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Acidentes de trabalho disparam: o que isso custa para sua empresa

30/07/2026 12:003 min de leituraAtualizado há 34 dias

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Um levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com base em dados do Ministério da Saúde, mostra que o Brasil registrou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, foram 222.139 casos. Para você que gerencia um negócio, o dado é um alerta direto: acidente de trabalho não é estatística distante, é custo real que pode aparecer na sua folha, na sua produtividade e na sua relação com a Previdência Social.

Por que os números subiram tanto

Parte desse crescimento nas notificações tem explicação técnica: uma portaria do Ministério da Saúde, publicada em 2023, passou a exigir que todo acidente de trabalho atendido por serviços de saúde seja notificado, não apenas os casos graves, fatais ou envolvendo menores, como era antes. Ou seja, o sistema está capturando uma realidade que já existia, mas que ficava invisível nas estatísticas oficiais. Mesmo assim, especialistas alertam que ainda pode haver subnotificação, principalmente em setores marcados pela informalidade, o que sugere que o número real de acidentes pode ser maior do que o registrado.

Quem está mais exposto

O perfil das vítimas ajuda a entender onde concentrar esforços de prevenção. Homens representam 74,7% dos acidentes registrados, e a faixa etária de 20 a 49 anos é a mais afetada, justamente o grupo mais presente no mercado de trabalho. Isso está ligado à maior participação desses trabalhadores em atividades com exposição a riscos físicos, como construção civil, indústria, transporte e operações em geral. Se a sua empresa atua nesses segmentos, o risco de acidente tende a ser proporcionalmente maior e merece atenção redobrada.

Geograficamente, Sudeste e Sul concentram 72,6% das notificações, com São Paulo liderando o ranking estadual. Mas isso não significa necessariamente que essas regiões sejam mais perigosas: elas também têm maior concentração de emprego formal e melhor estrutura de notificação, o que infla os números em comparação a locais com menos capacidade de registro.

O impacto que vai além da saúde do trabalhador

Todo acidente de trabalho gera uma cadeia de custos que atinge diretamente a empresa: afastamentos, queda de produtividade, necessidade de repor mão de obra temporariamente e, em muitos casos, pagamento de benefícios previdenciários vinculados ao INSS. Tratamentos prolongados também pesam na rotina operacional e no planejamento de equipes. Por isso, investir em prevenção não é apenas uma obrigação legal, é uma decisão que protege o caixa e a continuidade do negócio.

Como se preparar

Especialistas apontam um conjunto de medidas que fazem diferença prática no dia a dia da empresa: mapear e gerenciar os riscos ocupacionais, oferecer treinamentos periódicos, garantir o fornecimento e a fiscalização do uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), manter máquinas e equipamentos em bom estado e adequar os ambientes de trabalho às Normas Regulamentadoras. A emissão correta da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), sempre que houver ocorrência, também é essencial: ela garante os direitos do trabalhador e alimenta as estatísticas que orientam políticas públicas de prevenção.

A Anamt defende ainda o fortalecimento da fiscalização das condições de trabalho, mais investimento em programas de prevenção e capacitação contínua tanto de empregadores quanto de trabalhadores. Para a entidade, quanto mais completas forem as notificações, mais fácil será identificar setores e grupos mais vulneráveis, direcionando recursos de forma mais eficiente.

Na prática, o recado para o empresário é claro: segurança do trabalho deixou de ser apenas item de conformidade e passou a ser parte da gestão de riscos do negócio. Revisar processos internos, atualizar treinamentos e conferir se sua empresa está alinhada às NRs aplicáveis ao seu setor pode evitar não só multas e passivos previdenciários, mas também prejuízos operacionais que comprometem a produtividade da equipe.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.