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Alta no preço dos alimentos em 2024: causas e quem sente o impacto

05/08/2026 15:513 min de leituraAtualizado há 28 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de E-commerce e Marketplace, atualizado a cada mudança de norma.

Uma combinação de fatores externos está prestes a pressionar novamente os preços dos alimentos no mundo todo, e isso deve chegar ao seu negócio nos próximos meses. Segundo o economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Maximo Torero, as tensões no Irã e na Ucrânia, somadas ao fenômeno climático El Niño, estão criando uma combinação perigosa: custos mais altos de produção e safras menores. O resultado esperado é uma nova onda de inflação de alimentos, que deve se intensificar até o fim deste ano e se agravar ainda mais no próximo.

Se você trabalha com alimentação, varejo, indústria de transformação ou qualquer negócio que dependa de insumos agrícolas, vale entender por que essa calmaria recente nos preços é passageira e o que isso pode significar para o seu planejamento financeiro.

O que está por trás da alta

O petróleo mais caro afeta praticamente toda a cadeia de produção de alimentos: é usado para bombeamento de água, embalagem, processamento e transporte das mercadorias. Já o gás natural é insumo essencial na fabricação de fertilizantes, e sua escassez em algumas regiões, somada aos danos na infraestrutura de petróleo e gás causados pela guerra na Ucrânia, está restringindo as exportações de diesel e fertilizantes no mercado global.

Segundo Torero, o tempo médio entre a alta no preço das commodities e o repasse ao consumidor final é de três a seis meses. Ou seja, mesmo que os preços de trigo, milho e arroz ainda reflitam safras relativamente boas, os efeitos das dificuldades atuais devem aparecer nas prateleiras em breve. E como os preços de commodities são definidos globalmente, o impacto chega a todos os países, incluindo o Brasil, mesmo que nações mais ricas tenham mais fôlego financeiro para amortecer o choque nos produtores.

Quem sente o impacto primeiro

Produtores rurais estão entre os mais afetados diretamente. Com margens cada vez mais apertadas, muitos já estão revendo decisões de plantio: no Estados Unidos, por exemplo, alguns produtores estão migrando para soja, que exige menos fertilizante do que milho e trigo. Já a Austrália, um dos maiores exportadores de grãos do mundo, projeta queda de 21% na safra de inverno, resultado direto do encarecimento de combustíveis e fertilizantes.

O El Niño deste ano deve ser particularmente forte, alterando significativamente os padrões de chuva em diversas regiões produtoras. Na Índia, a monção já está atrasada, com previsão de chuvas abaixo da média, o que pode comprometer a produção de arroz e pressionar ainda mais os custos globais.

Para empresas brasileiras, esse cenário se traduz em um risco concreto: aumento no custo de matérias-primas agrícolas, insumos importados e frete, mesmo que a produção nacional de alguns itens não seja diretamente afetada pelos eventos climáticos citados. Setores como alimentação, panificação, distribuição e indústria alimentícia tendem a sentir primeiro esse repasse de custos.

Como se preparar

Diante desse cenário, o momento pede atenção redobrada ao planejamento financeiro e tributário do seu negócio. Reveja contratos de fornecimento, avalie a possibilidade de renegociar prazos e condições com fornecedores antes que os reajustes se tornem inevitáveis, e monitore de perto sua margem de lucro em produtos que dependem de commodities agrícolas ou energéticas.

Também é hora de revisar seu fluxo de caixa e considerar cenários de aumento de custo ao projetar preços e contratos para o segundo semestre e para 2024. Se sua empresa trabalha com importação de insumos ou depende de logística internacional, vale conversar com seu contador para simular o impacto de diferentes cenários de custo sobre sua carga tributária e sobre a formação de preços, evitando surpresas no caixa quando o repasse chegar ao consumidor final.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.