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BTG revê PIB de 2026 para baixo e vê dívida pública subindo mais

08/09/2026 10:574 min de leituraAtualizado há 12 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O BTG Pactual revisou para baixo sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, de 2% para 1,8%, e também reduziu a expectativa para 2027, que passou a 1,1%. A revisão chama atenção porque vem justamente depois de um resultado do PIB do segundo trimestre melhor do que o banco esperava. Para quem administra uma empresa, o recado é direto: mesmo com números aparentemente positivos no retrovisor, o cenário à frente é de economia mais fraca e crescimento menor de demanda.

Por que o crescimento "bom" não é tão bom assim

O PIB avançou 0,5% no segundo trimestre, um pouco acima da previsão do banco. Mas, segundo os economistas Mansueto Almeida e Samuel Pessôa, essa surpresa positiva veio de setores que pouco têm a ver com o consumo do dia a dia das famílias e das empresas, como agropecuária e indústria extrativa. Já os setores mais sensíveis ao crédito e aos juros, que costumam refletir melhor a saúde do consumo e dos negócios, tiveram desempenho fraco: o consumo das famílias caiu 0,4% e a construção civil recuou 0,4% no trimestre. O investimento cresceu 1,2%, mas o banco atribui parte desse resultado à importação de máquinas e equipamentos, não necessariamente a uma retomada mais ampla de obras e negócios.

Na prática, isso significa que setores como comércio, serviços ligados ao consumo e construção civil devem sentir mais o peso da desaceleração do que os números gerais do PIB sugerem. Se seu negócio depende de crédito, de vendas ao consumidor final ou de obras, vale planejar 2026 com cautela, sem se deixar levar por manchetes de PIB "acima do esperado".

Juros altos por mais tempo e inflação pressionada

Apesar da economia mais fraca, o BTG não vê espaço para queda forte da inflação. A projeção do banco para 2026 ficou em 5,2%, acima do centro da meta de 3% e também acima do teto de tolerância, de 4,5%. Para 2027, a estimativa é de 4,4%, também superior ao esperado pelo mercado. Entre os fatores de risco citados estão combustíveis e alimentos, influenciados pelo conflito no Irã e pelo El Niño, além de uma possível pressão adicional caso seja aprovado o fim da escala de trabalho 6x1.

Com esse quadro, o banco espera que o Banco Central reduza a Selic em apenas 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, mantendo a taxa estável nas reuniões seguintes. Isso faria os juros terminarem 2026 em 13,75% ao ano, mesmo nível projetado pelo mercado no Boletim Focus. Para empresas que dependem de financiamento, capital de giro ou crédito para investimento, isso confirma um cenário de custo do dinheiro elevado por um bom tempo, sem alívio significativo no curto prazo.

Dívida pública em alta pressiona o cenário

O BTG também revisou para cima suas estimativas de dívida bruta do governo: de 82,6% para 83,2% do PIB em 2026, e de 86,8% para 87,6% em 2027. O banco atribui essa piora ao custo elevado das novas emissões de dívida, à ampliação de linhas de crédito subsidiado e a uma expectativa menor de PIB nominal. Segundo a instituição, o ritmo atual de crescimento do endividamento é insustentável e ajuda a explicar por que os juros de longo prazo têm dificuldade de cair de forma mais expressiva.

Cenário do BTG para 2026 e 2027
1,8%crescimento do PIB em 2026revisado de 2%, mesmo após surpresa positiva no 2º trimestre.
5,2%inflação estimada para 2026acima do teto da meta, de 4,5%.
13,75%Selic esperada no fim de 2026poucos cortes previstos até o fim do ano.
83,2%dívida pública sobre o PIB em 2026revisada para cima, dificultando queda maior dos juros.

O câmbio também segue no radar: o banco manteve a projeção de dólar a R$ 5,40 no fim de 2026, valor mais alto do que os R$ 5,20 esperados pelo mercado no Focus. Um dólar mais caro tende a pressionar custos de empresas que dependem de insumos importados, ao mesmo tempo em que pode favorecer negócios ligados à exportação.

Para o seu planejamento financeiro, o conjunto dessas revisões do BTG reforça um cenário de crescimento mais lento, juros elevados por mais tempo, inflação ainda pressionada e uma dívida pública em trajetória de alta. Isso significa que decisões como renegociar dívidas, revisar prazos de investimento e reforçar o controle de custos tendem a ganhar ainda mais importância na virada para 2026. Acompanhar de perto essas projeções, e ajustar o planejamento do seu negócio sempre que novos números forem divulgados, é uma forma de reduzir riscos em um ambiente econômico que segue desafiador.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.