Uber aposta em robotáxis, mas lucro fraco derruba ações: entenda
05/08/2026 17:244 min de leituraAtualizado há 29 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A Uber colocou no radar do mercado um plano ambicioso: investir mais de US$ 10 bilhões em táxis autônomos nos próximos anos. A notícia, no entanto, não foi suficiente para animar os investidores. As ações da empresa caíram 4,8% depois que a companhia projetou um lucro ajustado por ação entre US$ 0,84 e US$ 0,88 para o terceiro trimestre, número abaixo da expectativa dos analistas, que apontava para US$ 0,89.
Para você que acompanha o mercado de tecnologia e mobilidade, esse movimento da Uber é um termômetro importante. Mostra que mesmo empresas líderes em seus setores podem sofrer no curto prazo quando o mercado financeiro não encontra exatamente o que esperava nos números, ainda que os planos estratégicos de longo prazo sejam robustos.
O que muda com o investimento em robotáxis
Segundo a Uber, boa parte dos US$ 10 bilhões prometidos não deve ir para a construção de veículos autônomos próprios, mas sim para participações em empresas parceiras de direção autônoma e para apoio financeiro em operações de frota e compromissos com veículos. Ou seja, a Uber aposta em ser uma espécie de "hub" que conecta diferentes tecnologias de carros autônomos aos usuários, em vez de desenvolver sua própria frota do zero.
Esse detalhe importa porque explica a postura do CEO Dara Khosrowshahi diante dos rumores de que a Waymo, unidade de carros autônomos da Alphabet, estaria pensando em encerrar a parceria com a Uber. Khosrowshahi minimizou as especulações e afirmou esperar que as duas empresas continuem operando juntas em cidades como Austin e Atlanta, enquanto a Uber amplia laços com outros desenvolvedores do setor. Na prática, a estratégia é diversificar parcerias, não depender de um único fornecedor de tecnologia autônoma.
Por que os investidores reagiram mal
A queda nas ações não teve relação direta com os robotáxis, e sim com a previsão de lucro por trimestre considerada fraca pelo mercado. Isso reforça um ponto prático para quem lidera empresas: investidores costumam reagir mais a números de curto prazo do que a promessas estratégicas de longo prazo, mesmo quando essas promessas fazem sentido para o futuro do negócio.
Vale notar que a atenção dos investidores para a forma como a Uber está alocando seu capital ficou ainda mais acentuada depois que a empresa anunciou, no mês passado, um acordo de US$ 14,8 bilhões pela Delivery Hero. Analistas como Adam Ballantyne, da Cambiar Investors, acionista da Uber, disseram considerar o valor de US$ 10 bilhões para robotáxis alinhado com suas próprias expectativas, estimando que a empresa precisará de bilhões de dólares nos próximos quatro a cinco anos para sustentar o crescimento de seus parceiros de direção autônoma.
Os números do trimestre
Apesar da reação negativa das ações, o desempenho recente da Uber não foi ruim. No segundo trimestre, as reservas brutas somaram US$ 58,02 bilhões, superando as estimativas de analistas, de US$ 57,06 bilhões. O lucro ajustado do negócio principal também superou as expectativas, impulsionado por demanda forte em todas as regiões e serviços, incluindo viagens relacionadas à Copa do Mundo de futebol. A receita cresceu 12%, para US$ 14,19 bilhões, ficando ligeiramente abaixo da estimativa de US$ 14,24 bilhões.
| Indicador | Resultado | Expectativa do mercado |
|---|---|---|
| Reservas brutas (2º trimestre) | US$ 58,02 bi | US$ 57,06 bi |
| Receita (2º trimestre) | US$ 14,19 bi | US$ 14,24 bi |
| Reservas brutas previstas (3º trimestre) | US$ 58,25 bi a US$ 60,25 bi | US$ 59,21 bi |
| Lucro ajustado por ação previsto (3º trimestre) | US$ 0,84 a US$ 0,88 | US$ 0,89 |
Para o terceiro trimestre, a projeção de reservas brutas, entre US$ 58,25 bilhões e US$ 60,25 bilhões, está em linha com o que o mercado esperava. A empresa também alertou que variações cambiais devem reduzir o crescimento das reservas brutas em cerca de 1 ponto percentual em relação ao ano anterior, revertendo um efeito que vinha impulsionando os resultados nos quatro trimestres anteriores.
Um dado chama atenção para quem observa a saúde do negócio no longo prazo: a Uber informou ter conquistado mais usuários novos no último ano do que em qualquer período comparável nos cinco anos anteriores, o que ajudou a elevar as reservas brutas em 24%. Para gestores que acompanham tendências de consumo e mobilidade, esse crescimento de base de usuários é um indicador relevante de que o apetite pelo transporte por aplicativo continua em expansão, mesmo em um cenário de pressão sobre margens e expectativas de lucro mais apertadas no curto prazo.
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