabalha com arábica, pode ser um bom momento para negociar prazos mais flexíveis, já que a tendência apontada é de queda. Se depende de robusta, vale considerar ajustes de preço ou renegociação de contratos com fornecedores, já que a alta parece mais consolidada entre os analistas ouvidos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.