Bolsa-auxílio de estágio 2026: quanto pagam por região e curso
13/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 21 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você contrata estagiários ou pretende estruturar um programa de estágio na sua empresa, entender a lógica de remuneração desse público virou questão estratégica. Um levantamento recente da Companhia de Estágios mostra que a bolsa-auxílio média paga no Brasil, quando comparada proporcionalmente às horas trabalhadas, já supera a base do salário mínimo pago a um trabalhador formal. Isso muda o cálculo de custo e de competitividade para quem disputa talentos em início de carreira.
Os números variam bastante de acordo com a região do país, o setor de atuação e até o curso de graduação do estudante. Para empresários e gestores de RH, esse mapa é um ponto de partida importante para definir orçamento, evitar perda de candidatos qualificados para a concorrência e ajustar expectativas sobre o que o mercado está pagando.
O que mostram os números por região
A região Sudeste continua pagando as bolsas mais altas do país, com média de R$ 2.009,09 em 2026, mesmo com uma queda de 3,13% em relação ao ano anterior. O destaque, porém, foi o Norte, que teve alta de 14,6% e passou a ocupar a segunda posição no ranking nacional, com R$ 1.674,80, depois de ter registrado a menor média do país em 2025. O Sul também subiu, para R$ 1.637,83.
Já o Nordeste e o Centro-Oeste tiveram queda nas médias pagas: R$ 1.562,51 e R$ 1.511,69, respectivamente, sendo o Centro-Oeste a região com a maior retração percentual. Segundo o CEO da Companhia de Estágios, Tiago Mavichian, essas variações refletem a dinâmica econômica de cada região e a disputa por talentos nos polos de desenvolvimento locais.
| Região | Bolsa média 2026 | Variação |
|---|---|---|
| Sudeste | R$ 2.009,09 | -3,13% |
| Norte | R$ 1.674,80 | +14,6% |
| Sul | R$ 1.637,83 | +2,38% |
| Nordeste | R$ 1.562,51 | -1,91% |
| Centro-Oeste | R$ 1.511,69 | -2,13% |
Setor e curso pesam mais que a região
Ao olhar por área de atuação, o setor financeiro paga isoladamente as maiores bolsas: R$ 3.055,62 em finanças e R$ 2.889,10 em bancos de investimento. A tecnologia vem em seguida, com média de R$ 2.746,49. Segundo Mavichian, esse é um mercado competitivo, que disputa os mesmos perfis de candidatos e usa a remuneração como arma nessa briga por talentos.
Setores mais dependentes de ciclos econômicos, como a indústria automobilística (R$ 1.648,65) e o segmento de óleo e gás (R$ 1.577,27), aparecem com as médias mais baixas. Vale lembrar que a legislação brasileira exige o pagamento de bolsa-auxílio ao estagiário, mas não fixa um valor mínimo, o que explica essa oscilação natural conforme a demanda de cada setor.
Entre os cursos de graduação, a enfermagem chama atenção pela valorização na reta final do curso: estudantes do terceiro ao quinto ano viram a bolsa subir para R$ 2.423,69, um salto de quase 47% em relação ao início da faculdade. O motivo é a escassez de profissionais de saúde, que faz as empresas anteciparem uma remuneração próxima ao piso da categoria para garantir a contratação logo após a formatura. Secretariado executivo (R$ 2.417,80) e economia (R$ 2.403,03) também aparecem entre os cursos mais bem remunerados, enquanto jornalismo, letras e educação física ficam nas faixas mais baixas, entre R$ 1.197,30 e R$ 1.634,69.
O que isso significa para quem contrata
O levantamento também mostra uma diferença entre gêneros: mulheres já são 53,49% dos estagiários no país, mas recebem em média R$ 1.895,49, contra R$ 1.972,67 dos homens. Segundo Mavichian, a diferença não é discriminação direta, mas reflexo da concentração de homens em áreas de exatas, tecnologia e finanças, que pagam mais, enquanto as mulheres predominam em humanidades e serviços. Ainda assim, ele destaca que as mulheres já lideram matrículas, aprovações e efetivações, o que indica uma mudança estrutural em andamento.
Para o empresário, o recado prático é que o valor da bolsa não é o único fator de atração hoje. Segundo o levantamento, as gerações mais jovens valorizam flexibilidade de trabalho e investimento real em desenvolvimento, como mentoria e treinamento interno. Empresas que querem competir por bons estagiários sem necessariamente pagar as bolsas mais altas do mercado podem compensar isso com programas estruturados de capacitação e um plano claro de efetivação.
Na hora de planejar o programa de estágio da sua empresa, vale usar esses números como referência de mercado, mas também avaliar o que sua região e seu setor realmente pagam, já que a variação entre eles é grande. Ajustar a bolsa-auxílio ao perfil que você quer atrair, e complementar com diferenciais como capacitação em ferramentas atuais (a exemplo de inteligência artificial aplicada à área), pode ser mais eficiente do que simplesmente acompanhar a média nacional.
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