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Boom de data centers no Brasil: onde estão e por que isso importa para empresas

25/08/2026 05:014 min de leituraAtualizado há 9 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Brasil está no meio de um dos maiores ciclos de investimento em data centers de sua história, e isso tem efeito direto sobre o custo e a qualidade dos serviços de nuvem, armazenamento e tecnologia que sua empresa usa no dia a dia. Um levantamento da JLL, empresa global de serviços imobiliários, mostra que o país fechou o primeiro semestre de 2026 com 706 megawatts (MW) de capacidade instalada, mais de seis vezes o volume registrado em 2012. A expectativa é que esse número dobre até 2030, com cerca de US$ 17,4 bilhões (R$ 89 bilhões) em novos investimentos.

Onde está concentrado esse mercado

São Paulo é hoje o principal polo de data centers do Brasil e da América Latina, concentrando 38% de toda a capacidade em megawatts do país. Junto com Barueri e Campinas, forma o eixo mais forte do setor, e a tendência é de que essa concentração aumente: a previsão é de crescimento de 82,5% em São Paulo e Barueri e de 60,9% em Campinas até 2028. Só no primeiro semestre de 2026, entraram em operação 106 MW novos, sendo 75 MW em Campinas e 31 MW em São Paulo e Barueri, o que já projeta 2026 como um ano recorde para o setor.

Outros mercados regionais também crescem, mas partem de bases menores. Desde 2019, Porto Alegre teve o maior salto percentual (1.038%, ainda que a partir de um volume pequeno), seguido por Campinas (867%). São Paulo, Barueri e Rio de Janeiro pouco mais que dobraram de tamanho no período, enquanto Fortaleza cresceu cerca de 45%. Essa distribuição geográfica importa para o seu negócio porque influencia diretamente onde ficam armazenados os dados que sua empresa usa e qual a distância (e a velocidade) até esses servidores.

Quem controla o mercado

Um número pequeno de empresas domina a oferta de data centers no país. Atualmente, três companhias somam 70% da capacidade operacional em colocation (modelo em que várias empresas hospedam seus equipamentos no mesmo data center): Ascenty (30%), Odata (20%) e Scala (18%). Equinix e Elea Digital têm 9% cada, e o restante fica dividido entre operadoras menores. Essa concentração deve mudar no segundo semestre de 2026, quando a Scala inaugura novas instalações em Barueri e passa a liderar o mercado, somando cerca de 800 MW entre capacidade entregue, em obras e projetos planejados, sem contar um projeto adicional de grande porte batizado de Scala AI City.

O mercado brasileiro de data centers em números
706 MWcapacidade instaladaseis vezes mais que em 2012, com crescimento de 15% ao ano.
4%taxa de vacânciaindicando pouca capacidade ociosa no país.
US$ 17,4 biinvestimento previsto até 2030para dobrar o tamanho do mercado, chegando a 660 MW em construção.

Esse movimento de concentração tem relação direta com um outro fenômeno: a expansão das chamadas hyperscalers, as grandes empresas de tecnologia que operam nuvem em escala global. A locação de espaço por essas companhias saltou de cerca de 230 MW em 2021 para 780 MW no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 64% apenas desde 2025. Segundo a JLL, essas empresas atuam em duas frentes ao mesmo tempo: alugam capacidade de operadoras já instaladas e também constroem seus próprios data centers, o que ajuda a explicar a corrida por novos empreendimentos no país.

O que isso significa na prática para empresas

A vacância baixa de imóveis de data center no Brasil, de apenas 4% em média, mostra que a demanda está superando a oferta disponível, especialmente nos polos mais fortes: Campinas tem vacância de 1% e São Paulo/Barueri, de 6%. Já em mercados que ainda estão amadurecendo, como Fortaleza (25%), Brasília (9%) e Porto Alegre (40%), há mais espaço disponível, refletindo capacidade entregue à frente da demanda contratada. Isso se reflete nos preços: conforme o levantamento, Fortaleza pratica os valores mais altos de locação em todas as faixas de contrato, enquanto São Paulo, Barueri e Campinas têm os preços mais competitivos, beneficiados pela restrição de oferta e pelas altas taxas de pré-locação dos empreendimentos em construção. Em 2026, 56% do novo estoque em construção já está pré-locado, o que mostra o forte apetite do mercado.

Para empresas que dependem de serviços de nuvem, hospedagem ou processamento de dados, esse cenário indica que a infraestrutura brasileira segue em expansão robusta, mas concentrada geograficamente e em poucos operadores. O relatório também destaca fatores que sustentam essa posição do Brasil, como a rede de cabos submarinos que chegam por Fortaleza, Rio de Janeiro e Santos, conectando o país a outros continentes com baixa latência, além da disponibilidade de terrenos e energia limpa a custo reduzido. O setor também aguarda a aprovação, pelo Congresso, do Redata, um incentivo fiscal voltado especificamente para data centers.

Se sua empresa usa serviços em nuvem, contrata data centers ou depende de infraestrutura digital para operar, vale acompanhar esse movimento: a expansão do setor tende a aumentar a oferta e a concorrência no médio prazo, mas a concentração em poucas regiões e operadoras pode manter os preços pressionados em locais de alta demanda, como São Paulo e Campinas, no curto prazo.

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