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Universidades e inteligência artificial: o que avaliar na escolha do curso

14/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 36 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Escolher uma faculdade nunca foi simples, mas agora ganhou uma camada extra de complexidade: a inteligência artificial. Universidades renomadas estão adotando posturas bem diferentes sobre como (e se) os alunos podem usar ferramentas como ChatGPT nos estudos. Para quem está decidindo onde estudar, ou decidindo onde matricular um filho, entender essas diferenças pode ser tão importante quanto olhar a grade curricular ou o valor da mensalidade.

Embora o cenário descrito venha de universidades americanas, o debate interessa a qualquer gestor, educador ou pai de estudante no Brasil: as mesmas perguntas sobre uso responsável de IA, preparo de professores e formação para o mercado de trabalho já chegam às instituições brasileiras. Entender como as melhores universidades do mundo estão lidando com o tema ajuda a antecipar tendências e fazer escolhas mais informadas.

O que muda na forma de ensinar

Em Harvard, a liderança da faculdade orientou os professores a incentivar o uso de IA quando ela ajudar de fato no aprendizado, sugerindo que provas presenciais e exames orais sejam usados nos momentos em que não se quer que os alunos recorram à tecnologia. Já em disciplinas de redação, a orientação é incorporar a IA ao processo, em vez de proibir. Nem todo o corpo docente concorda: alguns professores de humanidades temem que o uso da tecnologia prejudique a capacidade dos estudantes de pensar e criar suas próprias interpretações.

Esse tipo de divergência interna se repete em outras instituições. No Amherst College, os professores estão distribuídos "em todos os extremos": alguns voltaram a aplicar provas em caderno e exames orais, outros abraçam a IA nas atividades. A universidade optou por não impor uma regra única, mas exige que cada professor explique claramente, no plano de ensino, o que é permitido ou não. Ou seja: mesmo dentro de uma única faculdade, as regras podem variar de uma disciplina para outra.

Quem é afetado e por quê isso importa

Essa variação de regras afeta diretamente o estudante, que muitas vezes fica sem saber o que esperar de curso para curso. Por isso, líderes estudantis em diversas universidades têm pressionado por diretrizes mais claras. Uma das preocupações mais citadas é o medo de que alunos que usam IA para colar levem vantagem sobre os que seguem as regras à risca, especialmente quando não há como fiscalizar o uso da tecnologia.

Diante dessa pressão, algumas instituições já estão reagindo. A University of Michigan divulgou um rascunho de princípios para orientar o uso de IA em toda a universidade, com foco em responsabilidade, ética e proteção de dados, e abriu espaço para a comunidade acadêmica sugerir ajustes antes da versão final. Harvard também planeja elaborar diretrizes ainda este ano. A recomendação para quem está escolhendo instituição é simples: perguntar diretamente aos alunos como a IA é usada na prática, já que a experiência real costumas revelar detalhes que não aparecem nos documentos oficiais da universidade.

Perguntas para fazer antes de escolher a universidade
01
A instituição tem regras claras sobre IA?

Verifique se existem diretrizes formais, mesmo que variem entre disciplinas.

02
Os professores recebem apoio para lidar com a IA?

Pergunte se há tempo para experimentação e troca de experiências entre docentes, não apenas treinamentos pontuais.

03
O aprendizado de IA vai além da área de tecnologia?

Confirme se estudantes de todas as áreas têm acesso a disciplinas ou conteúdos sobre uso responsável da tecnologia.

04
Os alunos têm voz nas regras?

Pergunte aos estudantes se os professores explicam o motivo das regras e se há espaço de diálogo sobre elas.

Como se preparar para escolher bem

Um bom exemplo de integração ampla da IA ao currículo é a University of Florida, que recebeu uma doação de US$ 70 milhões (cerca de R$ 356 milhões) de um ex-aluno cofundador da Nvidia para criar a chamada "AI University". A instituição hoje oferece mais de 200 disciplinas relacionadas à IA em diferentes áreas, e quase 70% dos formandos já cursaram pelo menos uma delas. A ideia central é que o conhecimento em IA não deveria ficar restrito a cursos de tecnologia ou engenharia, mas sim alcançar todas as áreas de formação.

Ainda assim, ter muitas disciplinas disponíveis não garante, por si só, que os alunos estejam aprendendo a usar a tecnologia de forma responsável. Na Arizona State University, a orientação é que simplesmente usar ferramentas como ChatGPT não torna o estudante "alfabetizado em IA": o objetivo é que ele entenda como a tecnologia funciona, reconheça seus limites e vieses e avalie se usá-la em cada situação está alinhado aos próprios valores. Por isso, ao pesquisar universidades, vale olhar além de anúncios sobre "curso de IA" ou "chatbot institucional" e investigar como esse conhecimento é realmente aplicado dentro de cada área de formação.

Para empresários e gestores que acompanham de perto a formação de futuros profissionais, seja como pais de estudantes, seja como responsáveis por contratações, o recado é claro: a capacidade de usar IA com critério, e não apenas a familiaridade com a ferramenta, tende a ser o diferencial mais valorizado no mercado de trabalho nos próximos anos. Vale acompanhar como as instituições brasileiras, faculdades e escolas técnicas, estão se posicionando sobre o tema, já que essa discussão deve chegar com força também por aqui.

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