Agenda Brasil Mais Competitivo: o que muda para as empresas
21/09/2026 16:303 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você é empresário ou gestor e sente na pele os efeitos da burocracia, dos custos de logística ou das regras de energia sobre o seu negócio, vale acompanhar de perto a nova Agenda Brasil Mais Competitivo. O governo reuniu mais de 100 representantes do setor produtivo, entidades e sociedade para discutir medidas que prometem melhorar o ambiente de negócios no país. O encontro marcou a apresentação oficial da agenda, que substitui a antiga Agenda para a Redução do Custo Brasil.
O que muda
A ideia central da nova agenda é a mesma da anterior: identificar e remover obstáculos que encarecem ou dificultam a atividade produtiva no Brasil. Mas o escopo foi ampliado. A carteira reúne 24 projetos prioritários, organizados em três frentes: infraestrutura, insumos básicos e ambiente jurídico-regulatório. Entre os temas tratados estão melhoria regulatória, transformação digital, inovação, energia, logística e abertura para o comércio internacional.
Durante a reunião, diferentes ministérios apresentaram iniciativas que fazem parte dessa carteira. Foram mostradas propostas sobre identificação biométrica em portos e aeroportos, o plano de logística nacional até 2050 e ações para ampliar a competitividade do mercado de gás natural. No setor elétrico, chamaram atenção discussões sobre uma consulta pública em andamento, a regulamentação do chamado "curtailment" (corte de geração de energia em momentos de excesso) e regras sobre o encargo de reserva de capacidade, que leva em conta o perfil de consumo de energia das empresas.
Quem é afetado
Na prática, empresas de setores como indústria, logística, energia e portos são as mais diretamente relacionadas aos temas discutidos até agora. Mas o impacto pode se estender a qualquer negócio que dependa de infraestrutura de transporte, energia elétrica ou de processos regulatórios mais rápidos para funcionar. Foi justamente isso que representantes do setor produtivo levantaram na reunião: a necessidade de acelerar a prestação de serviços públicos, já que a demora nesses processos afeta diretamente a rotina das empresas.
Essa participação empresarial não é pontual. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a construção da agenda contou com uma consulta pública que recebeu mais de 270 contribuições, realizada entre março e maio. Isso significa que boa parte das propostas nasceu de demandas reais apontadas pelo próprio setor produtivo, e não apenas de decisões internas do governo.
Prazos e próximos passos
É importante ter clareza de que a agenda ainda está em construção. Segundo o próprio MDIC, a carteira de projetos está em fase de desenho e validação dos planos de ação, trabalho que está sendo feito em conjunto com os ministérios responsáveis por cada tema. Ou seja, as medidas apresentadas na reunião são propostas e diretrizes gerais, mas ainda não regras prontas para valer no seu negócio.
A agenda foi lançada em junho de 2026 e incorpora tanto propostas novas quanto projetos que já vinham sendo trabalhados em ciclos anteriores. A próxima etapa, segundo o governo, é justamente definir e validar os planos de ação de cada iniciativa. Isso quer dizer que o cronograma efetivo de mudanças vai depender de como cada projeto avançar dentro dos respectivos ministérios.
Como se preparar
Para o empresário, o recado prático é: fique atento aos desdobramentos, mas sem esperar mudanças imediatas. As medidas discutidas podem, no futuro, afetar custos de produção, logística, energia e as exigências regulatórias que sua empresa enfrenta no dia a dia. Mas a efetividade de tudo isso vai depender de como cada projeto for implementado e das regras específicas que forem definidas ao longo do processo.
Se o seu negócio tem relação direta com portos, transporte, energia elétrica ou gás natural, vale acompanhar com mais atenção os próximos anúncios, já que são os setores com propostas mais concretas até o momento. Para os demais, o caminho é observar se as promessas de agilidade nos serviços públicos, um dos principais pontos cobrados pelo setor produtivo, realmente se traduzem em processos mais rápidos e menos burocráticos no futuro.
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