Pular para o conteúdo
VoltarCuriosidades

Alta do milho e trigo nos EUA pode encarecer alimentos no Brasil e no mundo

26/08/2026 04:574 min de leituraAtualizado há 8 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um novo choque nos preços dos alimentos pode estar em formação, e desta vez a origem não está na pandemia, mas nas lavouras dos Estados Unidos, nos mercados globais de commodities e em rotas de comércio agrícola estratégicas. Para quem gerencia um negócio de alimentação, seja um restaurante, uma indústria alimentícia ou um comércio que depende de insumos agrícolas, entender esse movimento agora pode evitar surpresas no caixa nos próximos meses.

O sinal mais claro vem do mercado de grãos. Mesmo com os Estados Unidos projetando uma das maiores safras de milho já registradas, cerca de 406,4 milhões de toneladas, os preços futuros de trigo e milho subiram com força em julho. O trigo negociado em Kansas City valorizou 13,15% no mês, o de Chicago 8,49%, e o milho 5,76%. Ou seja: mesmo diante de uma safra grande, o mercado está precificando mais risco, não menos.

O que está pressionando os preços

No caso do milho, o problema não é falta de produto, mas a redução da margem de segurança. O USDA reduziu a produtividade esperada da lavoura americana e cortou as projeções de estoque final para 2026/27 de 49,8 milhões de toneladas em maio para 42,0 milhões em agosto, uma queda de cerca de 15% em poucos meses. Ao mesmo tempo, a demanda por milho segue forte: para ração animal, para produção de etanol e para exportação. Como o milho está presente em praticamente toda a cadeia alimentar, de rações a adoçantes e alimentos processados, um aperto nesse mercado tende a se espalhar para proteínas animais, laticínios e produtos industrializados.

Já o trigo sofre um impacto mais direto de um fator geopolítico: a guerra entre Rússia e Ucrânia. Ataques a portos e infraestrutura no Mar Negro derrubaram as exportações de grãos da Ucrânia em 76% na primeira metade de agosto, na comparação com o ano anterior. Como resposta, os contratos futuros de trigo em Chicago subiram mais de 17% desde o início de julho. O ponto importante aqui é que não é preciso comprar trigo ucraniano diretamente para sentir esse efeito: quando um grande corredor de exportação fica menos confiável, compradores do mundo todo disputam alternativas, o frete e o seguro ficam mais caros, e esse custo extra se espalha pelo mercado global.

Some-se a isso um terceiro fator: o clima cada vez mais instável. Nos Estados Unidos, julho foi o mês mais quente em 132 anos de registros, com quase metade do território em situação de seca ao mesmo tempo em que outras regiões enfrentavam chuvas intensas e inundações. Esse padrão de extremos, seca em um lugar e excesso de água em outro, tem se tornado uma característica estrutural do risco agrícola, e não mais um evento pontual.

Sinais de alerta no mercado de grãos
-76%exportações de grãos da Ucrâniaqueda anual na primeira metade de agosto, por conflito no Mar Negro.
-15%margem de estoque de milho nos EUAredução projetada pelo USDA entre maio e agosto de 2026.
+17%trigo em Chicagoalta acumulada desde o início de julho.

Por que isso importa para quem vende comida

O momento é especialmente delicado para restaurantes e negócios de alimentação, que já operam com margens estreitas. Segundo dados citados na reportagem original, alimentos e mão de obra consomem cada um cerca de um terço da receita de um restaurante independente típico, sobrando apenas uma fatia pequena de lucro antes dos impostos. Desde a pandemia, os preços de alimentos no atacado seguem cerca de 35% acima do patamar pré-pandemia, enquanto o custo de mão de obra no setor subiu 41% no mesmo período. Como resultado, um terço dos operadores relatou não ter tido lucro no primeiro semestre de 2026, mesmo com os preços de cardápio subindo continuamente.

O problema é que essa estratégia de repassar custos para o preço final tem limite. Em algum ponto, o cliente passa a frequentar menos o estabelecimento, busca opções mais baratas ou simplesmente resiste a mais um reajuste. Por isso, especialistas do setor argumentam que a inflação de alimentos deixou de ser algo isolado, causado por um único fator, e passou a ser resultado da combinação entre clima, geopolítica, energia, mão de obra e cadeias de suprimentos funcionando ao mesmo tempo.

Como se preparar

Para empresários brasileiros que dependem de insumos agrícolas, seja na indústria, no varejo alimentício ou na alimentação fora do lar, o recado é claro: vale a pena revisar contratos de fornecimento, acompanhar de perto a formação de preços de commodities-chave para o seu negócio e simular cenários de reajuste antes que eles cheguem de forma inesperada. Negociar prazos mais longos com fornecedores, diversificar fontes de insumos e rever o mix de cardápio ou de produtos também são medidas que ajudam a reduzir o impacto de novas altas. Ficar de olho nesses sinais internacionais, mesmo quando parecem distantes da realidade brasileira, pode ser o diferencial entre se antecipar ao próximo aumento de custo ou ser pego de surpresa por ele.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.