Aumento em saídas definitivas do país: entenda o que a Receita esclareceu
20/08/2026 06:353 min de leituraAtualizado há 14 dias
Fonte: Receita Federal · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.
A Receita Federal divulgou nota para esclarecer um dado que ganhou repercussão recente: o crescimento nos registros de saída definitiva do país. Segundo o órgão, esse aumento não significa que mais brasileiros estejam deixando o país agora. Na maioria dos casos, trata-se de pessoas que já moravam no exterior há algum tempo, mas que só agora estão regularizando essa situação junto ao fisco.
Para quem tem sócios, familiares ou colaboradores vivendo fora do Brasil, ou mesmo pretende se mudar no futuro, entender essa diferença é importante. A regularização da saída definitiva tem efeitos diretos sobre a forma como a pessoa é tributada e sobre a proteção de seus direitos, tanto no Brasil quanto no país onde passou a residir.
Por que os números subiram
De acordo com a Receita Federal, o aumento nas regularizações tem explicações concretas. Nos últimos anos, o governo lançou ações voltadas à atualização de ativos mantidos no exterior e à repatriação de recursos, como as regras sobre offshores e programas como o Rerct e o Rearp. Essas iniciativas, mesmo sem ter como foco direto a saída definitiva, acabaram incentivando quem já vivia fora do país a colocar sua situação fiscal em dia.
Outro fator citado foi a circulação de informações falsas sobre um supposto rastreamento de brasileiros no exterior. Esse boato foi desmentido pela própria Receita Federal, que aproveitou o momento para reforçar as orientações sobre como fazer a regularização correta. Ou seja, parte do movimento observado nos dados é resultado direto do esforço de comunicação do órgão, e não de uma fuga repentina de contribuintes.
A Receita também destaca que o número de saídas definitivas regularizadas continua pequeno se comparado ao total de contribuintes domiciliados no Brasil. O aumento percentual chama atenção, mas o volume absoluto ainda é marginal dentro do universo de declarantes do país.
Quem precisa ficar atento
Isso não quer dizer que o tema perca relevância. A mobilidade de pessoas e recursos entre países vem crescendo no mundo todo, e os fiscos de diferentes nações têm se organizado para acompanhar esse movimento, inclusive por meio de acordos de troca de informações que ajudam a evitar perda de receita tributária entre os países.
A Receita Federal reforça que continua monitorando, orientando e, quando necessário, autuando quem tentar simular residência no exterior para escapar de obrigações tributárias no Brasil. Empresários e profissionais que têm negócios ou rendimentos em outros países devem manter atenção redobrada a esse ponto, já que a fiscalização sobre domicílio fiscal tende a seguir ativa.
Quem está deixando definitivamente o país deve comunicar isso ao órgão através do canal indicado pela Receita.
No ano seguinte à saída, acesse o sistema da declaração do Imposto de Renda e envie a Declaração de Saída Definitiva do País.
Esses procedimentos são obrigatórios e garantem que seus direitos sejam preservados também perante o fisco do país onde você passa a residir.
Vale reforçar que esses procedimentos não são apenas uma formalidade burocrática. Eles protegem quem muda de domicílio fiscal, evitando problemas futuros tanto com a Receita Federal quanto com as autoridades tributárias do novo país de residência. Empresários com sócios ou representantes legais no exterior devem verificar se essa regularização foi feita corretamente, já que pendências nesse processo podem gerar complicações em declarações futuras.
Se você ou alguém da sua empresa está nessa situação, o caminho é simples: comunicar a saída à Receita Federal e, no ano seguinte, enviar a declaração específica no sistema do Imposto de Renda. Manter esse processo em ordem evita dores de cabeça e garante segurança jurídica em ambos os países envolvidos.
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