Veste (VSTE3): o que explica a virada da dona de Le Lis e Dudalina
18/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acompanha o varejo de moda ou tem negócio no setor, vale entender o que a Veste fez para sair de um período difícil e voltar a crescer com lucro. Dona das marcas Le Lis, Dudalina, John John, BO.BÔ e Individual, a empresa passou seis anos reorganizando sua estrutura financeira e sua forma de vender, e o CEO Alexandre Afrange considera que esse processo de recuperação, conhecido no mercado como turnaround, já está concluído.
O caminho não foi simples: envolveu fechar lojas, reduzir a dependência de liquidações e reestruturar dívidas, mesmo com o risco de vender menos no curto prazo. Segundo Afrange, a decisão de manter esse plano até o fim, sem mudar de direção no meio do caminho, foi o que garantiu o resultado. "A gente não fez atalhos", afirmou o executivo.
O que mudou na prática
A Veste apostou em ter uma rede de lojas menor, mas mais rentável, concentrando pontos de venda em locais mais produtivos. Ao mesmo tempo, reduziu o uso de descontos: no segundo trimestre de 2026, 86% das vendas ao consumidor final foram feitas a preço cheio, ante 83% um ano antes. A lógica é simples e vale para qualquer negócio: vender menos, mas com mais margem, tende a ser mais sustentável do que crescer às custas de promoções constantes.
Essa escolha também ajudou a arrumar a casa financeiramente. O estoque da empresa caiu 5,2% em um ano, chegando a R$ 249,7 milhões, e o tempo que as mercadorias ficam paradas até serem vendidas caiu de 225 para 200 dias. A dívida líquida também recuou, de R$ 139,3 milhões para R$ 108,2 milhões. São sinais de uma operação mais enxuta e com menos pressão financeira.
Vale destacar que o lucro contábil, sem os ajustes divulgados pela companhia, foi de R$ 12 milhões, uma queda de 23,3% na comparação anual. A diferença está ligada a duas contingências anteriores a 2014, cujo efeito no caixa da empresa será diluído ao longo de cinco anos. É um lembrete importante para quem analisa balanços: números ajustados e números contábeis podem contar histórias diferentes, e entender a origem da diferença é essencial antes de tirar conclusões.
Quem está por trás da recuperação
Uma marca do portfólio se destacou especialmente: a BO.BÔ. No trimestre, o faturamento bruto da marca cresceu 30,9%, para R$ 46,2 milhões, e as vendas em lojas já existentes há pelo menos um ano avançaram 23%. Segundo a head da marca, Fátima Stryjer, o resultado veio de um trabalho de revisão nos pilares de produto, atendimento e experiência do cliente, sem mudar o perfil da consumidora que a marca já atendia.
A estrutura acionária da Veste também passou por mudanças relevantes. Em outubro de 2025, o BTG Pactual comprou a fatia de 49,7% que pertencia à WNT, gestora ligada a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Após a liquidação do Master, em novembro de 2025, Afrange afirmou que a Veste não mantinha relação com o banco nem tinha recursos expostos a ativos da instituição. Hoje, o BTG é o maior acionista da companhia.
O que isso significa para quem observa o setor
Para empresários e gestores de outros negócios, o caso da Veste traz uma lição prática: recuperação financeira consistente costuma exigir decisões impopulares no curto prazo, como fechar unidades ou aceitar queda temporária nas vendas, em troca de rentabilidade mais sólida no longo prazo. Afrange reforça que a avaliação de uma empresa não deve se basear em um único trimestre, mas na tendência ao longo do tempo, um princípio que vale tanto para investidores quanto para quem administra o próprio negócio.
A empresa não trabalha com metas grandiosas de expansão. As aberturas de novas lojas, como a prevista para o ParkShopping em Brasília, dependem da análise cuidadosa do retorno esperado de cada ponto comercial. É uma postura que resume a estratégia do período: crescer de forma sólida e sustentável, sem acelerar antes de ter a base financeira e operacional consolidada.
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